Indústria projeta usar 70% de plástico reciclado até 2027

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Economia circular busca manter os materiais em uso pelo maior tempo possívelFoto: Reprodução/ Divulgação A Ecoboxes, fabricante de embalagens plásticas retornáveis e reutilizáveis, planeja utilizar 70% de matéria-prima reciclada em sua produção até 2027. Para alcançar a meta, a empresa amplia sua estrutura industrial em Paulínia, no interior de São Paulo, com uma nova unidade de reciclagem prevista para dezembro de 2026. A estratégia busca aumentar o reaproveitamento de plásticos e fortalecer o controle sobre a origem dos materiais utilizados na fabricação.A companhia já mantém uma unidade de reciclagem em operação e prepara a instalação de uma nova estrutura em outro terreno no município. A expansão acompanha o crescimento da produção e a demanda por soluções que integrem logística reversa, economia circular e rastreabilidade dos materiais.Segundo a empresa, o objetivo é ampliar a participação de plásticos reciclados na fabricação das embalagens e fortalecer sua atuação na cadeia de reaproveitamento de resíduos.Uso de plástico reciclado cresce na produçãoOs dados da Ecoboxes mostram o aumento da participação de matéria-prima reciclada nos últimos anos. Em 2024, a companhia utilizou 3,6 mil toneladas de material reciclado, o equivalente a 42% das 8,4 mil toneladas de plástico injetadas no período.Em 2025, o volume reciclado chegou a 6 mil toneladas, enquanto a quantidade total de material injetado alcançou 9,6 mil toneladas. Com isso, a participação de matéria-prima reciclada subiu para 62,5%.Para 2026, a projeção é injetar 14 mil toneladas de plástico, das quais 9 mil toneladas deverão ser provenientes da reciclagem. Já em 2027, a meta é alcançar 17 mil toneladas de material injetado, com 12 mil toneladas de matéria-prima reciclada.A projeção representa uma participação de aproximadamente 70% de plástico reciclado na produção total.A empresa também prevê ampliar o volume de material gerado por sua unidade de reciclagem. Entre 2024 e 2027, a expectativa é de crescimento de 670%. Para 2027, a companhia estima comercializar 12 mil toneladas de material reciclado.Nova unidade amplia estrutura em PaulíniaFundada há 15 anos por Cleber Mazza, a Ecoboxes surgiu com a proposta de desenvolver embalagens plásticas retornáveis e reutilizáveis, especialmente destinadas a operações logísticas com sistemas automatizados.Cleber Mazza, fundador da EcoboxesFOTO: Arquivo Pessoal O modelo busca prolongar a vida útil das embalagens e reduzir o descarte de materiais. As soluções são voltadas a operações que exigem durabilidade, padronização e integração com equipamentos automatizados.Para Mazza, a ampliação da estrutura de reciclagem dá continuidade à estratégia adotada desde o início da empresa.“Há 15 anos, acreditamos que a sustentabilidade, a logística reversa e a automação seriam fundamentais para o futuro da indústria. Hoje, vemos que essa transformação exige não apenas investir em reciclagem, mas também ter cada vez mais controle sobre a origem dos materiais e os resultados alcançados”, afirma.O empresário acrescenta que a expansão em Paulínia e a meta de elevar o uso de matéria-prima reciclada fazem parte dos planos de crescimento da companhia.“Queremos crescer de forma responsável, mostrando que a economia circular pode gerar valor para o negócio e contribuir para uma indústria mais eficiente e sustentável”, diz.Rastreabilidade ganha espaço na indústriaAlém do reaproveitamento de materiais, a rastreabilidade passou a integrar as discussões sobre sustentabilidade industrial. O acompanhamento da origem, da movimentação e da destinação dos resíduos permite documentar os processos e dar maior transparência aos resultados ambientais.Em setembro de 2026, o Ministério do Meio Ambiente instituiu o Sistema Nacional de Logística Reversa (Sisrev-BR), voltado ao registro, ao monitoramento e ao acompanhamento dos resultados dos sistemas de logística reversa.Nesse contexto, as empresas enfrentam a necessidade de aprimorar seus controles sobre os materiais utilizados na produção e os resultados das iniciativas ambientais. A comprovação do conteúdo reciclado também ganha relevância na comunicação de compromissos relacionados às práticas ESG, sigla em inglês para os critérios ambientais, sociais e de governança.Para a Ecoboxes, a integração entre reciclagem e fabricação de embalagens permite avançar nesse processo, associando o reaproveitamento de plásticos às decisões de produção e investimento.Empresa aposta em modelo de economia circularMazza afirma que a companhia manteve sua estratégia mesmo quando o mercado ainda demonstrava dúvidas sobre o potencial das embalagens retornáveis e reutilizáveis.“Disseram que estávamos indo pelo caminho errado. O mercado ainda não enxergava sustentabilidade, logística reversa e automação com a dimensão que enxergávamos. Nós continuamos. Quinze anos depois, o tempo mostrou que não estávamos no caminho errado. Nós apenas chegamos antes”, relembra.A economia circular busca manter os materiais em uso pelo maior tempo possível, priorizando o reaproveitamento e reduzindo a necessidade de descarte. Na indústria, essa abordagem pode integrar processos de reciclagem, fabricação e logística reversa.Com a nova unidade prevista para dezembro e as metas estabelecidas até 2027, a Ecoboxes pretende ampliar o uso de matéria-prima reciclada e aumentar o volume de materiais destinados à comercialização.“Quem chega primeiro não tem todas as certezas. Tem coragem para entrar onde ainda não existe caminho. Foi assim que começamos e é assim que queremos continuar”, afirma Mazza.

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