Dia de provar força nas ruas

Dia de provar força nas ruas - Foto
Fonte da notícia: Correio Brazilliense Correio Brazilliense

A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, milhares de manifestantes foram às ruas, ontem, para apoiar tanto a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) em diferentes cidades pelo Brasil. Na reta final, o principal objetivo é atrair votos de indecisos e dos que se abstiveram de votar no primeiro turno, que representaram 21% do eleitorado. As multidões serviram de aquecimento para o primeiro debate entre os dois, horas depois, na Band.No Museu Nacional, em Brasília, milhares de apoiadores de Lula se reuniram pela manhã em um ato organizado por grupos de esquerda e movimentos populares. Os apoiadores do presidente ocuparam parte da Esplanada dos Ministérios e saíaram em caminhada até o Congresso com cartazes que, inclusive, continham mensagens contrárias à Meta — dona do WhatsZApp e Instagram —, e ao governo dos Estados Unidos. Também não faltaram críticas a Flávio e ao pai dele, preso desde o ano passado por tentativa de golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023.A médica Arlete Sampaio, 76 anos, presidente de honra do PT em Brasília, disse ao Correio esperar que o país não volte ao período de Jair Bolsonaro. "O Brasil tem que continuar sendo um país soberano, tem que continuar sendo um país cada vez mais desenvolvido e só o Lula pode fazer isso", disse.Mesmo sob forte chuva, que começou por volta das 13h, os apoiadores do presidente não deixaram o local. Além do apoio a Lula, a manifestação tinha, também, o objetivo de reverter os votos ao governo do Distrito Federal, já que a governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) terminou o primeiro turno com cerca 15 pontos percentuais (49,9% x 35,4%) a mais que o candidato apoiado pelo presidente, Leandro Grass (PT). Segundo a leitura dos organizadores do evento, os petistas têm atraído, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, o apoio sobretudo de jovens.Para atrair o público mais jovem, a militância digital do presidente, liderada pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), também busca engajar artistas à campanha de Lula na reta final. No ato em Brasília, o vocalista da banda Natiruts, Alexandre Carlo, subiu ao trio no fim da caminhada em apoio à reeleição. Entre as músicas do repertório, estava "Liberdade pra Dentro da Cabeça", sucesso da banda. Os manifestantes cantaram junto com o artista, mesmo debaixo da chuva forte.No Rio de Janeiro, houve dois atos em apoio a Lula, que contaram com a presença de ícones da Música Popular Brasileira. A primeiro, na Praça Pio X — onde fica a Igreja da Candelária —, reuniu milhares de pessoas e foi organizada pela União Nacional dos Estudantes. O comando da manifestação ficou a cargo de Chico Buarque, que discursou para a multidão.Quem teve fôlego, pôde participar do ato na Praia de Copacabana, horas depois. Ali, os cantores e compositores Caetano Veloso e Marisa Monte se encarregaram da festa. Caetano, aliás, lembrou quando foi preso na ditadura militar. "Fiquei numa solitária, assim como colegas meus também, Gilberto Gil, Geraldinho Azevedo — várias figuras da música brasileira sofreram isso. Estamos aqui para apresentar uma defesa da democracia contra esse tipo de coisa", frisou.Também houve aglomerações pró-Lula em Salvador — Gilberto Gil, Daniela Mercury e outros artistas participaram de uma caminhada na orla no início da tarde. A cantora comandou um trio elétrico da Ondina para o Farol da Barra. Apoiadores do presidente também se reuniram no Largo da Batata, em Pinheiros, na capital paulista, e em outros pontos da cidade. Houve atos em outras capitais, como Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Maceió e João Pessoa.Bloco do 22Enquanto Lula preferiu não comparecer a qualquer das manifestações, Flávio esteve na Avenida Paulista, onde uma multidão ocupou seis quarteirões do local que tem a tradição de receber comícios políticos em momentos decisivos da política. No domingo anterior, os apoiadores do presidente que lotaram sete quarteirões da avenida em apoio a aprovação da redução da jornada de trabalho 6 x 1 e de outras pautas defendidas pela esquerda.Na manifestação de ontem, o Bloco do 22 na Paulista durou cerca de duas horas e representa um novo formato adotado pela campanha do presidenciável, na semana que antecede a votação no segundo turno. Ao som de jingles, além de axé e funk, Flávio dançou com aliados — como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano — em um carro de som em estilo de bloco de carnaval. A concentração foi em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp).Flávio voltou a falar que, se for eleito, quer que o pai entregue a ele a faixa presidencial. No palanque, ao lado de aliados, agradeceu à multidão de apoiadores. "Vamos virar essa página triste do Brasil. São só mais sete dias para a gente livrar o Brasil do PT", gritou, do trio elétrico, o candidato pelo PL. "E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocar a faixa de presidente da República no filho dele", acrescentou.Em discurso, Flávio voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e disse que, se eleito, indicará "pelo menos" quatro ministros à Corte — uma delas aberta por conta do eventual impeachment do magistrado. "Vou indicar pelo menos quatro homens e mulheres que sejam contra o aborto, que sejam contra as drogas, e que sejam a favor da prosperidade do povo brasileiro", garantiu.No ato, um grupo de apoiadores de Flávio levou um adereço que chamou a atenção: um balão inflável em forma de míssil com um pedido para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataque o Brasil com uma bomba nuclear — lia-se a frase "Trump, nuke Brazil", que, em tradução livre, significa "Trump, jogue uma bomba nuclear no Brasil". Além disso, apoiadores do senador carregavam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, apesar de a organização do evento ter orientado os manifestantes a evitar símbolos de outros países. Ao longo desta semana, estão previstas novas edições do "bloquinho" de Flávio em capitais do Nordeste. Hoje, a campanha do presidenciável chega a Aracaju e há ainda a expectativa de passar por Recife, São Luís e Fortaleza até o fim da semana. O candidato também deve ir a Manaus amanhã, mas encerra a campanha no sábado com agendas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, no mesmo local onde iniciou oficialmente a corrida ao Palácio do Planalto. Saiba Mais Política Lula questiona Flávio sobre terras raras e desafia senador a abrir sigilos Política Flávio promete comprar e congelar dívidas por até um ano Política Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre caso Vorcaro durante debate Política Flávio anuncia Cláudio Lottenberg para Saúde e promete SUS "padrão Einstein"  

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Correio Brazilliense