O governo de Santiago Peña consolidou nesta semana uma série de acordos estratégicos com os Estados Unidos voltados à segurança e tecnologia. As medidas, anunciadas após a visita do vice-secretário americano Christopher Landau a Assunção, envolvem desde o combate ao crime organizado na Tríplice Fronteira até a construção de infraestrutura para inteligência artificial movida pela energia de Itaipu.
Os Estados Unidos destinarão US$ 5,5 milhões para apoiar um novo centro antiterrorista e reforçar a segurança nas fronteiras, além de enviar um assessor especializado em contraterrorismo para atuar em Assunção. Outro montante de US$ 6,25 milhões será aplicado no combate ao crime organizado transnacional.
Um marco importante é a abertura de um escritório regional do Escritório de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) na capital paraguaia, que servirá como um centro de coordenação para programas americanos em todo o Cone Sul, fortalecendo a repressão ao tráfico de drogas. A parceria avança para o campo da inteligência artificial (IA) com um acordo entre as empresas Crusoe e Araico para construir um datacenter no Paraguai.
O projeto utilizará a energia excedente da usina hidrelétrica de Itaipu, compartilhada com o Brasil. Além disso, a Uranium Energy Corp investirá US$ 12 milhões no desenvolvimento de reservas de urânio em solo paraguaio.
Os governos também iniciaram negociações para o chamado Acordo 123, um tratado de cooperação nuclear civil que permite a transferência de tecnologia e equipamentos nucleares americanos para fins pacíficos. Um acordo assinado no fim de 2025, conhecido como SOFA, estabelece as regras para a permanência temporária de tropas dos EUA no país.
Esse tratado facilita a realização de treinamentos conjuntos, missões humanitárias e exercícios militares coordenados. O documento garante privilégios e imunidades aos profissionais americanos, permitindo que os Estados Unidos mantenham a jurisdição penal sobre seu pessoal durante o serviço.
O presidente Santiago Peña defende que essa cooperação é vital para modernizar as forças nacionais e enfrentar de forma soberana as ameaças regionais. O foco principal é o combate a facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que o governo paraguaio e os EUA classificam como organizações terroristas.
Foi instalada em Ciudad del Este uma nova Companhia Contraterrorista das Forças Armadas paraguaias, que recebeu treinamento especializado dos americanos. Adicionalmente, novos sistemas de compartilhamento de dados de radares e identificação de passageiros foram implantados para interceptar aviões do narcotráfico e controlar o fluxo migratório ilegal na fronteira com Brasil e Argentina.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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