Injeções letais: o que se sabe até agora sobre mortes em hospital no Distrito Federal

 

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O crime que chocou o Brasil na semana passada continua com, pelo menos, uma grande incógnita: por quê? A Polícia Civil ainda tenta descobrir a motivação dos três técnicos de enfermagem, presos na última segunda-feira (19) suspeitos de matarem três pessoas com injeções letais no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Os celulares foram apreendidos e podem dar pistas.

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Fora a maior pergunta até aqui, os investigadores já conseguiram reunir algumas respostas. Os suspeitos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, de 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22. Marcos Vinícius seria o principal responsável pelos crimes, aplicando remédios em excesso e até desinfetante nos pacientes. Já as duas mulheres teriam a incumbência de dar cobertura a ele.

As três vítimas foram a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; o servidor público João Clemente Pereira, de 63; e o carteiro Raymundo Fernandes Moreira, de 33.

Marcos Vinícius inicialmente negou o crime, mas acabou confessando ao ser confrontado com imagens internas. Ele deu informações confusas e mudou versões, como a de que o hospital estava muito confuso no momento das mortes ou que quis apenas diminuir o sofrimento dos pacientes.

Não era o caso de Miranilde. Kássia Leão, filha da professora aposentada, que morreu em 17 de janeiro deste ano, conta que a mãe foi ao hospital por conta de uma constipação. Como caiu no local, foi para a UTI para ficar em observação. Além de remédios, Marcos chegou a aplicar mais de dez doses de desinfetante na vítima.

A família de Raymundo está devastada pelo crime. O carteiro chegou à unidade com suspeita de pancreatite, caminhando, conversando e sem histórico de doenças graves.

— Dormem à base de remédios. A filhinha de cinco anos dele pergunta pelo pai, se ele não vai voltar — contou o advogado Vagner de Paula.

— A gente não acredita que o ser humano é capaz dessa atrocidade — desabafou a viúva Denilza da Costa Freire, ao “Fantástico”.

Valéria leal Pereira, filha de João Clemente, disse que a vítima foi ao hospital com dores de cabeça. Com um coágulo no crânio, ele passou por cirurgia, teve complicações pulmonares e chegou a ser intubado na UTI. Porém, melhorou até que, sem motivo aparente, teve quatro paradas cardíacas e morreu no dia 18 de novembro.

— Ele entrou no hospital andando. Saiu daqui de casa dirigindo. Porém, foi assassinado — disse Valéria ao portal "Metrópoles".

Mais dois casos estão sob investigação

Marcos Aurélio aproveitava computadores do Anchieta que estavam logados por outros médicos para prescrever receitas erradas. De acordo com a Polícia Civil, esses profissionais também estão sendo ouvidos na investigação para que se entenda como se dava todo o processo.

Além dos três casos, outras duas mortes estão sendo investigados e são, inclusive, anteriores. Uma mulher de 80 anos, sem histórico cardíaco, deu entrada no hospital com tonturas. No dia 14 de sembro, morreu após uma parada cardiorrespiratória. A filha da paciente diz se lembrar que Marcos Vinícius estava no quarto de UTI.

A outra morte suspeita é a de um homem de 89 anos, em agosto. O delegado responsável pelo inquérito, Wisllei Salomão, disse que essas investigações não vão exigir a exumação dos corpos.

Em nota, a defesa de Marcos Vinícius enfatizou o princípio constitucional da presunção de inocência e classifica as informações divulgadas como “narrativas especulativas”.

O advogado de Amanda Rodrigues de Sousa, Liomar Torres, afirmou que a técnica de enfermagem nega qualquer participação nas mortes. Marcela Camilly inicialmente negou participação, mas acabou confessando.

O hospital disse que “por iniciativa própria (...) conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de 20 dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades”.