247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ampliar a presença comercial e diplomática do Brasil na Ásia ainda durante seu terceiro mandato. Para isso, Lula viajará às Filipinas, onde participará, em 15 de novembro, da Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila.
A iniciativa integra a estratégia brasileira de diversificação de mercados e fortalecimento das relações com economias asiáticas. Segundo informações da Agência Brasil, com base em declarações do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro busca elevar o status do país junto à Asean, passando da condição de Parceiro de Diálogo Setorial para Parceiro de Diálogo, o nível mais elevado de relacionamento oferecido a países que não integram a organização.
“Acreditamos que a elevação dessa parceria vai permitir fortalecer a proximidade crescente que o Brasil já vem desenvolvendo com o bloco”, afirmou a secretária de Ásia e Pacífico do Itamaraty, embaixadora Susan Kleebanka. Caso a solicitação brasileira, formalizada em janeiro, seja aprovada, o país passará a integrar o grupo de parceiros que inclui Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão, entre outras nações.
A diplomacia brasileira também considera significativo o convite para que Lula participe da abertura da cúpula. Tradicionalmente, esse espaço é reservado ao chefe de Estado ou de governo do país anfitrião.
O convite é interpretado pelo Itamaraty como uma demonstração de reconhecimento da importância crescente do Brasil nas relações com o Sudeste Asiático. Será o segundo ano consecutivo em que Lula participará de uma cúpula da Asean.
Em 2025, o encontro ocorreu na Malásia. Neste ano, será realizado nas Filipinas.
Comércio entre Brasil e Asean chega a US$ 38 bilhões O fortalecimento das relações com a Asean tem como um de seus principais fundamentos a expansão do comércio bilateral.
Entre 2003 e 2025, as trocas comerciais passaram de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, crescimento superior a dez vezes, com expansão média anual de aproximadamente 12%. A associação reúne 11 países: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor-Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos.
O bloco representa um mercado estratégico para o Brasil, tanto pelo tamanho de sua população quanto pelo dinamismo de suas economias e pela crescente participação da região nas cadeias internacionais de produção e comércio. A aproximação também se insere na política externa brasileira de ampliar os vínculos com países do Sul Global, diversificando parceiros comerciais e fortalecendo a cooperação econômica com diferentes regiões do mundo.
Além da participação na cúpula, Lula poderá realizar encontros bilaterais com dirigentes de países da associação. Segundo o Itamaraty, seis governos já solicitaram reuniões com o presidente brasileiro, embora as agendas ainda dependam de confirmação.
Brasil busca ampliar exportações para as Filipinas Antes da cúpula, Lula realizará uma visita de Estado às Filipinas, prevista para 14 de novembro.
A viagem ocorre no ano em que os dois países celebram oito décadas de relações diplomáticas. O governo brasileiro pretende aproveitar a ocasião para ampliar o comércio bilateral, que quadruplicou desde 2016.
Entre os produtos brasileiros exportados para o mercado filipino estão café, açaí, sucos e alimentos processados, como massas e biscoitos. A intenção é ampliar a presença desses produtos e explorar novas oportunidades comerciais.
A visita também poderá abrir espaço para o aprofundamento da cooperação em outras áreas de interesse comum, em um momento de crescente aproximação entre o Brasil e as economias asiáticas. Viagem ocorrerá após participação na COP31
A agenda internacional de Lula começará na Turquia, onde o presidente participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), em Antália. A previsão é que ele deixe a cidade turca na noite de quinta-feira, 12 de novembro, em um voo de aproximadamente 14 horas até Manila.
A visita de Estado às Filipinas está marcada para 14 de novembro, seguida pela participação na Cúpula da Asean, no dia 15. Uma coletiva de imprensa também está prevista, mas ainda não teve data e horário definidos.
A viagem representa mais uma etapa da estratégia diplomática brasileira de aprofundar a integração econômica com a Ásia, ampliando oportunidades comerciais e consolidando relações com países que desempenham papel cada vez mais relevante na economia mundial.
Brasil 247