Fumaça de queimadas encobre Alter do Chão (PA) e qualidade do ar no famoso destino turístico fica 'muito insalubre'; vídeo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Navegantes do Rio Tapajós perceberam o céu esfumaçado na manhã desta segunda (19), na altura de Alter do Chão, em Santarém (PA). A fumaça de queimadas que já tomou as cidades de Manaus e Porto Velho nas últimas semanas agora encobre o famoso destino turístico do Pará, estado que concentra mais de um terço de todos os focos de queimada do país em outubro. Segundo o instituto internacional IQAir, a qualidade do ar na cidade ficou em nível "muito insalubre".  Fumaça do fogo chegou em Rondônia: veja o antes e depois das imagens aéreas de Porto Velho O caminho da fumaça: veja as rotas de ventos que transportaram fuligem das queimadas do Pará e do Amazonas até Manaus Entenda: Crise da fumaça no Amazonas gera embate entre governos e mobiliza aviões da Força Aérea Fumaça de queimadas do Amazonas chegam em Santarém (PA) Os dados do IQAir mostram que a qualidade do ar de Santarém começou a piorar na virada da última madrugada, a partir da meia noite, e o ápice da poluição foi na faixa entre 7h e 8h desta segunda, quando o Índice de qualidade do ar (AQI⁺) alcançou 284, categoria "muito insalubre".  A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 209 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no mesmo horário. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o limite recomendável de PM2.5 é uma concentração de 15 (µg/m³) na média de 24 horas.  No domingo (18), a média de PM2.5 em Santarém foi de 69,8. No início do mês, Manaus, registrou um pico de 344,5 µg/m³ e teve a pior qualidade de ar do Brasil. 'Manhã triste' Em um vídeo, o ativista Caetano Scavinno, integrante do Observatório do Clima e coordenador da ONG Saúde e Alegria, mostrou o nível de fumaça que impedia a visibilidade clara ao longo do Rio Tapajós. — É uma manhã triste. O El Niño está batendo cada vez mais forte na nossa região, e Alter do Chão e o Tapajós amanhecendo sob uma intensa fumaça, uma das piores qualidade de ar do país, em decorrência dessas queimadas — afirmou Scavinno, que destacou como a seca, impulsionada pelo El Niño, provoca dificuldades em comunidades ribeirinhas. — A gente sabe o quanto aldeias e comunidades sofrem com essa situação. Quem menos contribuiu para esse caos climático que a gente está vivenciando é quem mais acaba impactado. Com base em estudos que já foram divulgados, o ativista afirmou que a situação é especialmente preocupante, pois estima-se que o ápice dos efeitos do El Niño na Amazônia seja sóem novembro.  --- (Serão) dificuldades crescentes de deslocamento, transporte escolar,  remoção de pacientes acesso à água. É difícil explicar para sociedade de outras regiões que a população que habita a maior bacia hidrográfica do mundo vivencia estresse hídrico — alertou Caetano Scavinno Queimadas em Pará Conforme destacado pelo próprio ministro do Meio Ambiente, João Capobianco, em coletiva de imprensa na semana passada, o El Niño acabou atrasando o início da época de seca na Amazônia, que tradicionalmente causa muitos incêndios florestais em agosto e setembro. No Pará, os problemas se intensificaram em outubro. Desde o início do mês, houve 19.035 focos de queimada no Brasil. Mais de um terço (36%) aconteceu no Pará: 6.844. Com isso, em apenas 19 dias, a área queimada no estado já é 102% maior que a média histórica de outubro, de acordo com o sistema Alarmes do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da UFRJ.  Média histórica de área queimada em outubro no Pará:  421.072 hectares Área queimada em outubro no Pará (até o dia 19): 852.418 hectares (102 % acima da média histórica) Focos de queimada no Brasil desde o início de outubro: 19.035  Focos de queimada no Pará desde o início de outubro: 6.844 (36% do total)

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