247 – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, descartou a possibilidade de deixar antecipadamente o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR), mesmo em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Com mandato previsto até dezembro de 2027, Gonet pretende permanecer à frente da instituição independentemente de quem ocupar a Presidência da República a partir do próximo ano.
Em declaração à CNN Brasil, divulgada pela jornalista Tainá Falcão, o procurador-geral negou que esteja considerando uma saída antecipada. “Não existe essa possibilidade”, afirmou, ao comentar as especulações sobre seu futuro na instituição.
A discussão sobre a permanência de Gonet ganhou força nos bastidores políticos diante da possibilidade de uma mudança de governo. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro abriria espaço para debates sobre o perfil do próximo procurador-geral e os nomes que poderiam ser considerados pelo novo presidente.
Pessoas próximas a Gonet avaliam que uma renúncia motivada pela alternância de poder no Palácio do Planalto representaria uma concessão a pressões políticas, contrariando a autonomia institucional que deve orientar a atuação da PGR.
Dessa forma, o procurador-geral pretende exercer integralmente o mandato para o qual foi reconduzido, sem antecipar sua saída em função do resultado das urnas.
Bolsonarismo discute possíveis nomes para a PGR
Apesar da posição de Gonet, integrantes do campo bolsonarista já discutem possíveis nomes para comandar a Procuradoria-Geral da República em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Entre os nomes mencionados está o do ex-procurador-geral Augusto Aras, que comandou a instituição durante a Presidência de Jair Bolsonaro. Aras foi indicado em 2019, sem integrar a lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), e reconduzido ao cargo em 2021.
Entretanto integrantes da própria PGR consideram pouco provável seu retorno ao comando da instituição.
Essa avaliação está relacionada, entre outros fatores, à postura adotada por Aras após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022. Na reta final de seu segundo mandato, o então procurador-geral realizou movimentos de aproximação com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na interpretação de integrantes da PGR, essa mudança de posicionamento alimentou a percepção de que Aras buscava uma nova recondução ou pretendia exercer influência sobre a escolha de seu sucessor.
O presidente Lula, no entanto, decidiu indicar Paulo Gonet para o cargo.
Lindôra Araújo também é mencionada nos bastidores
Outro nome citado nas articulações é o da subprocuradora-geral Lindôra Araújo, que ocupou a vice-Procuradoria-Geral da República durante a gestão de Augusto Aras.
De acordo com a reportagem, aliados observam que Lindôra deverá atingir a idade de aposentadoria compulsória antes de dezembro, circunstância que limita a possibilidade de assumir o comando da instituição.
Apesar disso, ela ainda é considerada uma figura com potencial influência sobre as decisões de Flávio Bolsonaro relacionadas à PGR, caso o candidato do PL seja eleito presidente.
Escolha do procurador-geral depende do presidente e do Senado
Pelas regras constitucionais, cabe ao presidente da República indicar o procurador-geral, cuja nomeação depende de aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal.
O presidente não é obrigado a escolher um dos integrantes da lista tríplice organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República, procedimento adotado tradicionalmente como forma de ampliar a participação da carreira na definição de sua liderança.
Foi com base nessa prerrogativa que Jair Bolsonaro indicou Augusto Aras em 2019, fora da relação elaborada pela entidade.
Brasil 247