Contra o Bangu, Martín Anselmi tenta dar sua cara a um Botafogo em eterna reformulação na era SAF

 

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Após estrear com vitória sobre o Volta Redonda na última quarta-feira, o técnico Martín Anselmi terá hoje, às 21h, contra o Bangu, no Nilton Santos, mais uma oportunidade de colocar suas ideias em prática no elenco principal do Botafogo. Há cerca de três semanas no comando da equipe, o treinador argentino já teve que enfrentar alguns percalços, como o atraso nos vencimentos dos jogadores e as saídas de nomes importantes, o que dá uma amostra das imprevisibilidades a que terá que se acostumar no clube no atual cenário. Com uma forma intensa de se relacionar com o futebol, o comandante recém-chegado pode ser uma espécie de “fato novo” que funcione também como um “escudo” para blindar o time da crise atravessada pela SAF.

Seduzido pela oportunidade de conduzir uma equipe desde a pré-temporada e pelo projeto apresentado por John Textor e seus pares, que consiste na disputa da Libertadores e na tentativa de brigar por outros títulos na temporada, Anselmi trouxe ao Botafogo mudanças táticas que reverberam ainda mais a característica metamórfica do alvinegro nas últimas temporadas.

Metamorfose alvinegra

Seja pelo modus operandi idealizado por Textor, de buscar o retorno esportivo e financeiro com os jogadores contratados ao longo dos anos, ou até mesmo pelos problemas financeiros adquiridos pela SAF durante esse percurso, o Botafogo se tornou um time que muda de cara a cada temporada, independentemente de ter obtido ou não sucesso no ano anterior. Somadas às novidades de Anselmi, as saídas de nomes como Marlon Freitas, Savarino e David Ricardo já fazem com que isso esteja em vigor para 2026.

Um retrato disso é que, sem Marlon, o Botafogo tem agora um novo capitão: Alex Telles. Na preleção antes de a bola rolar na última rodada, o camisa 13 frisou a “nova identidade” do time com a chegada de Anselmi e a oportunidade que o elenco tem de “escrever uma história nova”. Telles pediu ainda que os atletas não deixassem os “ruídos externos” atrapalharem o rendimento interno.

— No futebol, o que cura é dentro de campo, é o resultado. É de dentro para fora. Vamos trazer o torcedor e as vitórias — bradou Telles.

Os diferentes times-base do Botafogo nas últimas temporadas

Editoria de arte

Como todos os jogadores utilizados estavam no elenco no ano passado, já que o clube ainda não pode inscrever os reforços contratados por conta do transfer ban imposto pela Fifa em razão do não pagamento da dívida com o Atlanta United por Almada, as mudanças vão além da entrada de novos jogadores nas vagas dos que saíram. Dialogam também com aspectos táticos. Pela primeira vez desde que se tornou SAF, o Botafogo tem um esquema baseado em uma linha de três zagueiros, com a utilização de alas e sem a presença de pontas abertos pelos lados. Assim como foi contra o Volta Redonda, é essa “cara” que o alvinegro deve ter hoje, diante do Bangu.

Adaptações táticas

Há, porém, algumas lacunas claras, em razão da carência de peças, como a improvisação do lateral-direito Mateo Ponte e do volante Newton em um trio de zagueiros com Alexander Barboza, único de origem da posição. Ainda que os três não tenham ido mal na estreia, é possível que, hoje, Anselmi comece a dar minutos ao angolano Bastos.

Destaque no Brasil e na América do Sul nas conquistas de 2024, o defensor de 34 anos sofreu uma sequência de lesões no joelho esquerdo e sequer somou 90 minutos em campo em 2025. Por isso, embora já esteja liberado, o departamento médico e a comissão técnica adotam cautela em relação ao seu retorno aos gramados. Contra o Volta Redonda, Bastos não saiu do banco de reservas, mas participou do treinamento feito pelos reservas após o apito final, ainda no Nilton Santos.