Hampstead Garden Suburb – uma lição de urbanismo, natureza e vida

Hampstead Garden Suburb – uma lição de urbanismo, natureza e vida - Foto
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Narcisa Abreu Cordeiro Hampstead Garden Suburb nasceu de uma concepção que procurava conciliar moradia, natureza, jardins, espaços coletivos e qualidade de vida.

Idealizado a partir de 1904, com a participação decisiva de Henrietta Barnett, tornou-se uma experiência importante do movimento das cidades-jardins na Inglaterra. Amália Hermano e Narcisa Cordeiro | Foto: Arquivo

Em 1989, tive a oportunidade de visitar Hampstead Garden Suburb, em Londres, na companhia de Amália Hermano Teixeira e Jacira Rosa Pires. A visita permanece como uma lembrança especial, reunindo amizade, cultura e interesse pela história do urbanismo.

Hampstead Garden Suburb representa uma experiência singular de planejamento urbano, concebida a partir da visão de Henrietta Barnett, mulher de espírito humanista que acreditava ser possível construir comunidades nas quais a moradia, a natureza e a convivência social estivessem integradas.

Implantado a partir de 1907, o empreendimento contou com o projeto urbanístico de Raymond Unwin e a contribuição de importantes arquitetos britânicos. Ali, jardins, árvores, ruas cuidadosamente desenhadas, praças e espaços de convivência revelam uma concepção de cidade que não se limita à construção de edifícios.

O espaço urbano é pensado como ambiente de vida, onde a arquitetura dialoga com a paisagem e a organização territorial favorece a experiência humana. A presença de Amália Hermano Teixeira nessa visita ganha um significado particular.

Sua trajetória, marcada pela educação, pela cultura, pela história de Goiás e pelo compromisso com a natureza, encontra nessa experiência um ponto de encontro com uma tradição urbanística que reconhece a importância dos espaços verdes para a qualidade de vida. Jacira Rosa Pires, igualmente comprometida com a reflexão urbanística, compartilhou conosco esse momento de observação e aprendizado.

Guardo, inclusive, a lembrança de uma fotografia feita no jardim de Hampstead, na qual apareço ao lado de Amália. Mais do que o registro de uma viagem, essa imagem representa o encontro entre pessoas, ideias e sensibilidades que atravessam o tempo.

Para mim, arquiteta e urbanista dedicada ao estudo de Goiânia, conhecer Hampstead também significava compreender melhor uma das vertentes do pensamento internacional que valorizou a integração entre cidade e natureza. A experiência das cidades-jardins, desenvolvida na Inglaterra, constitui uma referência importante para a história do urbanismo moderno, embora cada cidade planejada tenha sua própria trajetória e suas particularidades.

Revisitar essa memória é reconhecer que o urbanismo ultrapassa os limites do desenho das ruas e dos edifícios. Ele envolve escolhas culturais, ambientais e sociais, capazes de determinar como as pessoas vivem, convivem e constroem sua relação com o lugar.

A visita de 1989 permanece, assim, como uma lembrança de amizade e conhecimento: um momento em que Hampstead, com seus jardins e sua história, nos ofereceu a oportunidade de refletir sobre a cidade como patrimônio coletivo, expressão da cultura e compromisso com as gerações futuras.

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