Herdeira da Eletrobrás lidera apostas em leilão de transmissão desta sexta

Herdeira da Eletrobrás lidera apostas em leilão de transmissão desta sexta - Foto
Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O leilão de transmissão de energia marcado para esta sexta-feira (30) põe em disputa oito lotes espalhados por sete estados e deve movimentar quase R$ 9 bilhões em investimentos. O mercado trata a Axia Energia, empresa nascida da privatização da Eletrobras, como a grande favorita do certame.

Os lotes somam 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão, a continuidade da operação de 483 quilômetros de linhas já existentes e 12.694 megavolt-amperes (MVA) de capacidade de transformação em subestações. Os ativos se distribuem por Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo.

A disputa inclui ainda a manutenção de outros 600 MVA e a instalação de compensadores síncronos, equipamentos que estabilizam a tensão da rede. Sem eles, oscilações de carga podem derrubar o fornecimento em cadeia.

A herdeira da maior privatização do setor elétrico A Axia Energia surgiu da privatização da Eletrobras, que em 2022 deixou o controle estatal.

A companhia herdou fatias do parque de geração e transmissão e agora disputa a expansão da rede que conecta as usinas aos centros de consumo. A Eletrobras foi criada em 1962 para coordenar a construção do parque elétrico nacional e, ao longo de décadas, costurou o Sistema Interligado Nacional.

A privatização tirou do Estado o controle da maior operadora do sistema e entregou ao mercado a exploração de boa parte das linhas. Cada lote garante ao vencedor uma receita anual fixada em contrato de 30 anos, corrigida pela inflação e paga por todos os consumidores na tarifa de energia.

É esse fluxo previsível que atrai as empresas e sustenta a distribuição de lucros aos acionistas com dinheiro que sai da conta de luz. A conta da transmissão chega ao consumidor pelo encargo embutido na fatura, pago por residências e indústrias.

Quem acende a luz financia, todos os meses, o retorno do concessionário. A renda certa que atrai o mercado

Os leilões de transmissão registram deságio médio acima de 40% desde 2017, com exceção do certame de 2022, quando o indicador ficou em 38,16%. O deságio é o desconto sobre a receita pretendida, e quanto maior ele é, menor o custo que chega à tarifa do consumidor.

A transmissão é o filão mais cobiçado do setor elétrico. Diferente da geração, não depende de chuva nem de preço de combustível, e o concessionário recebe a receita contratada enquanto a linha opera.

O modelo de concessões da transmissão foi desenhado nos anos 1990, na reforma que privatizou parte do setor. Desde então, o Estado deixou de construir e passou a leiloar o direito de explorar as linhas por décadas.

Data centers e a seca do Madeira Os lotes do interior paulista miram o consumo crescente puxado pelos data centers, os centros de dados que sustentam a computação em nuvem e a inteligência artificial.

O lote de Rondônia busca dar resiliência climática ao Sistema Interligado Nacional (SIN), que sofre com secas severas no rio Madeira desde 2010. O SIN é a espinha dorsal que conecta as usinas às cidades e leva eletricidade entre regiões.

Redes bem dimensionadas significam menos apagões e mais segurança de fornecimento. A rede é o que permite levar a energia dos parques eólicos e solares do Nordeste ao Sudeste, onde está o maior consumo.

Sem linhas novas, parte dessa geração se perde no caminho. Antes, as redes de Rondônia serviam para escoar a energia das hidrelétricas locais, como Santo Antônio e Jirau, no próprio Madeira.

Com as secas, a função se inverte, e a região também precisa receber eletricidade de fora em cenários de escassez. A expansão da rede é planejada pelo poder público.

Os leilões definem quem constrói e opera as linhas, mas o traçado e a necessidade nascem do planejamento estatal. É esse planejamento que o certame desta sexta transforma em contrato privado de três décadas.

Juros e reforma tributária pesam na conta Empresas do setor relataram preocupação com os efeitos da reforma tributária sobre a estratégia para os leilões.

A reforma mexe na cobrança de impostos sobre serviços e pode alterar a conta dos projetos de infraestrutura. O patamar dos juros também entra no cálculo.

Infraestrutura carrega dívida pesada, e juros mais altos encarecem o financiamento e tornam as empresas mais cautelosas na hora de dar lance. Leilões com muitos lotes costumam atrair grupos grandes em busca de escala, o que dilui custos administrativos e amplia o poder de barganha no financiamento.

A aposta é que a Axia, com porte e caixa, avance justamente onde concorrentes menores recuam. O resultado desta sexta dirá quantos dos oito lotes ficam com a herdeira da Eletrobras.

Cada trecho de rede que passa ao controle privado alonga por três décadas a conta que o consumidor paga pela energia que já ajudou a construir.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →