Fumaça das queimadas ameaça a saúde respiratória na Amazônia

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Fonte da notícia: O Liberal O Liberal

A fumaça das queimadas na Amazônia representa um risco para a saúde de milhares de pessoas, inclusive daquelas que vivem longe das áreas atingidas pelo fogo. Transportados pelo vento, os poluentes podem comprometer a qualidade do ar em municípios e estados diferentes daqueles onde as queimadas ocorrem, aumentando os riscos de problemas respiratórios.

Além do desconforto provocado pela fumaça, a exposição pode desencadear inflamações nas vias respiratórias, agravar doenças preexistentes e prejudicar a função pulmonar. O alerta é da pneumologista e professora, Edilene Silva de Oliveira.

Segundo a especialista, a fumaça contém partículas microscópicas e gases que não são percebidos apenas pela aparência do ar e podem alcançar regiões profundas dos pulmões. Os efeitos dependem da concentração dos poluentes, do tempo de exposição e das condições de saúde de cada pessoa.

Ardência nos olhos, irritação no nariz e na garganta, espirros, coriza, tosse, dor de cabeça e dificuldade para respirar estão entre os sintomas que podem surgir após o contato com a fumaça. Em pessoas com asma, a exposição pode agravar a inflamação dos brônquios e desencadear crises com chiado no peito, tosse e falta de ar.

Mesmo quem não tem diagnóstico de doença respiratória pode apresentar sintomas quando permanece por períodos prolongados em ambientes com ar poluído. “A fumaça não deve ser encarada apenas como um incômodo ambiental.

Trata-se de um fator que pode comprometer a saúde respiratória de pessoas com e sem doenças preexistentes”, alerta Edilene. Crianças e idosos precisam de mais cuidados

Embora os poluentes possam afetar pessoas de todas as idades, bebês, crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), estão entre os grupos mais vulneráveis. Pessoas com doenças cardiovasculares também precisam de atenção especial.

Nas crianças, os responsáveis devem observar sinais como respiração acelerada, esforço para respirar, piora da tosse durante a noite e dificuldade para brincar, mamar ou se alimentar normalmente. Essas alterações podem indicar comprometimento respiratório e precisam ser avaliadas.

Exposição também pode afetar a saúde mental Os impactos das queimadas não se limitam ao sistema respiratório.

O medo, a sensação de impotência diante do avanço do fogo e a exposição repetida a situações de risco também podem afetar a saúde mental de quem convive com o problema. Segundo o psicólogo e professor, Adymailson Santos, a exposição frequente a situações de ameaça pode manter o organismo em estado constante de alerta, favorecendo sintomas de estresse, ansiedade, irritabilidade, alterações no sono e dificuldade de concentração.

A sensação de não conseguir mudar a situação também pode prejudicar o humor, as relações sociais e a qualidade de vida. Por isso, os efeitos emocionais associados às queimadas também merecem atenção.

Quando procurar atendimento Dificuldade intensa para respirar, dor no peito, piora acentuada do chiado, lábios azulados ou acinzentados, confusão mental e desmaio são sinais de alerta que exigem atendimento de urgência.

Em crianças, respiração muito acelerada, afundamento da região entre as costelas durante a inspiração e dificuldade para mamar, falar ou se alimentar também requerem avaliação imediata. Em situações graves, a orientação é procurar um serviço de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.

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