Ruas confirma secretaria única de Segurança, promete reduzir número de pastas e evita falar sobre Flávio Bolsonaro

Ruas confirma secretaria única de Segurança, promete reduzir número de pastas e evita falar sobre Flávio Bolsonaro - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL), confirmou nesta terça-feira que vai adotar um modelo de Segurança Pública com uma única secretaria responsável pela coordenação das polícias Civil e Militar, cujos comandos ficarão subordinados ao titular da pasta. A estrutura, segundo reforçou, foi um compromisso assumido durante a pré-campanha.

No mesmo anúncio, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Centro, Ruas afirmou que pretende reduzir o número de secretarias estaduais das 31 atuais para um total entre 21 e 23. O desafio das contas: arrecadação do Estado do Rio melhora, mas investimentos para 2027 ainda devem ser limitados

Duas cidades nos extremos: Rio das Flores deu mais de 63% a Lula no segundo turno; em São José do Vale do Rio Preto, Flávio conquistou 75% do eleitorado Durante entrevista, o governador eleito evitou responder a uma pergunta sobre o senador Flávio Bolsonaro e a carta golpista divulgada após o resultado do segundo turno das eleições.

Ruas havia se comprometido a responder a cinco perguntas dos jornalistas, mas permaneceu em silêncio quando foi questionado sobre o assunto. Anderson Monteze será o secretário da nova pasta de Planejamento, Gestão e Inovação do Rio de Janeiro

Divulgação — Em relação à Segurança Pública, em breve a gente vai anunciar os nomes da nossa equipe.

Desde o início da pré-campanha, eu sempre me manifestei a favor do modelo que todos os estados do Brasil adotam, que é uma Secretaria de Segurança com o comando da Polícia Civil e o comando da Polícia Militar abaixo desse secretário. E é isso que a gente vai fazer.

Foi isso que eu apresentei à população e foi isso que a população escolheu nas urnas. Então, não posso fazer nada diferente daquilo com que me comprometi com a população — afirmou.

Alerj começa a discutir Orçamento do estado para 2027 nesta terça; Executivo estima déficit de quase R$ 14 bi Durante a coletiva, o governador enfatizou que a população votou e elegeu seu plano de governo chamado de Rio Real.

Estavam presentes Bruno Bonetti, cotado para assumir a pasta de Comunicação e Relações Institucionais; e Fábio Araújo, que será anunciado como chefe de gabinete de Ruas. Também participaram os deputados estaduais Anderson Moraes (PL), candidato do partido à presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), e outros integrantes da equipe política do governador eleito.

Equipe de transição de Ruas: Anderson Monteze (da esquerda para a direita); Maria Gabriela Bessa; Fábio Araújo (Fabinho); e Bruno Bonetti Reprodução

Voo livre não é fiscalizado pela Anac; bombeiros atenderam a um acidente a cada 20 dias este ano no Rio Teto de gastos

Ruas também defendeu a proposta de teto de gastos que pretende discutir na Alerj. Segundo ele, o projeto terá como objetivo limitar o crescimento das despesas estaduais à evolução da receita, respeitando os limites estabelecidos pela Constituição Federal e pela legislação federal.

O governador eleito, no entanto, não detalhou se a regra que pretende implementar será mais restritiva do que os limites já previstos no ordenamento constitucional. Para justificar a medida, Ruas argumentou que o desequilíbrio fiscal do estado não foi provocado por uma queda na arrecadação, mas pelo crescimento das despesas em ritmo superior ao das receitas.

Ele citou que, desde 2023, o estado registrou aumento de receita superior a 20%. Após queda de asa-delta no feriado, chega a seis o número de mortos em voos livres em um ano em São Conrado

Maria Gabriela Bessa, coordenadora da equipe de transição do novo governo, será secretária da Casa Civil e Governança Divulgação

— Se a gente voltar em 2023, no último orçamento equilibrado que nós tivemos, quando as despesas cabiam dentro da receita, e verificar o que aconteceu de lá para cá, por que chegamos nesse déficit, a primeira pergunta a ser respondida é: houve uma perda de receita? Não. Nós tivemos um aumento de receita de mais de 20%.

Então, qual o problema? O problema é que a despesa aumentou para além do aumento da receita — disse. O governador eleito comparou a situação a uma família que recebe R$ 4 mil e passa a ganhar R$ 4,8 mil após um reajuste de 20%.

Segundo ele, os gastos não poderiam ultrapassar o novo patamar de rendimentos. A proposta, afirmou, será encaminhada ao Legislativo para discussão.

Fernanda Louback, vice-governadora, acumulará a secretaria de Políticas Inclusivas e da Mulher. Rafael Timileyi Lopes

Casa Civil como centro de governo Maria Gabriela, anunciada como secretária da Casa Civil e Governo e que também coordena a transição de governo, afirmou que a passagem de bastão ocorre de maneira institucional e que as equipes já começaram a solicitar informações às secretarias estaduais para elaborar o diagnóstico da administração.

A expectativa é que os primeiros dados sejam recebidos ainda nesta semana. A futura secretária explicou que a intenção é transformar a Casa Civil e Governança em uma espécie de centro de governo, responsável pelo planejamento estratégico, pela integração das políticas públicas e pelo acompanhamento das metas da gestão.

A execução das ações, por sua vez, ficará concentrada nas secretarias responsáveis por cada área. Entre os temas que deverão ficar sob a coordenação da Casa Civil estão projetos de concessões e estudos relacionados ao metrô.

A proposta também prevê rever a atual estrutura da pasta, que, segundo Gabriela, concentra atividades executivas que poderiam ser distribuídas entre outras secretarias. — A Secretaria da Casa Civil e Governança precisa ser uma secretaria-meio, que integre e coordene as outras políticas, que vão estar cada uma ligadas às suas secretarias.

Hoje temos um modelo que consideramos inchado, do ponto de vista de existirem execuções sendo realizadas dentro da Casa Civil, e pretendemos rever esse modelo — explicou. A futura secretária afirmou que ainda não há uma definição sobre o desenho final da administração, já que o levantamento de informações está em andamento.

Ela também evitou antecipar as entregas previstas para os primeiros 100 dias de governo. Segundo Gabriela, a equipe está avaliando o que será possível executar no período para evitar promessas que não possam ser cumpridas.

Entre as prioridades já estabelecidas no plano de governo, chamado Rio Real, estão a segurança pública, as políticas para as mulheres e o apoio aos municípios. A política para as mulheres, destacou, deverá ser transversal, com ações desenvolvidas por diferentes áreas da administração.

A equipe de transição já realizou reuniões com representantes do governo atual sobre o enfrentamento às emergências climáticas, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e futuras modelagens com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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