247 – O deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE), líder do partido na Câmara, afirmou nesta segunda-feira (19) que partidos de centro articulam uma aliança para apoiar a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. Em entrevista ao SBT News, ele disse que o grupo reúne cerca de 260 parlamentares e pretende atuar como força de moderação política, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.
A articulação foi formalizada em um documento conjunto assinado por presidentes e líderes do Republicanos, União Brasil, PP, PSD, MDB e Podemos. Segundo Coutinho, a iniciativa busca antecipar resistências à candidatura de Motta e limitar a influência de bancadas mais extremadas no comando do Congresso Nacional.
“O centro cumpre um papel de equilibrar os extremos da esquerda e da direita. Essa união mostra que a relação da Câmara dos Deputados não será de submissão a quem quer que seja o presidente da República. É um Poder independente, que precisa de harmonia e convergência nos temas de interesse do país”, declarou.
Coutinho afirmou que a aliança não está condicionada ao resultado da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O grupo também defende que a presidência da Câmara e a do Senado não sejam concentradas em uma mesma legenda governista.
“Esse centro estará unido na eleição da Mesa Diretora. Hugo Motta tem sido um presidente equilibrado, justo e que cumpre compromissos”, disse o deputado.
Partidos discutem mudanças no sistema eleitoral
Além da articulação em torno da presidência da Câmara, Coutinho afirmou que lideranças partidárias discutem alterações no sistema eleitoral proporcional brasileiro. Entre as alternativas mencionadas estão o distritão e o voto distrital misto.
Segundo o parlamentar, as conversas buscam ajustar a representatividade política, sem configurar uma reforma política ampla. A discussão ganhou impulso, de acordo com ele, diante do crescimento de candidaturas que conquistam muitos votos por meio do engajamento nas redes sociais, mesmo sem uma trajetória consolidada na vida pública.
“Com o advento da internet, as pessoas muitas vezes votam em um personagem e não em uma trajetória pública. Você vê pessoas fazendo cortes para agredir e viralizar, tanto na direita quanto na esquerda. Precisamos de cautela com a representatividade do Congresso; o Brasil não pode viver refém dessa polarização”, afirmou.
O deputado também apontou a necessidade de rever mecanismos do sistema proporcional que permitem a eleição de candidatos com votos transferidos por outros nomes da mesma legenda. Coutinho, no entanto, ressaltou que ainda não existe uma proposta legislativa definida sobre as mudanças.
Brasil 247