Ibovespa desaba após reeleição de Lula, mas histórico aponta para queda passageira

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O mercado financeiro iniciou a semana reagindo com forte instabilidade e desvalorização dos ativos brasileiros após a confirmação da reeleição do presidente Lula (PT). O Ibovespa despencou 16,4% no início do pregão e atingiu 171.421,60 pontos, provocando a paralisação temporária das negociações pela regra do limite de queda, enquanto a moeda norte-americana avançou 9,72%, cotada a R$ 5,46, informa o NeoFeed.

Apesar da reação negativa imediata — a mais intensa registrada em um primeiro pregão pós-eleição em pelo menos 24 anos —, o histórico recente mostra que os tombos iniciais na Bolsa costumam ceder ao longo dos dias subsequentes. Levantamento da consultoria Elos Ayta aponta que o principal indicador acionário do país recuou no primeiro dia útil após o segundo turno em quatro das seis eleições realizadas desde 2002.

No entanto, em todas as ocasiões analisadas, a B3 encerrou a primeira semana inteira com valorização acumulada, independentemente de quem venceu o pleito. Na primeira eleição de Lula, em 2002, o índice sofreu retração inicial de 4,4%, mas encerrou a primeira semana pós-votação com ganho de 1,26%, acompanhado por uma queda de 5% no dólar.

Em 2014, a vitória de Dilma Rousseff (PT) provocou um recuo de 2,77% no primeiro dia; contudo, a Bolsa encerrou a semana com avanço de 5,18%, a maior alta acumulada do período estudado. Mesmo após a eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, vista com otimismo por setores liberais, o Ibovespa abriu com queda de 2,24%, revertendo o quadro para uma alta de 3,15% ao fim da semana.

As desvalorizações atuais atingiram diversos setores da economia, com destaque para a Vamos e a Magazine Luiza, cujas ações despencaram 55%. Já a B3 registrou perda de 38%.

O movimento reflete o ajuste de expectativas do mercado, que vinha sustentando altas recentes diante da possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e de alterações na condução fiscal a partir de 2027. “O mercado está simplesmente reprecificando o fato de que não teremos uma guinada na política econômica.

Vamos manter a mesma política econômica que o governo vem conduzindo nos últimos quatro anos”, afirma Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos. Especialistas reforçam que os fatores políticos locais têm peso relativo nas oscilações mais drásticas do mercado brasileiro, que costumam ser guiadas por turbulências externas.

Entre 1994 e 2020, nove das dez maiores quedas da história da Bolsa ocorreram em meio a crises internacionais, como a moratória russa de 1998, que fez o índice tombar 15,83%. A única grande retração motivada por fatores políticos internos deu-se em setembro de 1994, quando a Bolsa caiu 10,50% após o episódio envolvendo o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero.

“As maiores quedas da Bolsa ocorreram em períodos de elevada incerteza, quando acontecimentos internacionais provocaram fortes movimentos de aversão ao risco”, diz Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta. Para o ritmo atual de recuperação, contudo, analistas apontam que a reação dos ativos dependerá da velocidade dos acenos do governo sobre as contas públicas e a montagem dos ministérios.

“Se Lula não der uma sinalização clara, por exemplo, anunciando alguém com credibilidade junto ao mercado para comandar o Ministério da Fazenda, a situação pode se deteriorar em termos de expectativas e criar uma bola de neve”, afirma Motta. Por outro lado, flutuações de curto prazo não devem ser interpretadas como um diagnóstico definitivo sobre os rumos da economia nos anos seguintes.

Em nota a clientes, Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, avaliou o momento: “Empresas com balanços sólidos e geração consistente de caixa tendem a apresentar maior capacidade de atravessar períodos de turbulência.

Em contrapartida, companhias menores, excessivamente alavancadas ou com menor liquidez podem sofrer correções mais intensas”, disse em comentário a clientes.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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