O Ministério da Agricultura declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, em Santa Catarina. A medida é resultado da confirmação de um foco da doença de Newcastle em estabelecimento de aves comerciais no Estado. A declaração foi publicada há pouco em edição extra do Diário Oficial da União. Mais cedo, o Ministério da Agricultura informou que já iniciou as ações previstas no plano de contingência, como visitas e monitoramento a 133 granjas comerciais nos quatro municípios que estão na área de restrição.
O estabelecimento onde a doença foi identificada, em Nova Itaberaba, passará por despovoamento, com o sacrifício de seis mil aves, limpeza e desinfecção para controle e erradicação do foco. O secretário-executivo da Pasta, Cléber Soares, afirmou que os países importadores de carnes de aves do Brasil já foram informados sobre o caso ao longo do dia. Até esta terça-feira (20/10) deverá ser publicado no site da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o comunicado oficial do governo brasileiro acerca do foco, que será enviado ainda hoje. Países importadores receberam uma nota técnica, elaborada nesta segunda-feira pelo Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, com a descrição do caso.
O texto, obtido pela reportagem, conta que o foco foi identificado em investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial no Estado de Santa Catarina (Cidasc) e confirmado por análise realizada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA/SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como laboratório de referência internacional para o diagnóstico da doença de Newcastle. "A suspeita foi identificada em 14 de outubro de 2026, a partir de resultados laboratoriais de triagem obtidos de amostras coletadas em 21 de setembro de 2026, no âmbito das atividades de vigilância ativa previstas no Plano Nacional de Vigilância para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, em aves que não apresentavam sinais clínicos", diz a nota. O ministério informou que, diante da suspeita, foi iniciada a investigação epidemiológica na região, com a interdição do estabelecimento em questão, mas que não foram observados sinais clínicos compatíveis com a doença nas aves no local.
Uma nova coleta de amostras foi realizada para o diagnóstico confirmatório em complemento à sequência do protocolo de ensaios laboratoriais das amostras colhidas inicialmente.
O LFDA/SP confirmou o diagnóstico em 18 de outubro de 2026. O sequenciamento genético foi compatível com vírus virulento da Doença de Newcastle com sequência de aminoácidos 112-R-R-Q-K-R-116 na extremidade C-terminal da proteína F2 e um resíduo de F (fenilalanina) na posição 117 na extremidade N-terminal da proteína F1.
De acordo com a nota, a sequência de nucleotídeos obtida para o gene F apresentou 97,35% de identidade com a sequência de Pigeon paramyxovirus 1 (PPMV-1) depositada no GenBank sob número KX097024.1. O ministério relatou que a infecção pelo PPMV-1 ocorre em aves silvestres ou exóticas em Santa Catarina. "Os procedimentos de erradicação do foco, restrições e investigação epidemiológica na área de emergência serão conduzidos pelo Serviço Veterinário Oficial conforme diretrizes constantes dos Plano de Contingência de Influenza Aviária e doença de Newcastle - parte geral e parte específica", relata a nota técnica. O texto diz que o prazo de vigência do estado de emergência zoossanitária e a relação de municípios abrangidos poderão ser alterados por ato normativo do Ministério da Agricultura, "de acordo com a evolução dos resultados das ações de vigilância e investigações epidemiológicas em curso". O foco será notificado à OMSA ainda nesta segunda-feira (19/10) e atualizado semanalmente por meio dos informes de seguimento, conclui a nota.
Globo Rural