Lewis Hamilton quer prolongar a carreira na Fórmula 1 até o início da década de 2030 para disputar o Grande Prêmio da África, que será realizado em Ruanda. Aos 41 anos, o piloto da Ferrari afirmou que a confirmação da prova, prevista para ocorrer em um circuito ainda em construção, reforçou sua motivação para permanecer na categoria e manter o nível de competitividade necessário para seguir no grid.
Leia também: Rubens Barrichello fará voltas comemorativas em carro de Fórmula 1 antes de GP de Interlagos: 'Nada mais justo' Saiba mais: Rafael Câmara será o primeiro nordestino a correr na Fórmula 1; veja lista de brasileiros
— Agora sou obrigado a ficar muito mais tempo porque teremos uma corrida na África, e esse sempre foi meu sonho: poder correr na África — disse Hamilton, em entrevista antes do Grande Prêmio dos Estados Unidos, segundo o jornal britânico The Guardian. — Tenho que continuar lutando para tentar manter a forma física.
Se ainda conseguir bons resultados no próximo ano, vamos continuar. A Fórmula 1 anunciou em 13 de outubro um acordo de dez anos para levar o Grande Prêmio da África a Ruanda no início da próxima década.
A prova será disputada em um circuito construído especialmente para a categoria no distrito de Bugesera, a cerca de 40 quilômetros ao sul de Kigali, capital do país. Ainda não há data definida para a primeira corrida.
O retorno marcará a volta da principal categoria do automobilismo ao continente africano após mais de três décadas. A última prova foi disputada em Kyalami, na África do Sul, em 1993.
Hamilton defende há anos a realização de uma etapa na África e participou de conversas com dirigentes da categoria para viabilizar o projeto. O britânico, primeiro e único piloto negro a conquistar o título mundial da Fórmula 1, considera que a presença do campeonato no continente pode ampliar a visibilidade de sua história e de sua diversidade cultural.
— Crescendo na Inglaterra, nunca nos ensinaram nada sobre a África. Isso precisa fazer parte do currículo.
Muitos dos problemas que existem lá ainda são consequência do colonialismo e da intervenção ocidental — afirmou. O piloto também disse esperar que a corrida estimule o público a conhecer melhor os desafios enfrentados pelos países africanos.
Para ele, a realização do evento não deve significar que os problemas políticos e sociais da região sejam ignorados. — Ir até lá não significa negligenciar o que está acontecendo.
Espero que mais pessoas comecem a se informar sobre o que acontece e sobre o que aconteceu durante centenas de anos — declarou Hamilton, que também mencionou conflitos no Congo, no Sudão, na Síria e na Palestina ao defender a busca pela paz. A escolha de Ruanda, porém, é alvo de críticas de organizações de direitos humanos.
A Anistia Internacional no Reino Unido classificou o acordo como uma oportunidade de sportswashing, expressão usada para descrever o uso de eventos esportivos para melhorar a imagem de governos ou países diante de denúncias e controvérsias. Felix Jakens, responsável por campanhas da entidade, afirmou que a parceria pode ajudar as autoridades ruandesas a desviar a atenção de denúncias de detenções arbitrárias, tortura e repressão à liberdade de expressão.
Hamilton reconheceu que existem problemas em diferentes partes do mundo, mas defendeu que a realização da corrida seja acompanhada de maior atenção à história e à situação atual do continente africano. O governo ruandês, por sua vez, apresenta o projeto como parte de uma estratégia para ampliar o turismo, atrair investimentos e desenvolver a infraestrutura esportiva do país.
O contrato de Hamilton com a Ferrari vai até o fim de 2027, segundo informações publicadas pela imprensa internacional. Para competir na estreia do Grande Prêmio da África, o britânico precisaria permanecer na categoria por pelo menos mais alguns anos, possivelmente até os 45 ou 46 anos, a depender da data de estreia da prova.
O Globo