São Paulo — Sem agentes de trânsito, sem respeito às regras. A ausência de fiscais faz crescer o número de condutores de bicicletas comuns, bikes elétricas e autopropelidos que passam acima da velocidade máxima de 20 km/h na ciclovia da Faria Lima, na zona oeste de São Paulo.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) deu início à fiscalização das bicicletas comuns, bikes elétricas e autopropelidos no último dia 13 de outubro. O foco principal está na ciclovia da Faria Lima, a mais movimentada da capital paulista, e onde condutores se arriscam em ultrapassagens em alta velocidade mesmo nos horários de pico, como já mostrou a reportagem.
Para medir o quanto condutores têm acelerado, a prefeitura instalou “delimitadores de velocidade” (espécie de radar, sem multa automática). Quando há agentes da CET por perto, as pessoas reduzem o ritmo.
Sem fiscalização, muitos passam acima dos 20 km/h e até dos 30 km/h. O comportamento não é diferente daquele apresentado por motoristas quando se aproximam de uma blitz ou de radares, acelerando na sequência.
A reportagem constatou nos dias 23 e 30 de outubro a diferença entre quando há ou não fiscalização. O detalhe é que os agentes trabalham somente até as 18h, o que significa que o horário de pico do início da noite fica “descoberto”.
Nas proximidades da Rua Tucumã, com a presença de agentes da CET e de guarda-civis metropolitanos (GCMs), foram contados 98 condutores ao longo de 15 minutos, no fim de tarde, no sentido Avenida Rebouças. Desses, 5 passaram acima dos 20 km/h, o equivalente a 5,1%.
Minutos depois, já sem fiscalização na ciclovia, na altura do cruzamento com a Praça Buritama, foram 61 condutores em direção à Avenida Cidade Jardim, durante 15 minutos. A reportagem contou 16 acima da velocidade máxima permitida (26,2%).
Distante desses dois primeiros locais, nas proximidades da Rua dos Pinheiros, em um ponto menos movimentado, já por volta das 19h, foram 23 condutores em direção à Rebouças. Desses, 11 passaram acima de 20 km/h (47,8%).
Uma semana depois, nessa última sexta (30/10), no mesmo ponto, a reportagem constatou que 12 das 34 pessoas que passaram pelo lugar estavam acima da velocidade máxima permitida (35,3%). Um “delimitador de velocidade” foi colocado no mesmo eixo de circulação, mas já nas proximidades da Praça Panamericana, na Avenida Pedroso de Moraes.
Na tarde da última sexta, só o equipamento estava lá, sem agentes de trânsito por perto. Com movimento bem menos intenso que em outros pontos, foram contados apenas 12 condutores, com 4 deles passando acima do limite (33,3%).
Chama a atenção o fato de que a velocidade é “contagiante”. Ou seja, em diversas ocasiões, um único condutor acima da máxima permitida “puxava” um comboio de outras pessoas acelerando a mais de 20 km/h.
A CET diz que começou na ciclovia da Faria Lima por ser uma das mais movimentadas da cidade. “As campanhas continuam sendo realizadas em diferentes locais em forma de rodízio.
Além da Faria Lima, as operações ocorrem nas estruturas cicloviárias da Rua da Consolação e da Av. Pedroso de Moraes, em Pinheiros”, diz.
Segundo a CET, de 13 a 29 de outubro, foram realizadas 1.116 abordagens, com uma única autuação. Sobre o horário da fiscalização, a CET diz que, inicialmente, seria até 20h, “mas a CET identificou que o tráfego cai consideravelmente a partir das 18h e as equipes são, então, direcionadas para outras ocorrências”.
A CET diz que os enquadramentos de infração estão previstos nos art. 255 e 59 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), além de legislações aplicáveis a cada modalidade de equipamento.
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