As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto contam com as redes sociais para disputar a diferença de 2,2 milhões de votos entre os dois no primeiro turno. Para travar essa guerra, apoiadores de ambos compartilham ferramentas e sites criados para distribuir materiais e embasar estratégias para convencer ou fidelizar eleitores. A mobilização se intensificou após o primeiro turno, em 4 de outubro. Parte dos portais criados desde então utilizam o conceito de Osint (inteligência de fontes abertas, na sigla em inglês), reunindo dados públicos em painéis atualizados constantemente. Os objetivos das campanhas variam desde o combate a informações falsas até o constrangimento de aliados que não estão engajados.Do lado lulista, o esforço maior é para "virar" votos. Manuais divulgados por militantes orientam cada eleitor a conversar com quem não foi às urnas, ou mesmo com quem votou em Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Uma das ferramentas mais divulgadas é a Onde Dá Para Conversar, com um mapa que separa as seções eleitorais onde houve mais votos brancos, nulos e ausentes. De acordo com o site, que utiliza dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 26.864 locais onde seria possível mudar o resultado apenas convencendo essas pessoas a votarem em Lula. A plataforma orienta os eleitores a concentrar as iniciativas nessas regiões, e traz guias sobre como conversar "olho no olho" com os demais eleitores.Outra iniciativa semelhante é a Dá Pra Virar, que traz estratégias para cada cidade. Em Brasília, por exemplo, onde Flávio teve ampla vantagem sobre Lula, a orientação é: "um chamado genérico para votar ajuda Flávio aqui. Procure só quem você sabe que vota em Lula e converse com os 188 mil eleitores que votaram em outros candidatos". Já em Fortaleza, onde o cenário foi o oposto, a estratégia é "aqui, levar mais gente a votar favorece Lula: cada 100 novos eleitores rendem cerca de 14 votos de saldo. Bairro, feira, igreja e grupos de família".Também são divulgados repositórios de materiais de campanha, como o Acervo Lula, que inclui uma lista com locais e datas de manifestações de rua a favor do petista, além de vídeos e postagens prontas para serem distribuídas. Outras ferramentas são utilizadas para monitorar a discussão na mídia e nas redes sociais, como o Radar da Virada, que elenca as principais notícias do dia relevantes para a disputa eleitoral e temas que podem convencer eleitores indecisos, com destaque para o fim da escala 6 x 1.Além dessas, dezenas de sites e painéis do tipo são compartilhados entre apoiadores do atual presidente. Grande parte das ferramentas, como a Onde Dá Para Conversar, foi criada após o resultado do primeiro turno, quando a derrota para Flávio chocou a militância petista e criou um senso de urgência ainda maior para a mobilização das redes.VigilânciaA campanha de Flávio também passou a compartilhar sites para apoiar sua militância. Na terça-feira, o deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) tornou público o "Flaviômetro", que monitora postagens de candidatos eleitos aliados do bolsonarista nas redes sociais e ranqueia os políticos pelo engajamento na campanha. O objetivo, segundo o parlamentar, é cobrar os que foram eleitos em primeiro turno e deixaram de pedir voto para o filho 01 de Jair Bolsonaro, além de celebrar os mais engajados. A plataforma traz dados desde o dia 8 de outubro, de todas as redes sociais, e é atualizada em tempo real.No acesso da reportagem do Correio, na quinta-feira, a senadora eleita e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) liderava o ranking dos "ausentes", que estavam há mais de dois dias sem publicar apoio a Flávio. Já os mais engajados eram o deputado estadual eleito Pablo Almeida (PL-MG), o próprio Gayer e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Como os dados são atualizados constantemente, as posições mudam com frequência. A iniciativa reflete o temor da campanha com o clima de "já ganhou" entre correligionários por conta da intenficação da mobilização entre os apoiadores de Lula.Nas redes sociais, apoiadores usam o Flaviômetro para cobrar apoio, sobretudo, dos candidatos bolsonaristas que não estão fazendo campanha para o senador. A plataforma foi divulgada, inclusive, por Eduardo e Carlos Bolsonaro, que criticaram a falta de engajamento de aliados. Segundo o próprio monitor, a estratégia deu certo: o número de postagens a favor de Flávio, por dia, subiram de 874, em 8 de outubro, quando o site começou a monitorar as publicações, para mais de 3 mil, em 14 de outubro.Além dos rankings, o site foi atualizado para exibir também o calendário dos "Bloquinhos 22", uma série de manifestações anunciadas pelo deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) em várias cidades até as vésperas do segundo turno.Outra iniciativa é o Flávio Com a Verdade, portal criado para desmentir notícias falsas sobre o candidato e fornecer publicações prontas para apoiadores. Aborda tópicos como o projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, que Flávio, supostamente, apoiaria caso eleito. A notícia foi amplamente divulgada nas redes sociais dias antes do primeiro turno das eleições. "Ninguém mexe com Nossa Senhora Aparecida. Quem determina a padroeira é o Santo Padre, o Papa. Nenhum presidente da República tem essa autoridade", diz a publicação. Saiba Mais Política Lula questiona Flávio sobre terras raras e desafia senador a abrir sigilos Política Lula em debate na Band: ‘Bolsonaro, vote em mim. Você conhece o seu filho’ Política Lula rebate Flávio sobre votos de presos: 'quero até do seu pai' Política 'Com miliciano, quero distância', diz Lula; Flávio compara Lula a ladrão
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