Irã mantém negociações com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão em meio ao temor de nova escalada da guerra no Oriente Médio

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Irã e representantes de alto escalão da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão concordaram em continuar as negociações para reforçar a cooperação regional, especialmente em questões de paz e segurança, após uma reunião nesta segunda-feira, em Teerã. O entendimento foi anunciado pela televisão estatal iraniana, que classificou o encontro como o primeiro do tipo entre as partes.

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Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países A reunião ocorre em meio à preocupação de que os Estados Unidos e Israel possam lançar novos ataques contra a República Islâmica em breve.

Autoridades americanas e outras pessoas informadas sobre as discussões disseram ao New York Times que os dois países estariam elaborando planos para um possível ataque após as eleições de meio de mandato dos EUA, na próxima semana. Ali Bagheri Kani, vice-secretário do poderoso Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que as reuniões tinham como objetivo promover a segurança regional, segundo a Press TV, emissora estatal iraniana.

A visita é o mais recente episódio de uma intensa movimentação diplomática de mediadores regionais para evitar novas turbulências no Oriente Médio. O conflito entre a Arábia Saudita e a milícia houthi, apoiada pelo Irã, no Iêmen também se intensificou rapidamente nas últimas semanas, com os dois lados trocando ataques mortais, inclusive contra aeroportos e instalações petrolíferas em diferentes partes do reino.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, se reúnem com o ministro da Defesa da Arábia Saudita, príncipe Khalid bin Salman Al-Saud, o comandante do exército do Paquistão, general Syed Asim Munir, e o chefe de inteligência da Turquia, Ibrahim Kalin, em Teerã, no dia 26 de outubro de 2026

PRESIDÊNCIA IRANIANA / AFP Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmaram neste ano um acordo de defesa coletiva conhecido como Pacto de Meca.

A reunião desta segunda-feira representa uma aproximação diplomática significativa entre os três signatários e o Irã, em um momento de crescente tensão regional. O ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman, representou o reino nas negociações, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita.

O príncipe esteve acompanhado em Teerã pelo chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, informou a mídia estatal iraniana, e por Ibrahim Kalin, chefe da agência nacional de inteligência da Turquia. Contexto: Irã está em 'estágio avançado' de plano de ataque letal contra americanos, dizem oficiais do governo Trump

Na tarde desta segunda, a emissora estatal iraniana informou que os representantes se reuniam com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e com o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, Mohsen Rezaei. Um dia antes, mediadores do Catar visitaram Teerã para tentar fechar um acordo entre os EUA e o Irã e evitar uma nova guerra regional, segundo Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano.

Na semana passada, Munir, do Paquistão, também esteve em Teerã para contribuir com os esforços diplomáticos. Veja também: Sob cerco dos houthis, cidade do Iêmen vê estoques de comida, água e combustível se esgotarem

Um funcionário de um país do Golfo, que falou sob condição de anonimato ao New York Times para discutir as negociações, afirmou que as conversas desta segunda-feira apoiavam os esforços dos mediadores catarianos e paquistaneses. Segundo ele, um dos objetivos era pressionar o Irã a demonstrar flexibilidade suficiente para alcançar uma solução diplomática com os EUA.

Concessões e impasse nuclear Mediadores do Catar vêm trabalhando em um acordo entre Washington e Teerã pelo qual os dois lados fariam uma série de concessões ao longo de cinco dias, disseram dois diplomatas informados sobre as negociações.

Como parte dessas concessões, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz à navegação comercial. A via marítima é essencial para o transporte de energia no Golfo Pérsico.

Em contrapartida, os EUA suspenderiam o bloqueio naval aos portos iranianos, que agravou a crise econômica do país. O principal obstáculo ao acordo tem sido definir quando cada lado faria suas concessões, disseram os diplomatas.

Eles acrescentaram que os mediadores vêm pressionando o Irã a oferecer uma concessão relacionada a seu programa nuclear na fase inicial do entendimento. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian (centro-esquerda), aperta a mão do ministro da Defesa da Arábia Saudita, príncipe Khalid bin Salman Al-Saud, após uma reunião com o chefe do exército paquistanês e o chefe da inteligência turca em Teerã, no dia 26 de outubro de 2026

PRESIDÊNCIA DO IRÃ / AFP O Irã descartou repetidamente a possibilidade de abrir mão de parte de suas reservas de urânio enriquecido.

Na semana passada, Rezaei prometeu que “nem uma única partícula de material nuclear enriquecido” deixaria o país. Novos ataques: Duas explosões atingem capital da Arábia Saudita após alerta de ataque aéreo

Autoridades iranianas demonstraram pessimismo na semana passada quanto à possibilidade de um acordo e advertiram que, caso o Irã fosse atacado novamente, suas forças ampliariam a lista de alvos para incluir centros de dados e cabos submarinos de internet na região. Risco de nova escalada

A visita de autoridades sauditas de alto escalão a Teerã representa uma importante iniciativa de aproximação em um momento de profundas tensões entre os dois países, enquanto a Arábia Saudita enfrenta ataques quase diários dos houthis. O envio do príncipe Khalid — irmão do príncipe herdeiro saudita e um de seus enviados de confiança — indica o interesse da liderança saudita em evitar uma nova rodada de guerra entre EUA, Israel e Irã.

Um conflito desse tipo poderia provocar uma nova onda de ataques iranianos contra a Arábia Saudita, enquanto o reino também combate os houthis. Em meio a ataques dos houthis: EUA ordenam retirada de funcionários de embaixada na Arábia Saudita e seus familiares, diz fonte diplomática

Para o Irã, a visita conjunta da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão nesta segunda tem importância simbólica, já que as autoridades iranianas buscam afastar os EUA dos mecanismos regionais de segurança e dos arranjos diplomáticos. O Pacto de Meca foi assinado em agosto, em um momento em que países do Oriente Médio buscavam novas formas de garantir a própria segurança diante das incertezas sobre a confiabilidade da proteção americana.

Essa questão tornou-se particularmente importante para os líderes dos países árabes do Golfo, que enfrentaram uma onda de mísseis e drones iranianos após o início dos ataques dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro. — Do nosso ponto de vista, o simples fato de os países da região estarem buscando estabelecer, ou pelo menos considerando, mecanismos regionais de segurança baseados em seus próprios interesses e considerações é um acontecimento bem-vindo — afirmou Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, em uma entrevista coletiva em Teerã nesta segunda-feira.

(Com New York Times e AFP)

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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