247 – O Fundo Baobá prorrogou as inscrições para o edital de apoio coletivo do Programa Marielle Franco até a próxima segunda-feira (26). Serão selecionadas dez organizações, grupos, coletivos, redes ou movimentos de mulheres negras (pretas e pardas) cis, trans ou travestis de todo o país. As iniciativas podem ser formalizadas ou não, ou seja, com ou sem CNPJ, e cada uma receberá e cada uma receberá R$ 300 mil ao longo de 20 meses, com foco institucional, totalizando um investimento direto de 3 milhões. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas acessando o link Programa Marielle Franco.
Os relatos da Abayomi – Coletivo de Mulheres Negras da Paraíba e do Mulheres Negras Decidem – selecionadas na primeira edição do Programa Marielle Franco – Apoio Coletivo – ajudam a entender o impacto e as transformações que ocorrem com organizações apoiadas pelo programa do Fundo Baobá. Essas duas organizações, por exemplo, utilizaram o apoio para ampliar suas condições de atuação, fortalecer suas estratégias políticas e abrir caminhos para novas parcerias. Embora tenham histórias e campos de atuação diferentes, ambas encontraram no programa uma oportunidade de organizar suas estruturas e planejar o futuro com mais consistência. Os resultados mostram a importância de um apoio que vai além do financiamento de atividades, e reconhece que organizações fortes precisam de condições para manter suas equipes, aprimorar sua gestão e dar continuidade ao trabalho que realizam.
Para a Abayomi, o apoio do Fundo Baobá teve um significado especial: foi o primeiro financiamento recebido por elas mesmo antes de possuir um CNPJ. O recurso permitiu que suas integrantes elaborassem a organização interna e atuação externa de forma mais estratégica, dando um novo impulso ao trabalho desenvolvido junto às mulheres negras da Paraíba.
Durvalina Rodrigues, da Coordenação Executiva da Abayomi.
Créditos: Arquivo Pessoal de Durvalina
Durvalina Rodrigues, da Coordenação Executiva da Abayomi, fala sobre a importância do apoio obtido. “As mudanças se deram no fortalecimento institucional, na ampliação da compreensão sobre a gestão organizacional e de projetos, e também na ampliação da consciência sobre o sentido político da Abayomi”, destaca Durvalina.
Mulheres Negras Decidem – Já para o movimento MND, uma das principais contribuições do Programa Marielle Franco foi criar condições para a continuidade e a consolidação do trabalho que já vinha sendo desenvolvido. Naquele momento, o movimento experimentava um crescimento expressivo, mas precisava fortalecer sua estrutura para acompanhar essa expansão.
Encontro de articuladoras do Mulheres Negras Decidem (MND) no Rio de Janeiro.
Créditos: Arquivos do MND
A atuação estava mais concentrada no Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde viviam as fundadoras. O apoio permitiu organizar melhor a equipe e garantir a presença do movimento em outras regiões do país. Como resultado, a iniciativa alcançou mulheres negras em 19 estados brasileiros, construindo as bases para uma atuação nacional mais consistente. Uma das mudanças mais concretas foi a criação de uma equipe mínima remunerada, com dedicação exclusiva ao desenvolvimento do movimento.
Brasil 247