Incerteza fiscal deixa juros futuros em alta

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Fonte da notícia: Valor Valor

O contexto de incerteza fiscal elevada no pós-eleição continua a impedir um alívio nos prêmios de risco no mercado de juros. As taxas futuras, assim, voltam a subir em alguns trechos da curva, que também ganha um formato mais inclinado ao mesmo tempo em que investidores seguem à espera de sinais sobre o nome do próximo ministro da Fazenda e se haverá a apresentação e aprovação de medidas fiscais ainda este ano.

Por volta de 12h50, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 subia de 14,37% no ajuste anterior para 14,40%; a do DI para janeiro de 2029 avançava de 14,805% para 14,85%; e a do DI para janeiro de 2031 passava de 15,155% para 15,15%. Os juros futuros chegam a este início de tarde afastados das máximas do dia, mas o mercado continua a exigir um nível de prêmios de risco bastante elevado.

Além disso, a curva ganhou um formato mais inclinado nos últimos dias, o que, na avaliação de um trader, “veio para ficar”. No intervalo de somente uma semana, o spread entre as taxas de dois e dez anos passou de 5,5 pontos-base para 31 pontos-base no horário acima.

“Estamos no mesmo ambiente nos últimos dias. Não há uma justificativa para a piora adicional, além do contexto do novo governo”, avalia um trader de renda fixa em condição de anonimato, que diz ver a inclinação da curva aumentando ainda mais.

“Só devemos voltar a melhorar com algum nome que agrade [ao mercado] ou com medidas fiscais concretas”, enfatiza. Nos últimos dias, inclusive, o mercado passou a se debruçar sobre o nome do governador do Piauí, Rafael Fonteles, diante de rumores de que ele poderia comandar a Fazenda a partir do próximo ano.

Para o estrategista Ivan Riveros, do Citi, como o Brasil está longe de alcançar uma convergência significativa do déficit fiscal, a trajetória das contas públicas e as diretrizes políticas de Lula devem impedir que o Banco Central implemente um ciclo de flexibilização monetária expressivo, como era esperado depois do primeiro turno.

“Dito isso, ainda avaliamos ser improvável que o BC recorra a aumentos emergenciais da taxa de juros neste momento”, enfatiza o profissional em nota enviada a clientes. Riveros também diz esperar que o Boletim Focus mostre uma deterioração das expectativas de inflação em suas próximas divulgações, o que já tem ocorrido no mercado de inflação implícita nos últimos dias.

A inflação extraída da NTN-B para agosto de 2028 opera em torno de 6,50%, muito acima do nível de 5,46% de uma semana atrás.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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