Insatisfação com a democracia cresce no Ocidente e chega a 69% nos EUA e na França, aponta Global Times

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A insatisfação com o funcionamento da democracia está crescendo em países ocidentais, refletindo uma crise de confiança nas instituições políticas e na capacidade dos governos de responder às necessidades da população. Segundo editorial publicado pelo jornal chinês Global Times, pesquisas internacionais revelam que parcelas expressivas dos cidadãos consideram que seus sistemas políticos não representam adequadamente seus interesses.

O editorial cita levantamentos do Pew Research Center, da Ipsos e da Gallup para sustentar que o descontentamento não é um fenômeno isolado. De acordo com os dados do Pew mencionados pelo jornal, 69% dos entrevistados nos Estados Unidos e na França estão insatisfeitos com o funcionamento da democracia em seus países.

Na Espanha, o percentual chega a 68%; na Itália, a 62%; e na Polônia, a 47%. Na avaliação do Global Times, embora as causas variem entre os países, existe uma percepção comum de que os governos estão distantes das preocupações cotidianas dos cidadãos e têm dificuldades para produzir mudanças concretas.

Eleições não garantem participação efetiva Um dos principais argumentos do editorial é que a realização periódica de eleições não assegura, por si só, que a população tenha influência efetiva sobre as decisões políticas.

O jornal cita uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) segundo a qual 68% dos entrevistados acreditam que votar exerce influência significativa ou moderada sobre as ações governamentais. Entretanto, apenas 31% consideram que pessoas como elas têm voz nas decisões do governo.

Essa diferença, segundo o editorial, revela uma contradição entre a participação eleitoral e a percepção de representação política. Para o Global Times, a democracia perde credibilidade quando os cidadãos podem escolher seus representantes, mas não conseguem perceber resultados concretos em questões como emprego, renda, serviços públicos e qualidade de vida.

O jornal também questiona interpretações que atribuem a crise de confiança exclusivamente ao populismo ou à impaciência dos eleitores. Na avaliação apresentada, essas explicações deixam de considerar as dificuldades estruturais das instituições para atender às demandas sociais.

Poder econômico e desigualdade aprofundam a crise O editorial relaciona o desgaste das democracias ocidentais às transformações econômicas ocorridas desde o fim da Guerra Fria.

A globalização, a mobilidade internacional do capital e a reorganização das cadeias produtivas teriam reduzido a capacidade dos governos de distribuir os benefícios do crescimento econômico e proteger setores sociais afetados pelas mudanças. Segundo o Global Times, partidos políticos passaram a orientar suas decisões cada vez mais pelos interesses do capital, enquanto as necessidades da população perderam espaço nas prioridades governamentais.

O resultado seria um sistema em que disputas entre grupos políticos e econômicos se sobrepõem à solução de problemas concretos. O jornal também aponta a corrupção, a polarização partidária e os impasses institucionais como fatores que ampliam a distância entre promessas eleitorais e resultados efetivos.

Entre os desafios específicos mencionados estão a integração de imigrantes, a transição energética, o declínio de setores industriais tradicionais e a instabilidade política. Democracia deve ser avaliada pelos resultados, defende jornal

O Global Times argumenta que o aumento da insatisfação não significa necessariamente uma rejeição aos valores democráticos, mas uma decepção com a maneira como esses valores são colocados em prática. O editorial defende que não existe um modelo institucional único capaz de responder às necessidades de todas as sociedades, independentemente de suas condições históricas, econômicas e culturais.

Nessa perspectiva, a qualidade de um sistema político deve ser avaliada também por sua capacidade de garantir condições de vida estáveis, oferecer perspectivas de futuro e assegurar que as demandas da população sejam consideradas nas decisões governamentais. O jornal critica ainda a utilização da democracia como instrumento de política externa, por meio da formação de blocos ideológicos e da divisão do mundo entre diferentes sistemas políticos.

Segundo o editorial, essas estratégias não resolvem os problemas internos das sociedades e podem ampliar a distância entre os discursos institucionais e as necessidades reais dos cidadãos. A conclusão do Global Times é que a crise de confiança nas democracias ocidentais exige mais do que mudanças de governos ou alternância partidária.

Para o jornal, a recuperação da legitimidade política depende da capacidade das instituições de transformar a participação popular em melhorias concretas nas condições de vida.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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