O Grito dos Excluídos reuniu manifestantes neste sábado (5), em Belém, durante a 32ª edição da mobilização. A concentração ocorreu no Barracão do Boi Marronzinho, no bairro da Terra Firme, de onde os participantes seguiram em caminhada pelas ruas da região até a divisa com o Guamá. O ato foi realizado de forma pacífica e tranquila e marcou o retorno da mobilização à periferia da capital após 17 anos.
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Mais de 20 coletivos participaram da manifestação, que reuniu movimentos sociais, pastorais, organizações religiosas e representantes de diferentes segmentos. Entre as reivindicações apresentadas estavam a defesa da moradia digna, o combate à violência contra as mulheres e ao feminicídio, o enfrentamento à violência no campo e a proteção do rio Tucunduba, além de demandas relacionadas às áreas atingidas por obras e empreendimentos.
[[(com.atex.plugins.image-gallery.MainElement) Grito dos Excluídos reúne mais de 20 coletivos em caminhada pela periferia de Belém]]
Realizado no Dia da Amazônia, o ato teve como tema “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. A escolha dos bairros para a caminhada esteve relacionada, segundo os organizadores, às reivindicações de moradores e coletivos que atuam na região do Tucunduba.
Periferia
Para Juscélio Pantoja, assessor regional da Cáritas Brasileira – Regional Norte 2 e integrante da organização do ‘Grito’ na capital paraense, levar a manifestação para a periferia teve como objetivo dar visibilidade às demandas dos moradores e fortalecer a articulação entre os coletivos locais.
Para Juscélio Pantoja, levar o Grito dos Excluídos à periferia fortalece a articulação entre os coletivos que atuam na região (Carmem Helena/ O Liberal)
“O Grito dos Excluídos e das Excluídas, para nós amazônidas, é simbólico. Hoje é o Dia da Amazônia, a Amazônia que está na pauta do mundo há tempos, e a gente precisa se colocar nessa pauta: nada sobre nós sem nós”, afirmou.
Segundo Pantoja, a mobilização também buscou reunir organizações da Terra Firme e do Guamá em torno de reivindicações relacionadas ao rio e aos serviços públicos. Ele citou demandas por urbanização, segurança pública, moradia e acesso a equipamentos sociais. “Nós queremos defender a nossa vida, mas, mais do que isso, defender o direito de viver do rio Tucunduba”, disse.
Direitos
A manifestação também incorporou pautas de alcance nacional, como o fim da escala de trabalho 6x1, a reforma agrária, a defesa da educação pública, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), o combate ao racismo e o enfrentamento à LGBTfobia.
Jane Cabral destacou que a defesa da Amazônia também envolve as cidades e a proteção do meio ambiente nos territórios urbanos (Carmem Helena/ O Liberal)
Integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jane Cabral destacou a relação entre as reivindicações urbanas e a defesa da Amazônia.
“A Amazônia não é só no campo, a Amazônia também é na cidade. Então, essa defesa também é da floresta na cidade, a defesa do meio ambiente na cidade”, afirmou.
Jane também relacionou a mobilização à reivindicação pelo fim da escala 6x1. Para ela, a mudança permitiria aos trabalhadores ampliar o tempo destinado ao descanso, à cultura, à saúde e à convivência. “Precisamos lutar para que a gente possa conquistar nossos direitos. Seria bom se a gente tivesse os direitos conquistados, mas, se não tem, então nós vamos lutar”, declarou.
Moradia
Para o líder comunitário da Terra Firme Francisco Batista, a realização do ato no bairro reforçou a presença das reivindicações de moradores da periferia. Ele destacou pautas como o combate ao feminicídio, a defesa da Amazônia e a moradia.
“Falar da periferia e falar desse lugar é muito importante, porque aqui tem uma parcela significativa de excluídos e excluídas. Tentar ir para o centro é bom, mas estar junto com os excluídos é melhor ainda”, afirmou.
Francisco Batista destacou a importância de realizar a manifestação na periferia, onde vivem parcelas da população que enfrentam diferentes formas de exclusão (Carmem Helena / O Liberal)
Batista também ressaltou que as diferentes bandeiras apresentadas durante a caminhada têm como ponto comum a busca por melhores condições de vida. “São vários temas, são várias bandeiras, mas que todas atingem os excluídos e os incluídos que impedem essas pessoas de terem dignidade”, disse.
O Liberal