Giulia Gam fez um alerta sobre o abuso de medicamentos em consultórios psiquiátricos. Em entrevista ao videocast do GLOBO 'Conversa vai, conversa vem', disponível no canal do jornal no Youtube e no Spotify, atriz revelou que acabou ingerindo um coquetel de remédios que se tornou um verdadeiro 'frankenstein'. O resultado foi que vivia topada e sem sentir nada. Letra o trecho: Teve um acidente de percurso. Fui excessivamente medicada e faço um alerta: a psiquiatria tem que tomar cuidado. Há diagnósticos sérios, específicos, onde a medicação ajuda brutalmente, estabiliza a pessoa e tal. A ideia é que o remédio segure num momento de crise. Mas ele embota o sentimento, não deixa que se pense na origem daquilo e como resolver. É preciso ter o momento da retirada. Porque é óbvio que não se consegue carregar aquela sua crise para sempre, e o remédio tem um tempo específico. Ele te dopa. Eu resolvi mudar radical. Fui para uma grande endocrinologista para ver meu metabolismo e uma psiquiatra que realmente me ouviu. Falei: "Quero retirar essa medicação, não tá legal".
Maria Rita. 'Não ouço minha mãe porque dói' Tomava antidepressivo? Era um festival, porque vai aumentando: regulador de humor, um cai, outro levanta e vai criando um 'frankestein'. Não sabe mais o que é seu e o que não é. E você não decide mais nada porque não sente mais nada.
Mais Giulia Gam. Atriz revela que filho foi motivação para se tratar: 'Nunca desacreditou de mim', diz ela, em entrevista ao 'Conversa vai conversa vem'; assista Perde um pouco a identidade. Encontrou um equilíbrio de medicação com a médica? Ela é uma super psiquiatra de São Paulo. Dentro das coisas que eu senti, era um TOP, um pensamento obsessivo. E ela é especialista nisso. Conversando, falei que não foi diagnosticado depressão, bipolaridade ou borderline. E que queria experimentar sem remédio, porque estava muito ruim com. E ela bancou. Falou: "Vamos retirar e ir vendo como se sente". Foi um processo que começou em novembro do ano passado. Achei que ia levar pelo menos uns dois anos.
Até que foi rápido... Sim. Só que, em contrapartida... Por conta de uma hérnia, tomava pregabalina, que pode deixar menos ansioso, porque dopa já que é um remédio feito para tirar dor. Eu não sentia dor. Quando, tirei a pregabalina, percebi a hérnia e um monte de coisas. Dor é um sinal do corpo, né? Não adianta tirá-la, ela está te avisando alguma coisa. Comecei um movimento forte com o meu corpo, que hoje é o meu guia. Ele te dá sinais precisos dos seus traumas e emoções. Se alguma coisa te machucou aqui e você encostar, vai lembrar exatamente. E o trabalho do ator é esse: o nosso corpo não distingue a realidade da fantasia. Quando está interpretando, sente no corpo. Você sabe que não é, mas seu corpo interpreta aquilo como se fosse... Ele vai suar, o coração vai acelerar, sua memória muscular vai ficar funcionar.
Conseguiu tirar a medicação toda? Toda. E aí vivo esse renascimento mesmo, sou outra pessoa. Estou muito feliz. Na vida, a gente tem que entender que é o yin e yang, em cima e embaixo. Mas se eu puder ter um caminho do meio... Estou buscando o equilíbrio. Mas não sei se depois desse renascimento, vai ter Primeira Guerra Mundial, entendeu? (risos) Vira essa boca pra lá.
Espero que não.
O Globo