247 – A equipe jurídica responsável pela campanha do presidente Lula (PT) acionou novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a punição da multinacional de tecnologia Meta por descumprir ordens da Justiça Eleitoral e favorecer o candidato oposicionista no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com a acusação protocolada na corte, o conglomerado controlador do Instagram, Facebook e WhatsApp estaria empregando mecanismos de inteligência artificial generativa e inteligência algorítmica para amplificar e impulsionar indevidamente a candidatura do parlamentar do PL, informa o jornal O Globo.
A petição encaminhada ao relator do processo na corte eleitoral, ministro Marco Aurélio Bellizze, aponta que o grupo empresarial insiste em condutas que afetam a equidade da disputa, desrespeitando deliberações anteriores emitidas pelo tribunal que visavam assegurar a isonomia na veiculação de conteúdos políticos.
O documento detalha que o canal oficial de Flávio Bolsonaro na plataforma WhatsApp e a conta do senador no Instagram continuam sendo indicados ativamente por meio de algoritmos aos usuários, violando expressamente as regras estabelecidas pelo TSE que proíbem tal recomendação.
A coligação petista também denuncia um crescimento “atípico” do perfil no Instagram do deputado federal reeleito por Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL), apontado como uma das principais lideranças do bolsonarismo. Os canais de transmissão e perfis do parlamentar mineiro e do próprio Flávio vêm obtendo alcance e entrega superiores aos de personalidades de fama mundial que possuem volumes substancialmente maiores de seguidores, tais como Beyoncé, Kim Kardashian e Neymar.
Outro ponto levantado envolve a ferramenta de inteligência artificial Meta AI no aplicativo WhatsApp. O sistema passou a gerar representações visuais de personagens populares de ficção, a exemplo da Turma da Mônica, associadas a peças publicitárias com o número 22, referente à candidatura de Flávio. A distorção repetiu-se em solicitações de geração de imagens de objetos e animais sem qualquer menção prévia do usuário ao pleito eleitoral.
Conforme auditorias apresentadas na ação judicial, o sistema recusou-se a criar imagens com o número 13, alegando que não poderia gerar materiais relacionados a candidaturas reais. Quando questionada pelos próprios usuários sobre a liberação de imagens com o número 22, a inteligência artificial assumiu a falha e declarou que a mesma vedação deveria valer para ambos os concorrentes.
Problemas graves também foram apontados no mecanismo de tradução automática do Instagram, que estaria adulterando o sentido original de mensagens de rejeição crítica dirigidas a Flávio Bolsonaro. Manifestações como “Flávio futuro presidiário” e “Nosso futuro presidiário” passaram a ser traduzidas para a língua inglesa como “Flávio future president” e “Our future president”, convertendo o tom dos comentários em mensagens de apoio político.
Para o corpo de advogados do presidente, os novos registros desmentem as declarações anteriores da empresa de tecnologia, que havia justificado os episódios como oscilações operacionais pontuais e garantido a correção dos sistemas.
Ao enfatizar o impacto direto das distorções geradas pelas plataformas na disputa eleitoral, a petição da coligação assinala: “a representada, portanto, não se limita a restringir o alcance da representante, senão fabrica, por algoritmo, a aparência de apoio que não existe”.
Os advogados que subscrevem a representação reforçam no processo a reincidência das falhas mesmo após as advertências da Justiça: “o que os fatos de hoje documentam, portanto, não é a falha pontual que a representada alegou, senão a sua coincidente persistência, dias após decisões reiteradas deste Tribunal Superior Eleitoral”.
O dossiê anexado à representação inclui ainda levantamentos realizados pelas entidades de monitoramento digital Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z. Os testes demonstraram que, ao pesquisar o termo “brasil” na ferramenta de imagens animadas do WhatsApp, a plataforma posiciona como primeiro resultado uma peça publicitária de Flávio Bolsonaro com o número 22. Em contrapartida, ao digitar a palavra “ladrão”, o buscador exibe ilustrações pejorativas contra Lula, retratando o presidente em vestimentas carcerárias.
Brasil 247