Guangxi, a “América Latina da China”: Encontro destaca potencial literário e intercâmbio global

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Sob o tema “Montanhas e Mares em Simbiose: Civilizações Geoespaciais e Narrativas Contemporâneas”, um encontro em Guilin, na China, debateu nesta terça-feira (30) como a cultura pode ser fomentada através do intercâmbio literário e do turismo entre China e América Latina. A cidade, que almeja construir um destino turístico de classe mundial, foi descrita como um local ecológico onde a natureza e poesias encontram uma economia de alto padrão.

Wang Yuyang, Diretora do Centro de Negócios no Estrangeiro da China National Publications Import and Export (CNPIEC), destacou que Guilin é uma das primeiras cidades chinesas a ser reconhecida como patrimônio. Representando uma empresa com décadas de atuação e que atua na feira do livro de Beijing, pontuou que a literatura local foca na vida comum e cruza as fronteiras culturais.

O objetivo atual é ilustrar a China da nova era e contar a própria história vividas às margens do Rio Lijiang. Apesar da distância geográfica entre a China e a América Latina, Lu Bo, Diretor do Departamento de Propaganda do Comitê Municipal de Guilin, ressaltou que a poesia e a literatura aproximam as regiões, impulsionadas pela riquíssima tradição literária local.

Dong Xi, Presidente da Federação dos Círculos Literários e Artísticos de Guangxi e Presidente da Associação de Escritores de Guangxi, endossou essa aproximação ao afirmar que a literatura une os povos e que Guangxi é a “América Latina da China”. Segundo ele, o local é multiétnico, os escritores possuem grande capacidade de imaginar.

Ele estimulou a todos, ao declarar que qualquer um têm potencial para a escrita literária. Para Yang Dongxing, Vice-Diretor-Geral do Grupo Editorial Guangxi (Guangxi Publishing Group), a literatura atua como um entrelaçamento cultural, onde o livro é uma ponte para impulsionar um diálogo de ida e volta.

O encontro destacou o interesse por literaturas do Chile, Brasil, Colômbia e México, com o desejo de fazer conhecer os escritores atuais além dos clássicos. Entre os escritores latinos presentes, foi reconhecida também a existência de uma dívida de sua parte para trazer mais literatura chinesa ao Brasil.

Sob a premissa de que “todos somos escritores”, o jornalista Leonardo Sobreira, do Brasil 247, citou o sucesso da literatura brasileira na China, exemplificado por José Mauro de Vasconcelos, cuja obra “O Meu Pé de Laranja Lima” alcançou mais 400 mil exemplares na China desde 2010.

O debate mencionou ícones como Portinari na ONU, Oscar Niemeyer em Brasília e Jorge Amado, todos comunistas, além de refletir sobre a escola brasileira de jornalismo versus a americana, apontando uma saída do jornalismo “tão hard”. A Editora Sul Global, que lançou seu primeiro título, Os Maiores Comunistas da História do Brasil, do jornalista do Brasil 247 José Reinaldo Carvalho, foi destacada como uma plataforma para fomentar esse intercâmbio, servindo o momento como um possível ponto de largada para a difusão do livro no mercado chinês.

O encontro em Guilin demonstrou o poder aglutinador da palavra ao reunir uma pluralidade de autores chineses e latinos oriundos das mais diversas áreas de atuação profissional, reforçando a premissa do evento de que o potencial para a escrita transcende qualquer nicho. Para além das presenças centrais nos painéis, essa mobilização reflete o engajamento de uma ampla comunidade de escritores que nutre um profundo interesse pelo intercâmbio com outras culturas.

Muitos desses autores, impulsionados por uma curiosidade genuína, já cruzaram as fronteiras geográficas e visitaram a América Latina em busca de inspiração direta para as suas narrativas.

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