Goiânia recebe, entre esta sexta-feira, 6, e domingo, 8, a primeira edição do Encontro Cerratense de Observação de Aves (ECOA). Realizado no Instituto de Formação Superior Indígena Takinahaky, no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), o evento é uma iniciativa do projeto ÓIA Passarinhar em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tem como objetivo integrar os participantes com a natureza.
A programação é gratuita e, durante os três dias, o público poderá participar de passarinhadas, palestras, mesas-redondas, atividades de educação ambiental, experiências para crianças, feira de iniciativas relacionadas à natureza, atividades culturais e espaços de divulgação das rotas de turismo de observação de aves em Goiás.
A programação aborda temas como conservação do Cerrado, avifauna goiana, ciência cidadã, turismo sustentável, fotografia de natureza, educação ambiental e sociobiodiversidade. Em entrevista ao Jornal Opção, a bióloga e doutora em Ecologia e Evolução pela UFG, Letícia Martins Rabelo, vice-coordenadora do projeto ÓIA Passarinhar, explicou que o evento é inspirado no Avistar Brasil, encontro de observadores de aves da América Latina que já acontece há 22 anos em São Paulo.
Segundo ela, o ECOA “vai unir tanto pesquisa, ciência cidadã, educação, observação de aves e turismo de base comunitária”. Letícia destacou que o ÓIA Passarinhar atua desde 2018 na formação de guias para condução de observadores de aves, além de desenvolver projetos de pesquisa como o GeoAves, na região de Terra Ronca, e o Araguaia Vivo 2030, nas cidades de Luiz Alves, Aruanã e Barra do Garças.
A partir desse trabalho, foram criadas seis macrorrotas em Goiás e no Entorno do Distrito Federal, com espécies diferentes em cada região. “O evento ECOA vem nessa perspectiva da gente apresentar essas rotas, da gente receber a comunidade em geral”, afirmou.
Letícia Martins | Foto: Arquivo pessoal Quando questionada sobre a importância do evento para a conservação do Cerrado, Letícia explicou que a observação de aves gera dados valiosos sobre distribuição, comportamento e saúde das populações, ajudando a mapear espécies endêmicas, ameaçadas ou migratórias.
Além disso, o birdwatching (observação de aves) movimenta a economia local de forma de baixo impacto, gerando renda alternativa para comunidades rurais e tradicionais. “A gente quer trazer mais as pessoas para dentro da universidade, mostrar o que estamos fazendo, quais são as pesquisas que são desenvolvidas.
A ideia é que as pessoas tragam esse olhar para a natureza de forma geral, da importância que ela tem para a nossa vida”, destaca. A bióloga também ressaltou o papel ecológico das aves, que atuam na polinização de plantas, na dispersão de sementes e no controle biológico de pragas, sendo essenciais para a regeneração e o equilíbrio ecológico das matas e campos do Cerrado.
“Infelizmente, a gente não tem como viver sem a natureza em pé. Quanto mais se perde da natureza, mais nós mesmos perdemos”, alertou.
Sobre a programação, Letícia mencionou a participação de Neiva Guedes, pesquisadora responsável pelo Instituto Arara Azul, do Pantanal, e de grupos como o Observaves (DF), o Goiaves (Goiânia) e o projeto Meu Cerrado de Asas e Flores (Minas Gerais). Haverá ainda mesas-redondas sobre turismo de base comunitária e o papel das comunidades tradicionais na conservação da biodiversidade.
“O turismo de observação de aves já é consolidado mundialmente e, aqui no Brasil, tem sido mais discutido nos últimos anos”, comentou. Letícia também falou sobre as perspectivas profissionais que o evento pode abrir.
Segundo ela, um curso de guia para observação de aves custa entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, valor que nem todos têm para investir. Por isso, o ÓIA Passarinhar tem trabalhado em parceria com instituições como Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prefeituras, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) e o Goiás Turismo para levar aperfeiçoamento a quem se interessa pela área.
“A ideia é mostrar outras perspectivas para pessoas que querem trabalhar com esse turismo, que querem trabalhar com as aves”, afirmou. A inscrição oficial para a 1ª edição do ECOA é gratuita e deve ser realizada previamente na página oficial do evento .
Há também a modalidade Inscrição + Kit, no valor de R$ 50,00, que dá direito a uma ecobag, bloco de notas, marca-páginas e botton, além de contribuir para a realização da iniciativa sem fins lucrativos. O prazo para essa modalidade vai até quinta-feira, 5.
Confira a programação completa: Sexta, 06/11
Credenciamento: 08:00-09:00 Ninho Ecoa: 08:00-16:00
Abertura oficial – Encontro de Saberes: Aves, Experiências e Territórios: 16:30-17:00 Atividade Cultural: 17:00-18:00
Sábado, 07/11 Vivência: Passarinhada: 06:30-07:30
Credenciamento: 08:00-09:00 Experiências do Cerrado: Olhares e Vivências na Observação de Aves: 09:00-09:50
Propriedades Privadas e Órgãos de Controle: contribuições para a conservação e proteção da fauna: 10:00-10:50 Experiências que Inspiram: Histórias pela Conservação da Biodiversidade: 11:00-12:00
Goiás na Rota I: Observação de Aves e Biodiversidade do Cerrado Goiano: 14:00-14:50 Passarinhar é descobrir – experiências das crianças na observação de aves: 14:00-16:00
Mesa temática: Territórios da Sociobiodiversidade: 15:00-16:50 Atividade Cultural: 17:00-18:00
Domingo, 08/11 Vivência: Passarinhada: 06:30-07:50
Credenciamento: 08:00-09:00 Observar para Conhecer: 08:00-09:20
Goiás na Rota II: Observação de Aves e Biodiversidade do Cerrado Goiano: 09:30-10:50 Instituto Arara Azul: 11:00-12:00
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