247 – O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, teceu neste domingo (18) duras críticas ao presidente francês, Emmanuel Macron, apontando uma hipocrisia na forma como o governo da França lida com os atuais distúrbios sociais no país, em contraste com a postura adotada por Paris durante os protestos no Irã em janeiro deste ano.
A declaração ocorre logo após a França ser palco de protestos em grande escala neste último sábado (17). Motivadas pela insatisfação com o aumento do custo de vida e a alta dos preços, as manifestações reuniram cerca de 550 mil pessoas em todo o país — incluindo 110 mil apenas em Paris. Os atos foram marcados por confrontos violentos entre manifestantes e a polícia, além de tumultos, saques e vandalismo.
Segundo autoridades francesas, jovens radicalizados destruíram lojas e incendiaram pontos de transporte público e veículos. Em resposta, as forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e canhões de água. De acordo com o ministro do Interior da França, Laurent Nunez, mais de 2.000 pessoas foram detidas e mais de 600 policiais e bombeiros ficaram feridos.
Diante do cenário de crise na França, Baqaei utilizou a plataforma X (antigo Twitter) para se dirigir diretamente a Macron, cobrando coerência e relembrando declarações passadas do líder europeu sobre os assuntos internos do Irã.
“Senhor Macron, em janeiro, o senhor prescreveu ‘reunião pacífica sem medo de punição’ para aqueles que atacavam nossos centros de aplicação da lei e instituições públicas a mando de atores estrangeiros malignos”, declarou Baqaei. “No entanto, agora, enfrentando distúrbios em sua própria República, o senhor declara rapidamente que a destruição e os ataques a instituições estatais não serão tolerados e que os perpetradores serão punidos rapidamente.”
O porta-voz iraniano também resgatou a aliança agressiva contra Teerã, citando comunicações anteriores entre o Palácio do Eliseu e a Casa Branca. “Não esquecemos como, antes da agressão contra o Irã, o senhor enviou uma mensagem ao presidente dos EUA: ‘Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã’. Logo ficou claro que sua versão de ‘grandes coisas’ significava alinhar-se com uma campanha de agressão e atrocidades que acabou engolfando a região e o mundo”, afirmou.
Em um tom de alerta sobre as consequências geopolíticas e históricas, Baqaei sugeriu que a crise enfrentada pelo Ocidente é um reflexo de suas próprias ações externas.
“Agora que o ciclo de crise bateu à sua própria porta — e enquanto o grito de ‘sem reis’ ecoa pela América —, pode ser sensato lembrar que a história não fica apenas sentada perto da janela aberta por alianças sinistras, assistindo o mundo queimar”, alertou o porta-voz. “Às vezes, ela estilhaça essa mesma janela e traz o fogo direto de volta para a casa de seus autores.”
Para encerrar sua manifestação, Baqaei recorreu a uma citação do célebre fabulista francês Jean de La Fontaine, ironizando a situação de Paris com um provérbio local: “Um truque elaborado com muita habilidade pode se voltar contra o seu criador; e a traição frequentemente retorna ao seu mestre.”
Mr. Macron,Back in January, you prescribed "peaceful assembly without fear of punishment" for those attacking our law enforcement centers and public institutions at the behest of foreign malign actors. Yet now, facing unrest in your own Republic, you quickly declare that… pic.twitter.com/ev08w4iXIO— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) October 18, 2026
Brasil 247