No país da gambiarra, recursos voltados a promover comércio exterior vão bancar combustível usado pela Azul em voos nacionais A Azul anunciou no sábado, 24, uma operação de financiamento de até R$ 2 bilhões para comprar combustível destinado a seus voos domésticos.
O empréstimo terá cobertura de risco da União, por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). É difícil imaginar exemplo mais claro de desvio de finalidade de um instrumento de política pública.
Um fundo criado para apoiar exportações será utilizado para garantir o financiamento de despesas operacionais de uma companhia aérea – atenção agora – no mercado interno. A Azul enfrenta dificuldades financeiras, agravadas pela disparada do preço do querosene de aviação.
O combustível acumula alta de 53,3% neste ano, segundo a Petrobras. O problema é real.
Mas não explica por que um fundo destinado a facilitar negócios internacionais deve assumir o risco de uma operação que não tem relação direta com exportações. O governo já dispõe de um instrumento específico para apoiar o setor aéreo: o Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac).
Em julho, o BNDES anunciou linhas de crédito que somam R$ 13,5 bilhões, incluindo R$ 8 bilhões para capital de giro. Pode-se discutir a conveniência desses financiamentos, mas ao menos existe uma correspondência entre a finalidade do fundo e o setor beneficiado.
O governo deveria explicar qual é o vínculo entre esse financiamento e a promoção das exportações. Deveria esclarecer por que os mecanismos de apoio à aviação já existentes não são suficientes.
O mais provável é que não explique nada, nem sequer seja cobrado. O Brasil é o país da gambiarra.
O Antogonista