247 – O deputado federal André Janones (Rede-MG) recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (20), após permanecer internado desde a madrugada de segunda-feira (19) no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. Um dos principais responsáveis pela mobilização digital da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar afirmou que retomará imediatamente suas atividades e declarou que a extrema direita perdeu a capacidade de dominar as redes sociais.
Janones foi hospitalizado depois de apresentar arritmia cardíaca, tontura e dificuldades respiratórias durante o debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18), pela TV Bandeirantes. Na saída do hospital, ele concedeu entrevista à imprensa, relatou os sintomas e destacou o trabalho desenvolvido para fortalecer a presença da campanha petista nas plataformas digitais.
“A extrema direita nunca mais vai ter hegemonia nas redes sociais, porque o conhecimento que eu tenho relacionado a maneira de usar as redes sociais, a maneira como o algoritmo funciona, eu passei ele adiante, eu já joguei ele no mundo, então ele não tá mais comigo”, declarou Janones.
O deputado, que foi reeleito para a Câmara, afirmou que pretende voltar às atividades de campanha ainda nesta terça-feira, a cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais. Ele também revelou ter recebido um telefonema de Lula durante o período de internação.
Ao comentar as recomendações médicas, Janones disse que precisará prestar mais atenção à alimentação e à hidratação, mas ressaltou que não recebeu orientações para interromper o trabalho político.
“O que foi passado para mim, independente do tanto que eu tenho que trabalhar nessa reta final, não deixar de me alimentar, de me hidratar, né? Mas pelo que eu sei até aqui, não foi nada grave, nada que eu precisa ter algum cuidado redobrado, e eu volto com força máxima ainda”, afirmou.
O parlamentar também classificou a atuação de sua equipe nas plataformas digitais como uma transformação na comunicação política brasileira.
“A gente fez realmente uma revolução digital no nosso país”, declarou.
Janones relata sintomas durante debate entre Lula e Flávio Bolsonaro
Durante a entrevista coletiva, Janones explicou que os primeiros sinais de mal-estar surgiram aproximadamente meia hora depois do início do debate presidencial.
“Quando cheguei lá para o debate, com 30 minutos mais ou menos de debate, comecei com uma dor de cabeça muito forte, muito intensa, e aí eu comentei com a Luna (Zarattini, deputada eleita), pedi um remédio, acho que a Marina Silva tava ali junto, se eu não me engano foi ela que conseguiu um comprimido”, relatou.
Segundo o deputado, a medicação aliviou parcialmente a dor de cabeça, mas outros sintomas começaram a aparecer.
“Eu tomei esse remédio, a cabeça melhorou um pouco, mas eu percebi que eu estava com muita dificuldade pra respirar, e tava me sentindo um pouco frio, como se tivesse meio gelado”, acrescentou.
Quando deu entrada no hospital, Janones apresentava pressão arterial de 6 por 4 e frequência cardíaca de 130 batimentos por minuto. Os indicadores levaram a equipe médica a iniciar o tratamento com medicamentos e hidratação intravenosa para estabilizar seu quadro clínico.
O parlamentar passou por uma série de exames, incluindo eletrocardiograma, ecocardiograma e angiotomografia das artérias coronárias. Os resultados descartaram comprometimentos cardíacos e vasculares.
A cardiologista e intensivista Ludhmila Hajjar, responsável pelo atendimento, atribuiu a arritmia a um episódio de estresse intenso, associado a fatores como alimentação inadequada e privação de sono.
“Uma combinação de fatores levou ao problema: alimentação ruim, sono ruim e uma descarga forte dos hormônios adrenalina e cortisol. Isso é mais comum do que se imagina e pode acometer pessoas saudáveis também”, explicou a médica.
Após receber alta e conversar com jornalistas, Janones permaneceu em frente ao hospital para tirar fotografias com apoiadores que compareceram ao local.
Deputado prepara mobilização digital na reta final da eleição
À frente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, Janones desempenha papel central na estratégia de comunicação digital da campanha presidencial petista. A ferramenta reúne mais de 5 milhões de seguidores e distribui conteúdos de mobilização, vídeos, áudios e orientações sobre como ampliar a circulação de publicações favoráveis à reeleição do presidente.
Mesmo durante a internação, o deputado continuou participando das atividades digitais. Nesta terça-feira, antes de deixar o hospital, ele gravou mensagens de áudio com orientações aos integrantes do canal.
Entre as recomendações, pediu que os apoiadores de Lula evitassem interagir com publicações de eleitores de Flávio Bolsonaro, argumentando que comentários e outras formas de interação poderiam aumentar o alcance dos conteúdos adversários por meio dos algoritmos das plataformas.
A alta hospitalar também foi anunciada antecipadamente nas redes sociais do parlamentar e no próprio canal de WhatsApp, acompanhado de um convite para que militantes comparecessem à saída do hospital.
“Bom dia ! Hoje às 13:13 vou ter alta hospitalar. Na saída do hospital, vou aproveitar pra bater um papo pessoalmente com vocês e passar algumas orientações e direcionamentos sobre os próximos passos para a batalha final que se aproxima. Quem puder comparecer, está convidado. Será às 13:13 hs, no hospital Vila Nova Star”, publicou.
Canal “Exército do Lula” foi alvo de disputa no TSE
A atuação digital coordenada por Janones também esteve no centro de uma disputa jurídica durante a campanha eleitoral.
Na semana passada, a campanha de Lula formalizou o canal “Exército do Lula” como um endereço oficial de comunicação eleitoral perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A medida ocorreu após decisões do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que estabeleceu condições para a continuidade das atividades da ferramenta, incluindo seu registro formal junto à Justiça Eleitoral.
O canal havia sido atingido por uma sequência de decisões judiciais divergentes nos dias anteriores. Em determinado momento, chegou a ficar indisponível, mas posteriormente recebeu autorização para voltar a funcionar.
Com a regularização, o entendimento no TSE passou a permitir sua utilização nas atividades oficiais da campanha à reeleição de Lula.
Brasil 247