Receita criada entre 1939 e 1940 por Max Wilhelm transformou a fábrica de bebidas de Jaraguá do Sul em referência na produção de refrigerantes Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
A dificuldade para conseguir emprego por não falar português não impediu o imigrante alemão Max Wilhelm de construir uma trajetória de sucesso em Santa Catarina. Max chegou a Jaraguá do Sul, no Vale do Itapocu, em 1923, encontrou trabalho em uma pequena fábrica de bebidas e, dois anos depois, tornou-se dono do negócio.
Anos mais tarde, criou uma receita que conquistou a infância de gerações de catarinenses: a Laranjinha, refrigerante de laranja que se tornou uma das marcas registradas da empresa. A história da indústria começou antes mesmo da chegada de Max ao Brasil.
Nos anos 1910, Johanes Theodoro Tiedke iniciou a produção de refrescos de limonada em Jaraguá do Sul. A fábrica cresceu gradualmente até que, em 1923, o proprietário, já com problemas de saúde, procurou alguém que pudesse tocar a produção.
Foi quando Max Wilhelm, que havia chegado da Alemanha com a esposa, Martha, e o filho, Geert, encontrou uma oportunidade. Mesmo com dificuldades em falar português, o imigrante alemão bateu na porta de Tiedke.
Por 80 mil réis mensais e uma casa para morar, começou a trabalhar na fábrica e passou a cuidar das atividades braçais da produção. Na época, a indústria fabricava cerca de 600 garrafas por dia.
Mesmo com a dificuldade inicial de comunicação, Max permaneceu no negócio e, em 1925, com Tiedke afastado das atividades, comprou definitivamente a fábrica. Com o negócio em mãos, Max Wilhelm começou a ampliar a produção.
Para isso, comprou o inventário de uma empresa de gasosas de Corupá e expandiu a atuação da fábrica, que passou a abastecer cidades da região. Além dos refrigerantes, a indústria engarrafava vinho tinto e cachaça e revendia produtos da Cervejaria Catarinense.
O crescimento ganhou um novo capítulo entre 1939 e 1940, quando Max criou a receita de um refrigerante à base de suco integral de laranja. Nascia a Laranjinha, bebida que se tornaria um dos produtos mais conhecidos da marca.
A ideia teria surgido da abundância de laranjas na região. Em entrevista ao site Por Acaso, Raul Drissen, que integrou o setor administrativo da empresa até 1977, contou que o suco era extraído pela Reunidas, a partir da safra de agricultores da região.
A operação está ligada à história da gigante Duas Rodas. Com o aumento das vendas, porém, a matéria-prima regional deixou de ser suficiente.
O suco passou a ser trazido de Bebedouro, no interior de São Paulo, região tradicional na produção de laranjas. A criação da Laranjinha representou um desafio para a indústria.
Até então, a fábrica produzia gasosas de limão, laranja, abacaxi e framboesa com aromatizantes artificiais. A nova bebida, feita com suco integral de laranja, exigiu mudanças no processo de fabricação.
O refrigerante era engarrafado e depois submetido à pasteurização, procedimento utilizado para eliminar microrganismos e aumentar a durabilidade do produto. Com o processo, a bebida podia ser conservada por cerca de um ano.
A industrialização da receita exigiu investimentos e adaptações em uma época em que os equipamentos específicos eram limitados. A solução encontrada ajudou a ampliar a capacidade produtiva da fábrica.
Outro diferencial foi a comercialização em pequenas garrafas de 200 mililitros, formato que impulsionou as vendas e contribuiu para a instalação de máquinas semiautomáticas capazes de lavar e envasar 3,5 mil garrafas por hora. A produção diária chegou a 12 mil garrafas, considerando a Laranjinha e as demais bebidas fabricadas pela empresa.
Os produtos já eram distribuídos para boa parte de Santa Catarina. Com o crescimento da indústria, a família Wilhelm ampliou sua participação nos negócios.
No fim da década de 1950, os filhos e genros de Max já estavam envolvidos na operação. Eduardo Francisco, conhecido como Frank, atuava como diretor técnico, enquanto Nelson Driessen ocupava a diretoria comercial.
Em 1957, a expansão levou à transformação da empresa em uma sociedade anônima, permitindo novos investimentos. A fábrica foi ampliada e ganhou uma estação de tratamento de água, entre outras melhorias.
A trajetória sob o comando da família Wilhelm, entretanto, não durou para sempre. Em 1977, um grupo de investidores de Curitiba comprou a empresa.
Dois anos depois, em 1979, o advogado Werner Greuel adquiriu o negócio e iniciou uma nova fase da indústria. A família Greuel levou a operação para outros pontos de Santa Catarina.
Em 1986, montou uma fábrica em Florianópolis e, em 1990, construiu uma nova unidade em Blumenau. Seis anos depois, concentrou a produção da Max Wilhelm na cidade do Vale do Itajaí, onde a indústria mantém sua sede.
A mudança de proprietários não apagou a ligação da marca com a história de Santa Catarina. A Laranjinha continuou como um dos produtos mais conhecidos da empresa, associada à infância e às lembranças de diferentes gerações de consumidores.
Na gestão da família Greuel, a indústria ampliou o portfólio para além dos refrigerantes. A linha passou a incluir energéticos, sucos e bebidas ice, com dezenas de produtos comercializados.
Otávio Greuel, filho de Werner, assumiu a direção da empresa depois de se formar em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1988, e concluir um mestrado na mesma área nos Estados Unidos. Em 1994, retornou ao Brasil para se dedicar à indústria da família e continuar a trajetória de uma marca que atravessou gerações.
Cláudio Costa é editor-chefe do ND Mais na redação de Itajaí, de onde coordena a equipe local e escreve sobre política, segurança pública, economia e temas relacionados à comunidade. Entre as cidades que cobre estão Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Penha e Bombinhas, assim como todo o Litoral Norte de Santa Catarina.
Bacharel em Comunicação Social pela Faculdade Ielusc (Instituto Superior e Centro Educacional Luterano), atua no jornalismo desde 2007 e aprofunda suas matérias utilizando sua formação em investigação criminal e perícia criminal. Possui especializações em marketing digital e inteligência artificial, garantindo uma abordagem moderna e informada.
Trabalhou nas eleições de 2012 e 2014 como editor no Jornal ND, em Joinville. Cobriu as eleições de 2016, 2018 e 2020 como reporter web e atuou nos pleitos de 2022 e 2024 como editor online em Jaraguá do Sul.
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