Ganho de peso significa mais músculos? Entenda após mudança de Ruivinha de Marte

Ganho de peso significa mais músculos? Entenda após mudança de Ruivinha de Marte - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A transformação física de Ruivinha de Marte voltou a chamar atenção nas redes sociais. A influenciadora, que já chegou a pesar cerca de 43 quilos, compartilhou imagens de antes e depois e mostrou o corpo mais musculoso após mudanças na alimentação e a adoção de uma rotina de exercícios.

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Agora com mais de 60 quilos, ela surpreendeu os seguidores e brincou ao rever uma fotografia antiga: "Cadê ela?". A mudança despertou a curiosidade sobre o processo de hipertrofia e os cuidados envolvidos no ganho de massa muscular.

Ruivinha de Marte mostra antes e depois e levanta curiosidade sobre ganho muscular Reprodução Instagram

Apesar de a diferença no corpo ser evidente, o aumento de peso não significa, necessariamente, que houve ganho de músculos. A variação na balança pode envolver diferentes fatores, como o crescimento da massa muscular, o acúmulo de gordura e a retenção de água.

Por isso, observar apenas o peso não é suficiente para entender as mudanças no organismo. Para o médico Renan Bosio, ortopedista com atuação em nutrologia e medicina do esporte, a musculatura tem funções que vão além da aparência.

Ela está relacionada à força, à mobilidade, ao metabolismo e à manutenção da autonomia ao longo da vida. "O músculo não deve ser entendido apenas como uma questão estética.

Ele está diretamente relacionado à força, mobilidade, independência funcional, metabolismo e qualidade de vida. Por isso, qualquer avanço científico que consiga interferir de maneira mais específica na preservação ou recuperação da massa muscular merece atenção", explica.

A médica Gabriela Rossmam, especialista em Clínica Médica, com formação complementar em nutrologia esportiva e atuação em emagrecimento e saúde metabólica, também chama atenção para a diferença entre ganhar peso e modificar a composição corporal. Uma pessoa pode, por exemplo, apresentar aumento da gordura abdominal e redução da massa muscular sem que a balança registre uma grande alteração.

"Existe uma diferença entre ganhar peso e mudar a composição corporal. Algumas mulheres percebem que a cintura aumentou mesmo sem uma grande alteração na balança.

Isso acontece porque pode haver aumento de gordura abdominal e redução de massa muscular. Por isso, olhar apenas para o peso não é suficiente para compreender o que está acontecendo", afirma.

O desenvolvimento dos músculos depende de uma combinação de fatores, entre eles exercícios de força, alimentação adequada e períodos de recuperação. A ingestão de proteínas e de calorias em quantidade suficiente também participa desse processo.

No caso de Ruivinha, que já relatou fazer várias refeições ao longo do dia, vale lembrar que não existe um número universal de refeições capaz de garantir a hipertrofia. Renan ressalta que a resposta aos estímulos físicos e alimentares varia de pessoa para pessoa.

Idade, histórico de saúde, rotina e intensidade dos exercícios são alguns dos aspectos que precisam ser considerados na definição de metas e estratégias. "Não existe uma única estratégia para todos.

Idade, composição corporal, alimentação, nível de atividade física, doenças associadas e medicamentos utilizados precisam ser considerados. A preservação muscular é uma parte importante do planejamento, principalmente em processos de perda de peso", pondera.

A repercussão de transformações como a da influenciadora também abre espaço para uma discussão sobre a influência das redes sociais na busca por mudanças físicas. Imagens de antes e depois podem despertar interesse e servir de inspiração, mas também favorecer comparações e levar à adoção de métodos que não consideram as necessidades de cada organismo.

"Cada paciente possui uma história, uma rotina e objetivos diferentes. É por isso que copiar exatamente aquilo que alguém fez nas redes sociais pode não trazer o mesmo resultado.

O emagrecimento precisa ser individualizado e pensado dentro da realidade de cada pessoa", observa Gabriela. Outro cuidado envolve a tentativa de acelerar o desenvolvimento muscular com hormônios sem indicação médica.

Embora alterações hormonais possam interferir na composição corporal, a reposição só deve ser considerada quando há uma necessidade clínica comprovada. "Não podemos transformar a reposição hormonal em um atalho para resultados físicos.

A construção de massa muscular depende de estímulo adequado, ingestão de nutrientes, recuperação e constância. Quando existe uma alteração hormonal verdadeira, ela deve ser tratada, mas isso é diferente de administrar hormônios em níveis elevados para acelerar resultados estéticos", alerta Renan.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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