O romance autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva vai ganhar uma adaptação musical para o teatro.
A história do premiado escritor, dramaturgo e jornalista, de 67 anos, estreia no próximo dia 19 de setembro no Teatro Opus Frei Caneca, em São Paulo.
Hugo Bonemer viverá o protagonista na juventude.
Bruno Garcia assume o papel na fase adulta e também interpreta Rubens Paiva, pai do autor.
Já Heloisa Périssé assume o desafio de viver Eunice Paiva, mãe de Marcelo.
O musical Feliz Ano Velho, que conta com direção de Gustavo Barchilon e adaptação de Marilia Toledo, é inspirado na obra lançada em 1982.
Nela, o autor relata o acidente que sofreu em uma lagoa em Campinas, no interior de São Paulo, que o deixou tetraplégico, além do seu processo de reabilitação e superação para se adaptar à nova rotina em uma cadeira de rodas.
Gustavo explicou à Quem que a proposta é respeitar a essência do teatro, mas buscar uma encenação mais atual e diferente do que costuma ser visto nos palcos.
"Eu acho que o livro traz uma nova forma para a literatura, uma nova forma de escrever.
E o que eu quis trazer é justamente isso.
Eu quero trazer, além do cenário, figurino, mas a encenação".
"Ainda não sei o que eu vou fazer agora, mas é da gente trazer, talvez, uma forma de fazer teatro musical que não é vista muito aqui ou que nunca foi vista aqui.
A gente usa a câmera, que é o futuro, mas respeitando a essência do teatro.
Eu não boto muitos elementos, porque eu estou valorizando o ator, o texto e o ator, que é a base do teatro, mas, ao mesmo tempo, eu estou fazendo câmera para aproximação, para close.
Então, em relação à encenação".
Bruno Garcia, Marcelo Rubens Paiva e o diretor Gustavo
Andy Santana/ Brazil News
A relação com a família, que teve grande importância durante a recuperação de Marcelo, também é retratada no livro que inspirou o musical.
A trama traz ainda um contexto da ditadura militar brasileira, período em que o pai do escritor desapareceu após ser preso pela repressão política.
A história soa familiar, pois foi abordada em Ainda Estou Aqui, filme brasileiro vencedor do Oscar que tem Fernanda Montenegro interpretando Eunice.
Ao ser questionado sobre como a ditadura vai ser trabalhada na história, o diretor destacou que será retratada da forma como Marcelo veria.
"O que é a ditadura pro Marcelo? É a perda de um pai.
Então, é o vazio da figura paterna.
Então, vai ser tratado dessa forma.
É uma peça sobre a visão do Marcelo do que aconteceu.
Não estou fazendo um Ainda Estou Aqui.
Então, a gente está tendo...
É o sentimento do Marcelo, sabe? O que ele sentiria, o que ele sentiu nessa época.
E aí é a ausência de um pai.
É a ausência de um pai".
Transformar a vida de Marcelo em um musical foi desafiador e, para ajudar a contar essa história de reabilitação e superação, o espetáculo contará com hits que despontaram nos anos 1980 incluindo músicas de Legião Urbana, Titãs, Lulu Santos e Barão Vermelho.
Vale lembrar que a obra já inspirou uma outra produção teatral, que não era musical, com um elenco de peso.
Lançada em 1983 e dirigida por Paulo Betti, a peça contava com Denise Del Vecchio, Lilia Cabral, Adilson Barros, Christiane Rando e Marcos Frota no elenco.
Na atual produção, juntam-se a Hugo, Bruno e Lolo os atores: Bárbara Sut, Bibi Tolentino, Giselle Lima, Ingrid Gaigher, João Côrtes, Lázaro Menezes, Lia Canineu, Luciano Mallmann, Mateus Ribeiro, Mattilla, Renan Mattos, Sabrina Korgut e Tuna Dwek.
À Quem, Marcelo Rubens Paiva contou como foi acompanhar de perto a adaptação de sua história para o musical e destacou a emoção de ver sua trajetória dividindo espaço com referências de sua geração.
"Não vai ser apenas a história do garoto que tem um corpo que não lhe pertence mais, mas é a história de uma geração que está buscando o futuro".
"E eu acho que, de novo, é uma peça muito atual, porque esse tema está muito atual.
A questão do corpo, uma geração da canetinha [canetas emagrecedoras], a questão do corpo, a questão da sensibilidade, é uma coisa que não é só a gente que tem na cadeira de rodas, é de todos os seres humanos", completa.
"Eu acho que são questões universais que estão atuais até hoje.
Fiquei felicíssimo de ouvir essas quatro músicas e entender o projeto", finaliza emocionado.
