Influenciadora descobre que pretendente consultou o ChatGPT para saber se ela era trans

Influenciadora descobre que pretendente consultou o ChatGPT para saber se ela era trans - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A inteligência artificial já entrou em diferentes etapas da vida cotidiana, inclusive naquelas conversas que, até pouco tempo atrás, dependiam apenas de coragem, intimidade e alguma dose de constrangimento. A influenciadora Suellen Carey, de 38 anos, descobriu isso de uma maneira inusitada ao perceber que um homem com quem se relacionava havia algumas semanas recorria ao ChatGPT para encontrar uma forma adequada de abordar uma questão pessoal: queria saber se ela era uma mulher trans.

Saiba: Ela usava ChatGPT como personal. Até que os elogios começaram a parecer flerte

Ex-pastor encontra antiga fiel entre assinantes de seu conteúdo adulto: 'Voltei ao pecado' Os dois se conheceram em um aplicativo de relacionamentos e passaram a conversar antes de marcar um encontro.

Ao longo das semanas, Suellen notou que algumas perguntas feitas pelo pretendente pareciam levar a determinado tema, mas acabavam tomando outro rumo. Ela ainda não havia falado diretamente sobre ser uma mulher trans, e ele também não havia tocado no assunto.

"Eu percebia que ele queria saber alguma coisa. Ele rodeava alguns assuntos e depois recuava.

Chegou um momento em que pensei: tem alguma coisa que ele quer me perguntar e não está conseguindo", conta. A resposta apareceu quando Suellen decidiu perguntar diretamente o que ele gostaria de saber.

Em seguida, recebeu capturas de tela das conversas dele com o ChatGPT. Nas mensagens, o homem dizia suspeitar que ela pudesse ser trans e buscava orientação sobre como abordar a questão sem parecer invasivo.

Também perguntava se seria melhor tocar no tema antes de um eventual encontro. As respostas da ferramenta recomendavam que ele não partisse de uma suposição, evitasse pressioná-la e desse espaço para que ela própria decidisse se queria falar sobre sua identidade.

Para Suellen, porém, a descoberta foi menos sobre a orientação recebida pela inteligência artificial e mais sobre o fato de a tecnologia ter participado de uma situação que esperava ser construída entre duas pessoas. "Quando vi os prints, entendi tudo.

Ele estava praticamente ensaiando como conversar comigo através do ChatGPT. Para mim, uma pergunta direta e respeitosa teria resolvido isso em dois minutos", afirma.

A situação também levou Suellen a refletir sobre uma mudança que começa a aparecer nas relações mediadas por tecnologia: a possibilidade de recorrer a uma inteligência artificial não apenas para esclarecer dúvidas, mas para decidir como agir diante de outra pessoa. Depois da descoberta, ela passou a brincar que havia vivido um "trisal digital".

"Você acha que está conhecendo uma pessoa, mas existe uma terceira presença ajudando a decidir o que ela pergunta, responde e até como interpreta o que você diz. No meu caso, eu só descobri depois que o ChatGPT já participava da nossa conversa havia semanas", diz.

A experiência deixou uma questão em aberto para Suellen: até que ponto o uso de ferramentas de inteligência artificial para orientar conversas pessoais muda a dinâmica de uma relação? "Até que ponto uma conversa continua sendo realmente entre duas pessoas quando existe uma inteligência artificial no meio?", questiona.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →