247 – O governo do presidente Lula (PT) projeta uma retomada progressiva da normalidade nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos após o término do calendário eleitoral em ambos os países, informa o Metrópoles. Auxiliares diretos do presidente sustentam que a escalada de fricção e os episódios de tensão diplomática observados ao longo dos últimos meses foram impulsionados pelo interesse geopolítico direto na sucessão presencial brasileira e pela expectativa de alteração no comando do Poder Executivo no Brasil.
Restrições na concessão de vistos a autoridades governamentais e medidas protecionistas no comércio bilateral, como o “tarifaço”, figuram como os principais eixos deste atrito recente. No diagnóstico de aliados do Planalto, o desfecho das urnas brasileiras reduziu drasticamente a margem de manobra para eventuais ofensivas adicionais de Washington, tornando antieconômica e desprovida de sustentação política a continuidade de retaliações direcionadas.
Nesse cenário, estabelece-se uma “normalização pragmática”. Essa estratégia pressupõe que, a despeito das marcantes diferenças ideológicas entre as gestões, a construção diplomática prioritária recairá sobre convergências e agendas de interesse mútuo.
A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato (midterms) reforça essa projeção de distensão. Com a nova composição legislativa em Washington, a avaliação é de que o Congresso norte-americano se tornará substancialmente mais receptivo a pautas alinhadas à política externa de Brasília, com destaque para a sustentabilidade climática e a regulação das grandes corporações tecnológicas (big techs).
A mudança de forças no Capitólio também é vista como um freio institucional contra novas restrições ao Brasil e um catalisador para projetos de cooperação estagnados. Entre as iniciativas paralisadas no âmbito bilateral está um requerimento formal encaminhado pelo Ministério da Justiça aos órgãos federais norte-americanos.
A solicitação busca cooperação internacional para rastrear a movimentação financeira e o destino final de capitais associados ao fundo Havengate, peça central das investigações conduzidas na operação Dark Horse. A efetivação desta nova fase institucional fica condicionada às posturas concretas a serem adotadas pela administração norte-americana.
Como primeiro teste dessa articulação diplomática, projeta-se um encontro bilateral entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O diálogo, agendado para ocorrer paralelamente às reuniões de cúpula do G7 na próxima semana, servirá de termômetro para balizar os rumos da diplomacia entre os dois países.
Brasil 247