França: atos contra inflação reúnem 500 mil e deixam 1 morto e 2 mil presos

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Fonte da notícia: Correio Braziliense Correio Braziliense

Uma onda de manifestações contra a inflação e os cortes nos serviços públicos terminou com uma pessoa morta, mais de 600 policiais feridos e cerca de 2 mil detenções na França. Os protestos, realizados no sábado (17/10), reuniram mais de 500 mil pessoas em dezenas de cidades e provocaram confrontos com as forças de segurança, além de depredações e incêndios. Neste domingo (18/10), equipes trabalhavam para avaliar os prejuízos.Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, boa parte das manifestações ocorreu pacificamente, mas grupos de manifestantes entraram em confronto com a polícia.Manifester est un droit fondamental. Semer le désordre avec violence et de manière concertée n’en est pas un. Attaquer nos forces de l’ordre, s’en prendre à nos institutions, dégrader des bâtiments publics, s’introduire dans des préfectures ou des mairies, piller des commerces : rien ne peut le justifier. Au lendemain de cette journée du 17 octobre qui dans certaines villes s’est poursuivie très tard, je remercie vivement et j’apporte mon total soutien aux policiers, aux gendarmes et aux sapeurs pompiers qui, partout en France, sont intervenus dans des conditions extrêmes. Dès la mi-journée, à Marseille dès le matin, des exactions étaient commises par plusieurs milliers d’individus d’ultra gauche décidés à s’en prendre à nos bâtiments publics et à prendre à partie nos forces de l’ordre. Par la suite, ils ont été rejoints par des délinquants qui ont pillé et saccagé de nombreux commerces dans plusieurs villes en France : Paris, Marseille, Lyon, Bordeaux, Rennes, Strasbourg, Grenoble, Nice, Limoges, … et bien d’autres. Pour l’heure, plus de 2 000 personnes ont été interpellées et dès aujourd’hui des enquêtes sont menées pour identifier les auteurs de ces actes pour qu’ils en répondent devant la justice. A ce stade, plus de 600 policiers, gendarmes et sapeurs-pompiers ont été blessés pris dans ces scènes de violences. Ce bilan sanitaire n’est malheureusement que provisoire. Les dégâts matériels sont considérables, pour notamment plusieurs centaines de commerçants. La République ne cédera rien à ceux qui veulent imposer le désordre et la violence.— Laurent Nuñez (@NunezLaurent) October 18, 2026Em Paris onde a única morte foi registrada em decorrência de um ataque cardíaco, estabelecimentos comerciais tiveram vitrines destruídas, enquanto bicicletas incendiadas e pichações foram encontradas em diferentes pontos da capital.Leia também: França registra distúrbios e saques após protestos contra custo de vida elevadoA mobilização começou há cerca de um mês, inicialmente liderada por estudantes que reivindicavam melhorias nas condições das escolas e denunciavam a falta de professores em regiões periféricas.Com o passar das semanas, os atos ganharam adesão de outros setores da população, insatisfeitos com o aumento do custo de vida, a desigualdade social e a redução dos investimentos em serviços públicos.Incêndios e saquesEntre as cidades atingidas, Limoges registrou alguns dos danos mais expressivos. Um incêndio criminoso destruiu parcialmente a prefeitura, instalada em um edifício histórico de 143 anos.As chamas começaram após um veículo da polícia municipal ser incendiado diante do imóvel e se espalharam pela construção, provocando o desabamento do telhado sobre os pavimentos inferiores. Apenas a ala oeste escapou dos maiores danos.Leia também: 'Tomamos a Bastilha': Protestos contra o custo de vida abalam na FrançaA violência também atingiu residências e estabelecimentos comerciais. Em uma das ocorrências, pessoas mascaradas invadiram a casa de um representante do governo local. Thomas Cazenave, prefeito de Bordeaux, relatou ainda que aproximadamente 100 lojas foram saqueadas durante os distúrbios.Je condamne fermement les dégradations et violences dont se sont rendus coupables, ce samedi à Bordeaux, des groupes ultra-violents venus non pour manifester mais pour casser, piller nos commerçants et attaquer nos institutions. https://t.co/f5f4eTN2tu— Thomas Cazenave (@T_Cazenave) October 17, 2026Na capital francesa, os atos que haviam começado sem confrontos terminaram em episódios de vandalismo e embates entre manifestantes e agentes de segurança. Os prejuízos levaram as autoridades a iniciar levantamentos dos danos causados ao patrimônio público e privado.Governo promete puniçõesA dimensão dos confrontos provocou uma reação do governo francês, que condenou a violência e anunciou medidas contra os responsáveis pelas depredações.O presidente Emmanuel Macron se manifestou nas redes sociais e declarou que não há "espaço para violência na República".Em uma publicação no X, o chefe de Estado afirmou que os envolvidos na destruição de prédios públicos e estabelecimentos comerciais deverão responder pelos atos.Aucune place pour la violence dans notre République. Ceux qui ont cassé, attaqué les préfectures comme les commerces, pillé jusqu’à nos mairies, seront poursuivis et punis. Aux forces de l’ordre, garantes du droit à manifester, je dis le soutien de la Nation. Nous ferons tous bloc face aux semeurs de chaos, qui ne cherchent qu’à abattre nos institutions et empêchent ceux qui expriment pacifiquement leurs revendications de le faire.— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 17, 2026"Aqueles que depredaram, atacaram as prefeituras e o comércio, e saquearam até mesmo nossos prédios públicos, serão processados e punidos", escreveu Macron.O primeiro-ministro Sébastien Lecornu também condenou os episódios e garantiu que o Executivo não será "intimidado" pelas manifestações violentas.Ele atribuiu os distúrbios à "extrema esquerda" e a criminosos comuns. A crise ocorre em um período de tensão política, com as eleições presidenciais francesas previstas para o próximo ano.Les manifestations pacifiques ont toute leur place dans notre République. Les incendies, les pillages et les attaques n’en ont aucune. Aujourd’hui, des groupes d’ultragauche ont organisé la violence dans plusieurs villes de France ; des délinquants s’y sont mêlés pour piller et détruire. Au moment où certains cherchent à jeter l’opprobre sur nos forces de l’ordre, je veux dire aux Français qu’ils peuvent être fiers de leurs policiers et de leurs gendarmes. Ils ont affronté une violence d'une extrême intensité pour protéger nos concitoyens et ils méritent tout notre soutien. À ceux qui clairement veulent faire de ces violences "un tour de chauffe" avant l’élection présidentielle, je le dis clairement : nous ne nous laisserons pas intimider. Personne n’imposera son agenda politique par la violence. Les consignes données sont claires : empêcher les exactions, protéger les biens et les personnes, interpeller leurs auteurs et les déférer à la justice. Nous irons jusqu’au bout de la discussion du projet de loi « casseurs-payeurs ». L’argent public est rare : il doit financer nos services publics, pas réparer sans fin ce que des casseurs détruisent. À eux d’en supporter le coût.— Sébastien Lecornu (@SebLecornu) October 17, 2026Além das medidas de segurança, o governo anunciou iniciativas para auxiliar os comerciantes prejudicados. O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos estabelecimentos atingidos e afirmou que os responsáveis pela destruição "pagarão e repararão os danos".Em Marselha, o prefeito Benoît Payan também anunciou a liberação de ajuda financeira emergencial para os empresários que sofreram prejuízos.A insatisfação com a situação econômica não ficou restrita à França. No mesmo sábado, Portugal, Itália, Bélgica e Espanha também registraram manifestações contra o aumento do custo de vida e os preços da moradia.Veja mais imagens dos danos provocados pelos protestos em cidades francesas:1)  O prefeito de Nice, Eric Ciotti, passa diante de uma loja danificada na avenida Jean-Médecin, em Nice(foto: Valery Hache/AFP)2)  Imagem mostra manequins, objetos e um cartaz com os dizeres "A Geração Z acorda vocês" espalhados pelo chão, um dia após protestos em todo o país contra o "alto custo de vida"(foto: Matthieu Rondel/AFP)3)  Trabalhadores instalam tábuas de madeira na fachada de uma loja após a quebra de suas vitrines(foto: Matthieu Rondel/AFP) Saiba Mais Mundo O caso da herdeira alemã acusada de encomendar o sequestro dos próprios filhos que levou a um escândalo de espionagem Mundo Como a relação estratégica entre Cuba e Venezuela enfraqueceu após a captura de Maduro Mundo Prédio incendiado, 270 presos: o que está por trás de dia de protestos na França

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