O Ibovespa chega ao último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais em uma região decisiva do gráfico. Depois de renovar a máxima histórica em 209.713 pontos, o índice perdeu velocidade e passou a oscilar próximo dos recordes, sem conseguir até agora confirmar uma nova perna de alta.Na manhã desta sexta-feira (23), esse equilíbrio seguia sendo testado.
Às 12h35, o Ibovespa operava praticamente estável, com alta de 0,19%, aos 204.509 pontos, depois de oscilar entre 203.428 e 204.899 pontos. No mês, acumula alta de 9,50%.A questão técnica agora é o que pode acontecer depois da votação, quando o índice deixar essa região de consolidação.
Acima do recorde, as projeções apontam inicialmente para 215 mil a 221 mil pontos e, em uma extensão do movimento, para a região dos 230 mil pontos. Uma correção mais forte, por outro lado, recoloca primeiro os 200 mil pontos — e depois suportes inferiores — no radar.Ibovespa testa suporte no diário: o que separa os 230 mil de uma queda abaixo dos 200 mil?Ibovespa lateraliza próximo da máxima histórica de 209.713 pontos; perda dos suportes atuais pode ampliar a correção, enquanto rompimento do topo abre espaço para novos recordes.
Elaboração: Rodrigo Paz. Fonte: NelogicaNo gráfico diário, o Ibovespa ainda preserva a estrutura principal de alta, mas perdeu parte do impulso depois da aceleração que levou o índice ao recorde de 209.713 pontos.Nas últimas sessões, o movimento passou a ser de consolidação próximo do topo.
O índice também se aproximou das médias móveis mais curtas, enquanto segue acima da média de 200 períodos. O IFR (14), em 62,31 pontos, permanece abaixo da região clássica de sobrecompra, indicando perda de força em relação ao pico recente, mas sem caracterizar, por enquanto, reversão da tendência.O primeiro ponto de atenção está na região dos 203.980 pontos.
Na quinta-feira, o Ibovespa chegou a 203.051 pontos durante o pregão, mas encerrou novamente acima desse suporte.Nesta sexta, voltou a perder a região durante a manhã, chegando a 203.428 pontos, mas no começo da tarde recuperava os 204 mil pontos. Mais relevante do que violações intradiárias, portanto, será observar se o índice consegue se sustentar acima desse suporte no fechamento ou se confirma sua perda.Caso a pressão vendedora ganhe força, 199.354 pontos aparece como o próximo suporte relevante.
É justamente essa região que coloca novamente a marca psicológica dos 200 mil pontos no centro da análise.Abaixo dela, aumentaria o espaço para uma correção até 189.487 pontos e, posteriormente, para a faixa de 181.500 pontos. Uma deterioração mais profunda poderia levar o índice novamente em direção à mínima anual de 164.835 pontos.Pelo lado comprador, o nível decisivo continua sendo o recorde de 209.713 pontos.
Um rompimento consistente dessa faixa, preferencialmente acompanhado por aumento de volume, abriria espaço para os próximos objetivos em 215.630 pontos e 221.450 pontos.Em uma extensão maior da tendência, aparece a região dos 230 mil pontos.Leia tambémBolsa antes da eleição: vale carregar ações do último pregão até segunda-feira?Último pregão antes do segundo turno coloca trader diante de uma decisão: zerar posições na sexta ou atravessar a votação exposto ao risco de gap e a uma possível reprecificação dos ativosMercado chega ao 2º turno mais protegido e com Bolsa lateralizadaÉ nesse ponto que o segundo turno ganha importância para a leitura do gráfico.
Com o Ibovespa ainda próximo da máxima histórica, investidores aumentaram a proteção para atravessar a votação, sinal de maior cautela com a reabertura do mercado na segunda-feira.Entre os estrangeiros, o total de contratos de opções em aberto do EWZ, ETF que reúne as principais ações brasileiras negociado em Nova York, chegou a 12,2 milhões em 21 de outubro, ante 9,5 milhões em 2 de outubro.
As posições de venda, usadas também como proteção contra quedas, cresceram proporcionalmente mais: passaram de 2,3 milhões para 3,5 milhões, elevando a relação entre puts e calls de 31% para 41%.Isso não significa uma aposta predominante em queda. As calls ainda são maioria, mas o avanço mais rápido das proteções indica um investidor estrangeiro disposto a manter exposição ao Brasil e, ao mesmo tempo, limitar perdas após a eleição.
Na B3, a demanda por hedge via opções de venda também cresceu mais de 90% entre o primeiro pregão após o primeiro turno e 20 de outubro.Saiba mais: Investidor estrangeiro eleva compra de seguro contra queda da Bolsa após o 2º turnoNa sessão desta sexta-feira, o Ibovespa reforçava a leitura de espera.
Depois de dois pregões de queda, operava perto da estabilidade enquanto investidores aguardavam a votação. O índice quase parado escondia diferenças importantes entre seus principais componentes.
PETR4 subia 2,46%, PETR3 avançava 1,78% e VALE3 ganhava cerca de 0,55%, enquanto BBDC4 recuava perto de 2%.Essa dispersão ajuda a explicar a estabilidade do Ibovespa: Petrobras e Vale sustentavam parte do índice, enquanto outros grupos mostravam realização ou cautela. Para a análise técnica, o quadro continua sendo de um mercado preso na faixa de consolidação próxima das máximas, à espera de um gatilho para romper os 209.713 pontos ou corrigir em direção aos suportes.Além da eleição, o pregão trouxe um dado doméstico favorável: o IPCA-15 de outubro ficou em 0,32%, abaixo do piso das projeções.
O número reforçou apostas em nova redução da Selic, mas teve efeito secundário diante da proximidade da votação.Leia também: Calmaria antes da turbulência? Por que Ibovespa opera estável na sessão pré-2º turnoNo semanal, tendência continua de alta — mas distância das médias aumentaNo gráfico semanal, Ibovespa mantém topos e fundos ascendentes, mas negocia afastado das médias móveis após a forte valorização dos últimos meses.
Elaboração: Rodrigo Paz. Fonte: NelogicaQuando a análise é ampliada para o gráfico semanal, a estrutura continua mais favorável aos compradores.O Ibovespa mantém a formação de topos e fundos ascendentes e negocia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos.
Mesmo a realização observada nas últimas sessões ainda não foi suficiente para alterar essa configuração.Há, contudo, um sinal importante de esticamento.O índice permanece afastado das médias móveis de curto prazo, atualmente próximas de 193.956 pontos e 180.801 pontos. O IFR (14) está em 67,07 pontos: ainda abaixo da região clássica de sobrecompra, mas já em patamar elevado.Isso significa que uma correção em direção às médias pode ocorrer sem que, isoladamente, a tendência de médio prazo seja desmontada.
É justamente essa diferença entre uma acomodação dentro da tendência de alta e uma deterioração mais relevante da estrutura que os próximos níveis ajudam a delimitar.Se o Ibovespa superar os 209.713 pontos, as projeções do semanal apontam inicialmente para 216.350 pontos e depois para aproximadamente 228.200 pontos — região que converge com o alvo de 230 mil observado no gráfico diário.Em uma extensão mais longa, aparecem 247.345 pontos, a marca psicológica dos 250 mil pontos e, posteriormente, a região de 257 mil pontos.Para dar maior consistência a esse cenário, um rompimento do recorde acompanhado por expansão de volume seria um sinal técnico relevante.No sentido contrário, a região dos 199.354 pontos volta a exercer papel importante.
Sua perda ampliaria o risco de uma correção em direção às médias e aos suportes inferiores, com 181.520 pontos como próxima referência relevante e, depois, a mínima anual de 164.835 pontos.Abaixo desse nível, a deterioração técnica seria bem mais significativa, abrindo espaço para 147.575 pontos e, em um cenário mais extremo, para a região dos 140 mil pontos.Leia tambémVai operar antes da eleição? 7 cuidados para evitar erros na BolsaÚltimo pregão antes do segundo turno exige atenção ao tamanho das posições, alavancagem, risco de gap e ações que já acumularam fortes altas nas últimas semanasO que observar no Ibovespa depois do segundo turno?O resultado das urnas pode funcionar como gatilho para tirar o índice da lateralização, mas dificilmente será o único fator capaz de definir a direção da Bolsa nas semanas seguintes.Depois da eleição, temas como política fiscal, composição da equipe econômica, trajetória dos juros e sinalizações sobre reformas tendem a ganhar peso na precificação dos ativos.
Bancos e estrategistas já vinham destacando que, passada a reação inicial às urnas, juros e fiscal devem voltar ao centro das atenções do mercado.Saiba mais: O verdadeiro gatilho para a Bolsa brasileira pode vir depois da eleição, diz JPMorganPara quem acompanha o gráfico, porém, a mensagem é mais objetiva.Do lado de cima, os 209.713 pontos são a principal barreira.
A superação dessa máxima abriria caminho para 215 mil, 221 mil e, posteriormente, para a região dos 230 mil pontos.Do lado de baixo, a faixa dos 203 mil a 204 mil pontos funciona como primeira zona de atenção. A perda de 199.354 pontos daria maior peso ao cenário corretivo e colocaria novamente o Ibovespa abaixo da marca dos 200 mil pontos.Entre esses dois extremos, o índice chega ao segundo turno ainda em tendência de alta, mas mais esticado, com volatilidade esperada maior e sinais de crescente seletividade entre os setores.(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T)Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader.
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