Mensagens recuperadas mostram contato entre Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master até três dias antes da prisão do banqueiro Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
O celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelou 316 interações com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, nos dois meses anteriores à prisão do empresário. Entre os registros recuperados estão mensagens inéditas que indicam um possível encontro entre os dois em Brasília, apenas três dias antes da detenção.
Um levantamento divulgado pelo UOL, identificou registros de comunicação entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025, período que antecedeu a primeira prisão de Vorcaro. Do total de 316 interações, 187 correspondem a mensagens enviadas pelo ex-banqueiro ao ministro.
Os outros 129 registros estão relacionados a mensagens atribuídas a Moraes e avisos do próprio sistema. A contagem considera não apenas textos, mas também fotografias, chamadas, ligações perdidas e outros tipos de notificação.
O levantamento também identificou 69 mensagens trocadas entre os dois. Desse total, 52 já eram conhecidas e haviam sido identificadas anteriormente pela PF (Polícia Federal).
Outras 17 foram recuperadas de forma inédita pelo UOL. Uma das mensagens encontradas foi enviada em 24 de outubro de 2025.
Na ocasião, Moraes teria escrito a Vorcaro a seguinte frase como legenda de uma imagem que não pôde ser recuperada: “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”.
Outro ponto que chamou a atenção no levantamento envolve conversas realizadas nos dias anteriores à prisão do ex-banqueiro. Os registros indicam que Vorcaro tentou combinar um encontro com Moraes em Brasília.
Em 11 de novembro de 2025, o empresário enviou uma mensagem perguntando se o ministro estaria disponível na noite seguinte. A conversa teria sido retomada na manhã do dia 12, quando Vorcaro escreveu que não queria atrapalhar um compromisso familiar e sugeriu deixar o encontro para outra ocasião.
Naquela noite, os dois voltaram a trocar mensagens. Vorcaro elogiou Moraes pelo papel de pai, enquanto o ministro respondeu: “Não basta ser pai, tem de participar rsrs”.
O banqueiro também escreveu “Você é paizão” e pediu que o ministro mandasse um abraço a todos. Moraes respondeu que atenderia ao pedido.
A sequência de conversas aponta para um possível encontro em 14 de novembro, três dias antes da prisão de Vorcaro. Naquela data, o empresário saiu de São Paulo em seu jato particular com destino a Brasília.
As mensagens recuperadas mostram que Moraes perguntou sobre a chegada do banqueiro. Às 13h24, o ministro teria escrito: “Me avise quando pousar”.
Vorcaro respondeu que estava em voo. Mais tarde, às 14h32, Moraes perguntou se ele havia chegado.
O empresário informou que já tinha pousado, e o ministro respondeu: “A caminho então”. De acordo com a reportagem do UOL, a sequência reforça a suspeita de que Moraes teria ido ao encontro de Vorcaro naquele dia.
Porpem, os registros apresentados não comprovam, por si só, que a reunião presencial aconteceu. A Polícia Federal já havia identificado 52 mensagens enviadas por esse método e encaminhado um relatório ao STF (Supremo Tribunal Federal) no fim de agosto.
Entre os assuntos abordados estavam as preocupações do empresário com possíveis medidas da Polícia Federal e do Banco Central contra o Banco Master. Em uma das mensagens, Vorcaro pediu que Moraes tentasse conversar com Paulo Gonet, procurador-geral da República, ou Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para tentar adiar possíveis medidas contra a instituição financeira.
O banqueiro também questionou o ministro sobre a possibilidade de ser preso e perguntou se deveria deixar o país. Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro foram procurados pelo UOL para comentar as novas informações, mas não se manifestaram à reportagem.
Em manifestações anteriores, o ministro negou ter trocado mensagens com o ex-banqueiro e questionou a autenticidade dos diálogos atribuídos a ele. Moraes também levantou dúvidas sobre a integridade do material extraído do celular e afirmou que o relatório da PF seria uma tentativa de vingança relacionada à sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado.
Em uma manifestação encaminhada ao Supremo, o ministro declarou que os supostos diálogos não existiram e afirmou que não havia mensagens ou blocos de notas com textos que comprovassem as conversas atribuídas a ele. A defesa de Vorcaro também questiona a integridade do aparelho apreendido pela Polícia Federal e aponta possíveis problemas na cadeia de custódia das informações.
Os advogados classificaram o relatório policial como mentiroso e alegaram que sua produção teria sido motivada por uma tentativa de retaliação. As contestações colocam a autenticidade e a interpretação dos registros no centro da discussão sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.
Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil. Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023.
Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público. Leia mais ▾
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