Irã afirma que qualquer navio dos EUA, Israel ou aliados a passar por Ormuz é 'alvo legítimo'

 

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O Irã reafirmou nesta quarta-feira (11) que não permitirá a passagem de petroleiros de propriedade dos Estados Unidos pelo Estreito de Ormuz.

O porta-voz do Comando Conjunto do Exército Iraniano e da Guarda Revolucionária Islâmica, Khatam al-Anbia, disse que o governo iraniano não permitirá que 'nem uma gota de petróleo passe pelo Estreito de Ormuz em benefício dos Estados Unidos e seus aliados'.

'Não é possível manter artificialmente os preços do petróleo e da energia baixos', alertou.

Além disso, ele defendeu que as embarcações americanas e de Israel, além de seus aliados, são 'alvos legítimos'.

'Qualquer embarcação cuja carga de petróleo ou a própria embarcação pertença aos Estados Unidos, ao regime sionista ou a seus aliados hostis será considerada alvo legítimo'.

Ao menos três embarcações foram atingidas nas últimas horas no Estreito de Ormuz, área importante do comércio de petróleo mundial e atualmente controlada pelo Irã por conta da guerra com Israel e os Estados Unidos.

Segundo a Autoridade de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, conhecida como UKMTO, responsável pela região, o caso mais recente foi de uma embarcação foi atingida por um 'projétil desconhecido' a 50 milhas náuticas a noroeste de Dubai.

Petroleiro dos Estados Unidos.

Patrick T. Fallon / AFP

De acordo com a UKMTO, a tripulação do navio está segura e não houve impacto ambiental.

Mais cedo, um navio cargueiro pegou fogo e foi evacuado a cerca de 11 milhas náuticas ao norte da Península de Musandam, em Omã, após ser atingido, informou a agência. Outro navio cargueiro também foi atingido na costa dos Emirados Árabes Unidos.

O que foi atingido em Omã é de bandeira tailandesa. A Marinha Real do país informou que está prestando assistência urgente. As autoridades informaram que o navio graneleiro Mayuree Naree, navegando sob a bandeira da Tailândia, foi atingido por projéteis enquanto viajava a cerca de 11 milhas náuticas (18 km) ao norte de Omã.

Alguns tripulantes ainda estão a bordo da embarcação. O Irã confirmou que atacou o navio.

De acordo com um comunicado da agência, 13 navios foram atacados desde o início da guerra.

Multidão se reúne no Irã para funerais de comandantes mortos em ataques dos EUA e de Israel

Multidão se reúne para funerais de comandantes da Guarda Revolucionária do Irã.

ATTA KENARE / AFP

Milhares de pessoas se reuniram nesta quarta-feira (11), em Teerã, capital do Irã, para os funerais de vários comandantes iranianos de alta patente mortos em recentes ataques conjuntos dos EUA e de Israel.

Imagens transmitidas ao vivo da capital pela TV estatal mostram um grande número de pessoas em luto participando da cerimônia, que homenageia figuras militares de alta patente que morreram durante os ataques.

Entre os homenageados estão, especialmente, os principais comandantes da Guarda Revolucionária iraniana, mortos no primeiro ataque que começou a guerra, em 28 de fevereiro.

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (11), o Irã prometeu atacar bancos e centros econômicos de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio em retaliação ao bombardeio de um banco no país.

Seguno o Quartel-General Central do Khatamolanbia, o comando unificado de combate das Forças Armadas Iranianas, as ações são 'não convencionais e ilegítimas na guerra' o que deu 'carta branca' para uma resposta.

'Os americanos devem esperar nossas dolorosas contramedidas. A população da região não deve permanecer a menos de um quilômetro dos bancos', advertiu o comunicado.

Em meio a isso, foi confirmado que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu ferimentos durante um ataque recente no conflito contra Israel e Estados Unidos, mas passa bem. A informação foi mencionada pela televisão estatal iraniana, que se referiu ao aiatolá como um 'veterano ferido' da atual guerra — chamada pelo governo de 'Guerra do Ramadã'.

Khamenei é filho do antigo líder supremo, Ali Khamenei, morto no fim de fevereiro em um bombardeio atribuído a forças dos Estados Unidos e de Israel. Ele foi escolhido no domingo pela Assembleia de Especialistas para comandar a República Islâmica.

Desde a nomeação, o novo líder ainda não fez aparições públicas nem pronunciamentos, o que aumentou as especulações sobre seu estado de saúde e segurança.

Segundo a agência Reuters, a escolha de Mojtaba Khamenei foi fortemente apoiada pela Guarda Revolucionária, que teria pressionado líderes religiosos a aprovar o nome dele. Khamenei é conhecido pela posição militar e mais dura dentro e fora do país.

Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã.

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