O Brasil importou 11,2 mil tratores agrícolas entre janeiro e setembro de 2026, um crescimento de 42% em relação às 7,9 mil unidades importadas no mesmo período de 2025. Somados, Índia e China responderam por 93% das importações, com cerca de 5,2 mil unidades de cada país. Os dados foram divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) nesta quarta-feira (21/10). Em 2026, a China “empatou” com a Índia após registrar um crescimento de 117% de máquinas importadas, enquanto a Índia avançou 11%. Os tratores de 50 cavalos até 100 cavalos, de menor potência e direcionados à agricultura familiar, foram responsáveis por 90% das importações no período de janeiro a setembro, com 6.412 máquinas importadas, um crescimento de 56% em comparação com o mesmo período do ano passado. “O movimento ocorre em um cenário de dificuldades para o agronegócio, com aumento da inadimplência, menor rentabilidade diante da queda dos preços das commodities e custo ainda elevado do crédito”, disse a Anfavea em nota. Ainda de acordo com a associação, o endividamento elevado e a baixa rentabilidade do produtor rural desestimularam a compra de máquinas novas. “Para a Anfavea, o cenário reforça a necessidade de condições equilibradas de concorrência. A entidade não defende restringir a entrada de novas marcas ou tecnologias, mas que fabricantes nacionais e importadores concorram sob requisitos compatíveis de qualidade, segurança, assistência técnica e responsabilidade sobre o produto”, concluiu o comunicado. Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, o setor de máquinas agrícolas vive um dos seus piores períodos nos últimos dez anos com o crescimento das importações e concentração nos equipamentos de menor potência. "Para reagir a esse avanço, é necessário se pensar numa combinação de tarifas, financiamento e exigências de produção local. Não há outro meio que não seja diferenciar o importador puro daquele que produz aqui, sob risco de, sem demanda suficiente, a própria produção brasileira passe a ser mais dependente de componentes estrangeiros para montar suas máquinas no Brasil, prejudicando toda a cadeia de fornecedores de peças e de suprimentos como aço, plástico e materiais têxteis", afirmou o executivo.
Importações centralizadas A Anfavea chama atenção para a concentração dos Estados de entrada de máquinas agrícolas asiáticas. Das 5.249 máquinas vindas da Índia, 90,1% chegaram por São Paulo ou Rio Grande do Sul. Já das 5.249 vindas da China, 85,5% chegaram pelo Espírito Santo ou Santa Catarina, o que, segundo a Anfavea, sugere uma logística centralizada para ambos os países.
Vendas internas recuam O avanço das importações ocorre ao mesmo tempo em que as vendas internas encolhem. As vendas internas de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades de janeiro a agosto de 2026, queda de 15,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas de tratores caíram 14,1%, para 25,5 mil unidades. E as colheitadeiras totalizaram 1,4 mil unidades, uma queda de 39,4%.
Globo Rural