247 – O presidente do Parlamento iraniano, Qalibaf, afirmou que os Estados Unidos precisam cumprir sete condições apresentadas por Teerã para conquistar a confiança do país e que a pressão militar não alterará as decisões iranianas.
Segundo a agência Prensa Latina, que cita informações da semioficial Tasnim, a declaração foi feita durante uma reunião na capital iraniana com o chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Asim Munir.
O Paquistão atua como mediador entre os dois países. No encontro, o dirigente iraniano vinculou a possibilidade de reconstruir a confiança ao atendimento das exigências encaminhadas a Washington nas negociações diplomáticas de setembro.
“Os Estados Unidos não conseguirão conquistar a confiança do Irã a menos que cumpram as sete condições. Ameaças e provocações militares não influenciarão nossas decisões”, declarou Qalibaf.
Entre as exigências mencionadas por autoridades iranianas estão o encerramento das hostilidades em todas as frentes, a liberação de ativos do Irã congelados e o levantamento do bloqueio naval dos Estados Unidos. Teerã também cobra o fim da interferência em seus assuntos internos e a suspensão dos ataques contra seu território. O relato não apresenta individualmente os sete pontos.
As condições foram levadas aos norte-americanos no fim de setembro, durante os contatos diplomáticos realizados no contexto da participação iraniana na Assembleia Geral das Nações Unidas. Essa etapa das conversas contou com a mediação do Catar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que não aceitaria as exigências.
Desconfiança e compromissos descumpridos
Qalibaf afirmou que a desconfiança iraniana em relação a Washington se acumulou ao longo de muitos anos. Na avaliação do parlamentar, o descumprimento de compromissos previstos em um memorando de entendimento aprofundou as divergências entre os dois governos.
O dirigente também sustentou que os Estados Unidos passaram a enfrentar uma situação difícil depois de atacar o Irã e que cabe a Washington adotar medidas para superá-la. A declaração expressa a posição apresentada pelo lado iraniano na reunião com o representante paquistanês.
O encontro ocorre em um cenário de negociações paralisadas, marcado por desacordos sobre as condições para interromper as hostilidades e sobre a navegação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte internacional de energia e matérias-primas.
Ataques e cessar-fogo antecederam o impasse
De acordo com a Prensa Latina, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques militares contra o Irã em 28 de fevereiro, com um saldo de milhares de mortos. Teerã respondeu com ofensivas contra Israel e alvos norte-americanos em países da região, antes de um cessar-fogo ser alcançado em abril.
Os dois países assinaram um memorando de entendimento em meados de junho. Ainda segundo a agência, Washington voltou posteriormente a atacar alvos iranianos, em meio à interrupção das negociações.
As divergências sobre a navegação no Estreito de Ormuz permaneceram entre os obstáculos ao avanço diplomático. É nesse contexto que Teerã mantém o cumprimento de suas exigências como condição para reconstruir a confiança nos Estados Unidos.
Brasil 247