Nos últimos anos, a AT&T recorreu a modelos de inteligência artificial (IA) da Anthropic e da OpenAI para ajudar no atendimento ao cliente, na transcrição de chamadas e na programação. Os modelos de IA cobravam pelo uso e eram “fechados”, o que significa que as empresas de tecnologia não compartilhavam o código que está por trás deles. Neste ano, porém, a AT&T mudou de rumo. Com a disparada dos custos de IA, Andy Markus, diretor de dados e inteligência artificial da companhia, procurou alternativas mais baratas. A solução foram os modelos “abertos”, que podem ser baixados e modificados sem pagamento ou autorização. Entenda: Por que a invasão da Hugging Face deveria fazer você se preocupar mais com a IA Prós e contras: Vale a pena comprar um iPhone agora ou esperar pelos novos modelos da Apple? Veja o que fazer Em maio, os modelos abertos respondiam por 20% do uso de IA da AT&T. Desde então, a participação subiu para 40% e pode chegar a 60% nos próximos meses, disse Markus em entrevista. “Acreditamos que isso pode crescer muito, muito mais”, afirmou, acrescentando que a AT&T estava economizando até 80% nos custos com IA em comparação com o início do ano. Inovação: OpenAI lança GPT-6 Astra, nova IA de fronteira que usa técnica controversa de raciocínio A IA de código aberto virou uma febre entre empresas americanas. Assim como a AT&T, companhias como Airbnb e Deloitte também estão recorrendo a modelos abertos, que são fáceis de personalizar e mais baratos de usar. Alternativas aos modelos mais caros No mês passado, os modelos abertos representaram 58% do uso de IA, ante 10% um ano antes, segundo dados de usuários dos Estados Unidos da OpenRouter, uma plataforma que permite escolher diferentes modelos de IA para executar tarefas. iPhone 18 Pro e dobrável: veja o que esperar dos preços e datas da próxima geração da Apple Na quinta-feira, a fabricante de chips Nvidia anunciou a compra da Hugging Face, uma biblioteca de modelos de IA abertos, por US$ 12,9 bilhões, em mais um sinal da importância que essa tecnologia ganhou. “Juntos, tornaremos a IA mais aberta, mais capaz e mais acessível para pessoas e instituições em todo o mundo”, disse o CEO da Nvidia, Jensen Huang. Os modelos abertos podem ser divididos em dois tipos. Um deles é o modelo de código aberto, que disponibiliza publicamente seu código subjacente. O outro é o modelo de pesos abertos (open weights), que torna públicos seus “pesos” — os cálculos numéricos que determinam como o modelo raciocina. Risco: Agentes de IA da OpenAI assumiram o controle de um site alemão em nova 'fuga' Muitos dos modelos abertos de IA mais populares são desenvolvidos por empresas chinesas, como Moonshot AI, DeepSeek e Alibaba. Em vez de gastar milhões em taxas para utilizar um modelo fechado, desenvolvedores podem baixar um dos sistemas chineses e construir seus produtos sobre ele, pagando principalmente pelos servidores. A OpenAI e a Anthropic cobram por assinaturas e outras taxas, dependendo da tarefa. Alguns modelos abertos chineses já têm entre 80% e 90% da capacidade dos sistemas da OpenAI e da Anthropic, mas custam apenas 20% do preço, segundo Jerry Tang, CEO da Atlas Cloud, uma startup que oferece acesso a diferentes modelos de IA. Ele comparou os principais modelos da OpenAI e da Anthropic a carros esportivos caros — potentes, mas nem sempre necessários. Sujeito a regras: ChatGPT torna-se o primeiro chatbot de IA a enfrentar regras mais rígidas da União Europeia “Os Mazdas fazem um bom trabalho para levar você aonde precisa, e os Maseratis simplesmente não valem o investimento”, disse Tang. Os modelos de código aberto, acrescentou, “oferecem um custo-benefício melhor”. China acelera disputa pela IA aberta A popularidade dos modelos abertos pode representar um problema para Anthropic e OpenAI, que caminham para ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) de grande porte. As empresas precisam cobrar mais à medida que gastam bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento e em poder computacional. OpenAI e Anthropic não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. (O New York Times processou a OpenAI e a Microsoft, acusando as empresas de violação de direitos autorais de conteúdos jornalísticos relacionados a sistemas de IA. As companhias negaram as acusações.) Na mira: Tesla oferece corridas em carro sem volante, e regulador abre auditoria para checar padrões de segurança A ascensão dos modelos abertos alimenta um debate mais amplo no Vale do Silício e em Washington sobre o controle da IA. Dario Amodei, CEO da Anthropic, defende que a inteligência artificial deve ser fortemente regulamentada para evitar riscos à segurança nacional. Outros líderes do setor, como Huang e Mark Zuckerberg, CEO da Meta, afirmam que a tecnologia de código aberto é fundamental para criar um ecossistema de IA democrático e equilibrado. Demis Hassabis, Mark Zuckerberg e Dario Amodei Bloomberg Depois que a OpenAI lançou o ChatGPT, em 2022, muitas empresas e usuários passaram a preferir modelos de IA fechados. Na época, os modelos de código aberto eram usados principalmente por desenvolvedores. OpenAI e Anthropic sob pressão Esses modelos começaram a ganhar espaço no ano passado, depois que a startup chinesa DeepSeek lançou o DeepSeek-V3. O sistema se destacou por estar quase no mesmo nível dos modelos fechados mais avançados, mas exigir menos poder computacional. Prejuízos à cognição: Nova York vai proibir uso de IA nas escolas públicas no ensino fundamental; entenda Desde então, modelos abertos de empresas chinesas vêm se aproximando cada vez mais do desempenho dos modelos fechados da Anthropic, OpenAI, Google e outras companhias. Muitos modelos abertos já podem ser executados em um celular ou laptop, disse David Stout, CEO da WebAI, uma startup de inteligência artificial. Isso tornou a tecnologia mais acessível e até mais barata. Enquanto isso, os principais modelos fechados estão ficando mais complexos e exigindo maior poder computacional. Tim Cook deixa o comando da Apple após 15 anos; veja legado do CEO e desafios do sucessor A maioria das empresas americanas ainda utiliza uma combinação de modelos abertos e fechados. Os modelos fechados continuam sendo os melhores para tarefas mais pesadas, como programação e geração de imagens e vídeos, enquanto os modelos abertos costumam se destacar em tarefas simples e especializadas, disse Tang. Na AT&T, a empresa de telecomunicações agora utiliza modelos de pesos abertos e os personaliza para criar novas ferramentas capazes de transcrever chamadas e facilitar o atendimento ao cliente, afirmou Markus. Algumas empresas americanas continuam relutantes em utilizar modelos de IA chineses devido a preocupações com regulamentação e privacidade de dados. A AT&T pesquisa modelos chineses, mas não os utiliza, disse Markus. Em vez disso, trabalha com alternativas populares desenvolvidas por empresas americanas, como o modelo de IA Gemma, do Google, e os modelos Llama, da Meta. Líderes de tecnologia pressionam G20 por 'data centers', mas divergem sobre risco da IA À medida que os modelos chineses ganham popularidade, algumas empresas americanas estão lançando seus próprios modelos abertos de IA. No mês passado, a Meta transformou seu principal sistema de IA em um modelo de pesos abertos e disse que ofereceria o sistema a um custo menor do que outros modelos americanos de ponta. “Não acredito que restringir o acesso a modelos estrangeiros de código aberto seja uma solução eficaz”, disse Zuckerberg em um comunicado na ocasião. “Nosso objetivo deve ser fazer com que os modelos americanos de código aberto sejam os melhores do mundo.”
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IA de código aberto faz sucesso nos EUA e cria problema para OpenAI e Anthropic
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O Globo
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