Altman: “A crise do capitalismo liberal provocará a erupção de gigantescas manifestações”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O jornalista Breno Altman afirmou que as manifestações populares registradas na França são expressão de uma crise do capitalismo e da democracia liberal que tende a produzir novas ondas de mobilização em diferentes regiões do mundo. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, nesta segunda-feira (19), ele relacionou os protestos franceses à deterioração das políticas sociais e às escolhas orçamentárias dos governos europeus, que, segundo sua avaliação, têm destinado recursos crescentes às despesas militares em detrimento dos serviços públicos.

“A crise do capitalismo, da crise da democracia liberal, levará à irrupção de gigantescas mobilizações populares no mundo inteiro, e não só nos países periféricos, mas nos países centrais também, como é o caso da França”, afirmou Altman.

A declaração ocorreu durante uma análise das manifestações na França relacionadas à educação, aos cortes de recursos públicos e às denúncias de repressão policial. Para o jornalista, os acontecimentos não devem ser compreendidos apenas como uma reação a decisões específicas do governo francês, mas como parte de um processo de contestação social associado às transformações econômicas e políticas do capitalismo contemporâneo.

Altman sustentou que a crise das democracias liberais também se manifesta nos países que ocupam posições centrais na economia mundial. Nesse sentido, a França representa, em sua avaliação, um dos principais exemplos das contradições enfrentadas pelos governos europeus.

“A França talvez seja o epicentro hoje da crise do capitalismo na Europa”, declarou.

O jornalista apontou como elemento central desse processo a mudança nas prioridades orçamentárias dos Estados europeus. Segundo ele, setores empresariais e partidos que exercem o poder político têm promovido uma transferência de recursos das áreas sociais para o financiamento de despesas militares.

Altman resumiu essa orientação ao afirmar que se trata de uma burguesia e de partidos políticos que “trocam orçamento social por orçamento militar”.

Na interpretação do jornalista, essa escolha contribui para o enfraquecimento das estruturas de proteção social construídas ao longo de décadas na Europa. O Estado de bem-estar social, baseado na oferta de serviços públicos e em mecanismos de proteção à população, estaria sofrendo um processo de deterioração que repercute diretamente nas condições de vida dos trabalhadores.

A educação aparece nesse contexto como uma das áreas em que os conflitos se tornam visíveis. Os protestos franceses mencionados durante a entrevista envolvem questionamentos sobre cortes de recursos destinados ao setor e denúncias relacionadas à atuação das forças policiais diante das mobilizações.

Para Altman, a reação da população a essas medidas expressa uma contradição entre as necessidades sociais e as prioridades estabelecidas pelos governos. À medida que recursos são deslocados para outras finalidades, cresce a possibilidade de contestação por parte dos grupos afetados pela redução dos investimentos públicos.

O jornalista também associou o caso francês a processos de mobilização observados em outros países. Ele citou a Argentina como exemplo de uma sociedade em que os conflitos políticos e econômicos vêm produzindo manifestações populares.

“O que nós assistimos na França, a gente também assistiu, está assistindo na Argentina e vai assistir nos demais países”, afirmou.

A comparação apresentada por Altman não pressupõe que os protestos tenham as mesmas causas imediatas ou ocorram sob condições políticas idênticas. Seu argumento é que a pressão sobre direitos sociais e serviços públicos pode produzir reações em diferentes sociedades, independentemente de sua posição na economia internacional.

Ao incluir a Argentina e a França na mesma análise, o jornalista procurou demonstrar que a contestação às políticas econômicas não está limitada aos países periféricos. Na sua avaliação, as tensões também alcançam sociedades que historicamente desenvolveram sistemas de proteção social e instituições vinculadas à democracia liberal.

O caso francês assume, assim, um significado que ultrapassa as reivindicações relacionadas à educação. Para Altman, a disputa em torno dos orçamentos públicos revela escolhas políticas sobre a destinação dos recursos do Estado e sobre quais setores da sociedade devem suportar os efeitos dessas decisões.

A ampliação das despesas militares, em sua análise, ocorre simultaneamente à redução da capacidade dos governos de preservar serviços e políticas que integram o sistema de bem-estar social. Essa combinação tende a aprofundar o conflito entre os interesses da população e as orientações econômicas adotadas pelas forças políticas no poder.

Altman considera que o descontentamento resultante desse processo encontrará expressão nas ruas. Sua previsão é de que as mobilizações se ampliem à medida que as consequências sociais das políticas econômicas se tornem mais perceptíveis.

A análise apresentada pelo jornalista situa, portanto, os protestos franceses em um cenário de questionamento ao funcionamento do capitalismo e das instituições políticas que administram suas contradições. Para ele, a deterioração das condições sociais não será acompanhada de aceitação passiva por parte da população.

Ao concluir sua avaliação, Altman reafirmou que a França representa uma manifestação de um fenômeno internacional, marcado pela contestação das prioridades econômicas dos governos e pela reação à perda de direitos e serviços públicos.

“Deixam o Estado de bem-estar social decair aceleradamente e as pessoas vão reagir a isso”, afirmou.

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