Grupos de lobby ligados à IA colocaram quase R$ 400 mi nas eleições dos EUA: quanta influência eles conquistaram?

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Os grupos políticos voltados à inteligência artificial gastaram R$ 394,65 milhões (US$ 72,28 milhões) nas eleições americanas de 2026. O dinheiro ajudou a eleger dezenas de candidatos, financiou campanhas contra adversários e colocou a regulação da tecnologia no centro de algumas disputas.

Seu poder para decidir votos, porém, mostrou-se menor do que o tamanho dos cheques sugeria. O valor foi calculado pelo monitor eleitoral da Transformer, com base nos registros da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos atualizados até esta sexta-feira (6).

A plataforma classifica R$ 152,28 milhões (US$ 27,89 milhões) como gastos de grupos favoráveis a uma regulação mais branda e R$ 242,37 milhões (US$ 44,39 milhões) como recursos de organizações que defendem maiores proteções para o desenvolvimento da IA. Essa divisão desmonta a imagem de um setor unido em torno da mesma agenda.

De um lado, investidores e executivos ligados a empresas como OpenAI e Palantir financiaram uma rede criada para combater propostas consideradas restritivas à inovação. Do outro, grupos apoiados pela Anthropic despejaram dinheiro em candidatos associados à segurança da IA e a limites para data centers.

A maior rede da IA apostou em terrenos seguros A principal tentativa de transformar o dinheiro da tecnologia em influência no Congresso partiu da Leading the Future.

Criada em 2025 com cerca de R$ 546 milhões (US$ 100 milhões), a rede recebeu apoio da Andreessen Horowitz, do cofundador da Palantir Joe Lonsdale e do presidente da OpenAI, Greg Brockman. Sua estrutura permitia atuar dos dois lados da política americana: o American Mission financiava principalmente republicanos, enquanto o Think Big concentrava recursos em democratas.

A promessa era enfrentar candidatos dispostos a impor barreiras à expansão da IA. A WIRED examinou os gastos e o desempenho eleitoral da rede e encontrou uma atuação mais cautelosa na eleição geral.

Depois de desembolsar cerca de R$ 142 milhões (US$ 26 milhões) nas primárias, a Leading the Future gastou aproximadamente R$ 54,6 milhões (US$ 10 milhões) na fase seguinte e destinou a maior parte do dinheiro a candidatos que já disputavam distritos considerados seguros. A estratégia produziu uma longa lista de eleitos, mas torna difícil atribuir as vitórias à intervenção dos grupos de IA.

Segundo a revista, a rede chegou ao fim da eleição com pouco mais de R$ 109,2 milhões (US$ 20 milhões) em caixa e sofreu derrotas em algumas das corridas nas quais seu apoio enfrentou um teste mais duro. Na Carolina do Sul, o American Mission gastou mais de R$ 10,92 milhões (US$ 2 milhões) para apoiar a republicana Darline Graham, defensora da expansão de data centers.

Ela perdeu a disputa pelo Senado com 46,5% dos votos em um estado que não elegia um democrata para a cadeira desde 1998. A rede também apoiou o republicano Aaron Flint para uma vaga na Câmara por Montana.

Ele reconheceu a derrota para Sam Forstag, democrata que defendia uma supervisão federal mais rígida sobre a inteligência artificial. Na Flórida, houve um resultado favorável.

O Think Big financiou a campanha de reeleição do deputado democrata Jared Moskowitz, que venceu o adversário republicano por cerca de 13 mil votos. A IA financiou os dois lados da disputa

O caso mais caro e mais emblemático ocorreu em Nova York. A Leading the Future gastou milhões de dólares em anúncios contra Alex Bores, ex-engenheiro da Palantir que concorreu às primárias democratas com uma plataforma de segurança e responsabilização das empresas de IA.

A reação veio do próprio setor. O Public First, rede favorável a maiores proteções e financiada em parte pela Anthropic, investiu R$ 81,9 milhões (US$ 15 milhões) para apoiar Bores.

De acordo com o levantamento da Transformer, organizações dos dois campos movimentaram R$ 160,96 milhões (US$ 29,48 milhões) naquela disputa. Bores não venceu, mas terminou em segundo lugar.

A candidatura ficou atrás de Micah Lasher, que também defendia maior controle sobre as empresas de tecnologia e regras de segurança para a inteligência artificial. O resultado impediu que a derrota de Bores se transformasse numa vitória clara da agenda contra a regulação.

A divisão reapareceu na Carolina do Norte. A Leading the Future apoiou a republicana Laurie Buckhout, enquanto a Guardrails Alliance, ligada ao campo da segurança, financiou o democrata Don Davis.

Davis, coautor de uma proposta para limitar incentivos fiscais a data centers, venceu a disputa. O dinheiro também serviu para abrir portas entre os eleitos.

Sacha Haworth, diretora-executiva do Tech Oversight Project, disse à WIRED que o apoio a candidatos de distritos seguros funcionou como uma tentativa de aproximação com os futuros integrantes do Congresso. Eles chegarão a Washington sob uma pressão diferente daquela enfrentada pelos parlamentares anteriores.

Uma pesquisa de boca de urna da NBC, citada pela WIRED, mostrou que 56% dos eleitores consideraram a inteligência artificial e os data centers fatores importantes na decisão do voto. Depois da vitória democrata, o senador Ron Wyden resumiu em uma palavra o tratamento que pretende dar às grandes empresas de tecnologia no Congresso: “intimações”.

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