‘Governo Trump está ciente da partida de Flávio Bolsonaro em direção aos EUA’, diz aliado

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de domingo (25), teria deixado o Brasil e estaria em um voo para os Estados Unidos, segundo relatos de pessoas próximas ao parlamentar. A viagem teria sido organizada depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o recolhimento de seus passaportes.

Aliados afirmam que o senador está incomunicável e que a aeronave deverá pousar em território estadunidense nas próximas horas. Segundo o UOL, uma fonte próxima ao governo de Donald Trump e à família Bolsonaro afirmou que a administração estadunidense está “ciente da partida” de Flávio em direção ao país norte-americano.

De acordo com a Folha de São Paulo, interlocutores contrários à saída do país afirmam que a operação foi planejada e viabilizada por um advogado próximo à família Bolsonaro. O coordenador da campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou inicialmente que Flávio tivesse fugido.

PF cancela passaportes e emite alerta nas fronteiras De acordo com a reportagem, a decisão de deixar o Brasil teria sido tomada na segunda-feira (26), depois que Moraes determinou o recolhimento dos passaportes brasileiros e italiano do senador, que possui cidadania italiana.

A Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático brasileiros de Flávio nesta terça-feira, após o descumprimento da determinação judicial. O parlamentar havia sido intimado a entregar os documentos no prazo de 24 horas, mas não atendeu à ordem.

A corporação também emitiu um alerta para intensificar a vigilância nas fronteiras, embora exista a possibilidade de que o senador já tivesse deixado o território nacional quando a medida foi adotada. Apesar do cancelamento dos documentos brasileiros, a identidade italiana de Flávio permanece válida.

A informação ganha relevância diante dos relatos de que ele teria utilizado uma rota internacional para chegar aos Estados Unidos. A PF deverá comunicar formalmente ao ministro Alexandre de Moraes o descumprimento da determinação de entrega dos passaportes.

Viagem pela Argentina pode ter envolvido operação para despistar autoridades A rota utilizada pelo senador ainda não foi esclarecida.

Segundo o portal argentino Infobae, Flávio teria atravessado a fronteira brasileira com um documento de identidade e planejado embarcar em Puerto Iguazú, na província de Misiones. O veículo identificou um avião executivo Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A., cuja decolagem estaria prevista para as 2h desta terça-feira.

A companhia teria solicitado procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. Entretanto, a aeronave permaneceu estacionada em Puerto Iguazú, sem realizar o voo previsto.

A Folha acrescentou uma informação que pode explicar essa circunstância: segundo aliados do senador, a inclusão de seu nome na lista de passageiros do avião teria sido uma estratégia para despistar as autoridades. Nessa versão, Flávio teria embarcado em outro ponto do território argentino, em uma aeronave diferente daquela identificada inicialmente.

O local de partida e os detalhes do deslocamento não foram confirmados de maneira independente. O governo do presidente argentino Javier Milei, aliado político da família Bolsonaro, informou não possuir registro da entrada do senador no país.

A declaração acrescenta uma dúvida sobre a passagem de Flávio pela Argentina, já que não há confirmação oficial de sua presença em território argentino. Fonte próxima ao governo Trump confirma conhecimento da partida

Nos Estados Unidos, uma fonte próxima à administração de Donald Trump e à família Bolsonaro declarou ao UOL estar “ciente da partida” de Flávio em direção ao país. O interlocutor não confirmou se o senador já havia desembarcado nem se a viagem incluía uma passagem pela Argentina.

Questionado oficialmente, o Departamento de Estado dos EUA não se manifestou. A Folha também informou que os aliados consultados não sabem qual seria o destino final do senador nos Estados Unidos.

Uma das possibilidades mencionadas é que ele se reúna com o irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que vive no país desde 2025. Eduardo, entretanto, havia negado anteriormente a informação sobre a saída do irmão do Brasil.

Ao ser questionado pelo UOL, classificou a notícia como “mentira” e ironizou: “Sim. Foi o Elon Musk que mandou o foguete”.

Outro relato obtido pelo UOL indica que uma das filhas de Flávio teria se despedido de duas colegas na segunda-feira, informando que viajaria para “os EUA”. Não há confirmação de que ela estivesse acompanhada do pai.

Flávio é investigado em dois inquéritos e perderá foro privilegiado A possível saída do país também ocorre enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta investigações criminais relacionadas ao Banco Master e a suspeitas de irregularidades envolvendo recursos do INSS.

O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e outros crimes. Uma das apurações examina um suposto pedido de US$ 24 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio nega irregularidades e afirma que o projeto utiliza recursos privados. Outra investigação envolve sua relação com o advogado Willer Tomaz, suspeito de lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal identificou vínculos pessoais e financeiros entre os dois, mas o senador e a defesa do advogado negam irregularidades. Flávio também deverá perder o foro privilegiado perante o STF em fevereiro de 2027, quando terminará seu mandato no Senado.

Derrota para Lula e recuo na contestação eleitoral A possível viagem acontece em meio aos desdobramentos da derrota de Flávio Bolsonaro para presidente Lula no segundo turno presidencial, encerrado com 51,79% dos votos válidos para o petista e 48,21% para o candidato do PL.

Após a divulgação do resultado, Flávio questionou a legitimidade da votação e criticou a decisão que ampliou em duas horas o funcionamento das seções eleitorais em determinadas localidades. Posteriormente, entretanto, sua campanha desistiu de apresentar uma ação para anular a eleição.

O partido decidiu concentrar sua atuação judicial em uma possível ação para cassar a chapa de Lula e Geraldo Alckmin, sob alegação de abuso de poder político e econômico. Apenas cerca de 0,03% dos votos foram registrados durante o período adicional de votação, proporção insuficiente para alterar o resultado da disputa.

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