Relatório da Abimetal-Sicetel mostra que compras externas recuaram frente a 2025, mas seguem acima de 2024 enquanto máquinas e equipamentos acumulam queda de 7,8% Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
A indústria processadora de aço acumula retração de 11,3% em 2026, de janeiro a agosto. O dado consta de relatório econômico da Abimetal-Sicetel, entidade que reúne a associação e o sindicato nacional do setor.
O estudo foi elaborado com base na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do IBGE e nas estatísticas de comércio exterior do Comex Stat. Segundo o levantamento, a perda de ritmo se intensificou a partir do segundo semestre de 2025.
A queda é mais profunda que a de outros segmentos ligados ao aço. Máquinas e equipamentos recuam 7,8% no ano, e a fabricação de produtos de metal, 2,8%.
A indústria de transformação como um todo registra variação negativa de 0,1%. As importações de produtos processados de aço caíram em relação a 2025, mas seguem em patamar elevado na série histórica.
Todos os meses de 2026 superaram os volumes de 2024, e agosto ficou acima de junho e julho. Para a entidade, a redução das compras externas não compensou o enfraquecimento da demanda doméstica.
“Os números mostram que não basta olhar apenas para a queda das importações. O que está acontecendo é uma combinação preocupante: o volume importado diminui, mas continua em um patamar alto, enquanto o consumo de aço no mercado interno perde força.
Para a indústria processadora, isso significa menos demanda e um ambiente ainda bastante competitivo”, afirma Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel. O segundo elo da cadeia do aço abastece fabricantes de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas e industriais.
É o mercado mais atingido pela desaceleração. A indústria automotiva aparece como exceção relativa, com desempenho mais favorável.
“O setor de processamento do aço está diretamente ligado ao desempenho da economia brasileira. Quando a indústria reduz produção, investimentos e encomendas, o efeito aparece rapidamente na nossa cadeia.
Temos empresas associadas fornecendo para máquinas e equipamentos que estão enfrentando esse ambiente de menor demanda. A cadeia automotiva tem apresentado uma dinâmica diferente, mas ela não representa todo o mercado”, explica Martins.
O cenário pesa sobre Santa Catarina, onde o polo metalmecânico do Norte do Estado concentra fabricantes de máquinas, motores e equipamentos industriais. A associação defende políticas que preservem a competitividade da indústria nacional diante da concorrência dos produtos chineses.
“Uma redução das importações, embora positiva, não significa por si só uma recuperação do mercado brasileiro. O patamar ainda é elevado e a presença de produtos chineses mantém uma forte pressão competitiva sobre as empresas nacionais.
Precisamos de condições mais equilibradas de concorrência, capazes de evitar que a indústria brasileira perca espaço para produtos importados e de preservar sua capacidade de produzir, investir e gerar empregos”, afirma o presidente da entidade.
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