Invicta em 2026, Maria Clara viaja para Grand Prix de taekwondo no Cazaquistão para gabaritar o ano com mais um 'check'

Invicta em 2026, Maria Clara viaja para Grand Prix de taekwondo no Cazaquistão para gabaritar o ano com mais um 'check' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A cerca de dois anos para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, a brasileira Maria Clara Pacheco, de 23 anos,  está em posição confortável para classificação no taekwondo. Basta fazer o "arroz com feijão".

Em excelente fase, ela lidera o ranking mundial dos 57 quilos e pode fechar o ano de 2026 invicta, sem perder rounds.  A atleta competirá no Grand Prix, em Astana, no Cazaquistão, nos dias 28 e 29 de novembro, em busca de mais um "check" em sua lista de conquistas.

E este evento é especial: apenas os dez melhores do ranking mundial e os campeões e vices das três etapas do Grand Prix Series são convidados. O torneio concederá a maior pontuação do circuito para o ranking mundial (100 pontos aos campeões).

Depois, ela deverá disputar Grand Slam Challenge, em Wuxi, na China, que não conta pontos para a corrida olímpica. — E é meta terminar o ano invicta, com todos os "checks" dados na minha lista de competições — diz Maria Clara.

— Principalmente este Grand Prix final, que sempre foi um sonho. Em 2023 peguei a bicampeã olímpica, Jade Jones, em sua casa, na Inglaterra, logo na primeira luta.

Perdi no terceiro round. Maria Clara conta que tem listas com suas metas em um bloco de notas no celular.

Lista de metas de Maria Clara no taekwondo: "Quero ganhar tudo" Marina Calderon

Sob o título ‘Taekwondo’, enumerou todos os eventos que deseja conquistar na carreira. Há também listas por ano — e a de 2026, está gabaritada até agora.

Ela explica que, conforme vai alcançando suas metas, coloca um “check” na frente e a cor da medalha conquistada.  — Sou metódica e faço várias listas.

Tenho de mercado, coisas a fazer, até lista das vitaminas que tomo para já ter salvo em caso de exame antidoping. Me organizo assim, escrevendo.

E a lista ‘Taekwondo’ foi feita pela satisfação de poder dar ‘check’ depois — explica. Na lista geral, estão objetivos como o Mundial, que ela já deu "check", e a Olimpíada.

Há ainda os Jogos Pan-Americanos, que ela quer disputar em Lima, no ano que vem, para buscar o ouro — não se contenta com a prata da edição de 2023. E outros como o Mundial Militar, Jogos Mundiais Militares (não foi a ambos) e o Pan-americano da modalidade, que ela não ganhou ainda.

Foi campeã júnior (não disputou as edições de 2024 e 2026). — Coloco todas as competições porque quero ganhar tudo.

Para me aposentar, tenho que dar o ‘check’ com a medalhinha de ouro em todas.  E pelo andar da carruagem, a lista ganhará mais medalhas de ouro.

Após Paris-2024, quando brasileira terminou em sétimo, ela mudou sua equipe multidisciplinar e agora treina com José Carlos Figueiredo Coelho Júnior — que também é seu namorado. Ela explica que anteriormente não tinha um trabalho específico para sua preparação física, algo personalizado.

E isso mudou. E desde então, ela só perdeu duas lutas.

A última, em novembro de 2025, contra a segunda colocada do ranking mundial, a jordaniana Fadia Khirfan, no Grand Prix de Bangkok. Cerca de um ano depois, em outubro, Maria Clara venceu a rival e conquistou o sexto título de 2026, no Grand Prix de Paris (e o 15.º título desde Paris-2024).

* Arte O GLOBO

Sobre a invencibilidade, Maria Clara explicou ao GLOBO que tem sentimentos ambíguos. Ao mesmo tempo que "mais ajuda do que atrapalha", ela admite que defender a série invicta tem um lado negativo.

— Depois que comecei a ganhar das melhores do mundo, aumentou minha confiança. Tenho noção da minha capacidade e potencial.

Mas tem a pressão por se manter invicta, sou muito visada pelas rivais e tem ainda a questão do aprendizado — explica ela. — Quando se perde, vamos atrás das falhas.

O atleta cresce. E como isso não está rolando, ainda bem, buscamos esmiuçar os detalhes de todas as lutas.

É comum me ver, mesmo após uma boa vitória, chateada ou meu técnico brigando comigo. É que estamos procurando pequenos erros para trabalhá-los.s

Maria Clara diz que o treinador é duro, mas que o namorado, não. Ela prefere assim, com ele no seu encalço.

— Precisa ser duro comigo sim, eu sei. Mas ele não é exatamente duro...

é bonzinho em certos pontos. Temos uma ótima relação, mas quando se trata do esporte, dieta, é rígido — conta Maria Clara.

— Eu até tento brincar com ele durante os treinamentos, mas ele não cai na minha pilha. O contato dela está salvo no telefone dele como "Peppa Pig".

Eles dizem que é uma maneira carinhosa de se referir a ela, uma pessoa gulosa e que adora doces. Após Paris-2024, Maria Clara mudou equipe multidisciplinar e tem preparação física personalizada: ela dá cerca de 50 chutes por round, com lutas melhor de três

Marina Calderon — É piada porque não sou gordinha — completa ela, que prefere o apelido "coelhinho" por causa dos dentes. 

O treinador revela que Maria Clara sente falta de chocolate e conta uma das táticas para ajudá-la: — Este é um apelido carinhoso mas tem um motivo.

Ela gosta muito de comer. E o mais difícil de tirar é o doce.

A gente nem compra chocolate em casa para ela não passar vontade — afirma José Carlos, que, ao mesmo tempo, defende a amada. — Ela tem garra e determinação.

Tem coisas que não se ensinam. Ou tem, ou não tem.

E é muito mais fácil trabalhar com atletas assim. Ela sabe o que tem de fazer, não preciso ficar pedindo.

E entende a importância de se manter na dieta. Ela não é alta e vem vencendo pela força e velocidade.

Se está fora da forma ideal, perde a excelência destas características. Maria Clara pode garantir matematicamente vaga para LA-2028 no meio do ano que vem.

A classificação olímpica da modalidade ocorre por meio do ranking (entre junho de 2026 e dezembro de 2027) para os top 5 de cada categoria de peso.  E Maria Clara é líder com 230 pontos.

A segunda colocada é a jordaniana Fadia Khirfan, com 136.03. E a quinta colocada da lista é a Amina Dehhaoui, do Marrocos, com 84.80.

Em 2027, cerca de 510 pontos estarão em disputa (aos campeões das provas válidas). Na contagem de pontos, os conquistados em 2027 tem peso maior para o ranking.

— A gente sempre trabalhou para estar no pódio. Mas eu, sinceramente, não imaginava uma sequência assim, de tantos ouros.

Esta constância eu não esperava — declara José Carlos. — Mas hoje sou convicto que a gente consegue manter esse resultado se ela estiver bem condicionada, treinada e tranquila.

Mas este, porém, não é o foco. Estamos em busca da classificação olímpica.

Natália Falavigna, medalha de bronze em Pequim-2008 no taekwondo e gestora técnica do Comitê Olímpico do Brasil (COB), acredita em classificação olímpica com folga. E opina sobre a soberania da brasileira:

— A Maria Clara acelera a luta de tal maneira que as adversárias não conseguem entender muito. Sua variação e qualidade são superiores.

Sem contar o volume de luta e o estilo agressivo — comenta Falavigna. Planos para 2027

Além do ranking, também se classificarão para a Olimpíada, os campeões de cada categoria de peso do Grand Slam de Taekwondo, a ser realizado no final de 2027, na China. E ainda os campeões e vice-campeões dos Torneios Pré-Olímpicos Continentais (Américas, Europa, Ásia e África, e 1 vaga para a Oceania) no primeiro trimestre de 2028 — atletas do país sede podem ter convites extras.

Henrique Precioso, supervisor da Confederação Brasileira de Taekwondo, explica que, por conta desta fase da Maria Clara, em que ela é a protagonista da categoria, a entidade tem tentado preservá-la. No ano que vem, ela fará menos treinamentos de campo e só participará das principais competições. 

— E conforme o ano for avançando e ela conquistando pontos, podemos rever a rota — explica Henrique. — Mas isso não significa que ela não buscará manter a liderança.

É interessante que ela chegue a Los Angeles nesta posição para ter uma chave melhor nos Jogos Olímpicos. Maria Clara é treinada por José Carlos, seu namorado

Marina Calderon A programação até abril está traçada: lutará a seletiva dos Jogos Pan-americanos (no Chile), depois o Mundial (Astana; Cazaquistão), e os Jogos Pan-americanos (no Chile).

Na sequência irá à primeira etapa do Grand Prix, em Roma (junho). Eles acreditam que até lá, a vaga para LA-2028 estará garantida.

E o restante da temporada será reavaliado. — A verdade é que ela vem tendo resultados desde sempre.

É a única brasileira com medalha no Mundial Cadete. Subiu para o juvenil e foi campeã pan-americana.

Maria Clara é muito focada e sabe o que quer — observa Henrique, ex-atleta que defendeu a mesma equipe dela, em Santos. — Ela é muito forte.

A defesa é muito boa, tanto de membros inferiores como superiores. E no ataque é implacável.

As rivais ficam perdidas.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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