A insatisfação dos americanos com o presidente Donald Trump, impulsionada pela disparada de preços no país e pela impopular guerra contra o Irã, está criando um cenário desfavorável para o Partido Republicano a menos de um mês das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, segundo uma pesquisa AP-NORC divulgada nesta quinta-feira (15). Leia também: Trump amplia controle sobre economia com participação em empresas Inflação sobe a 3,7% na reta final para eleição nos EUA Eleição reflete rejeição a Trump e não apoio aos democratas, diz ex-assessor de Clinton
O levantamento, realizado pelo Centro de Pesquisas de Assuntos Públicos da Associated Press-NORC entre 8 e 12 de outubro, mostra que cerca de oito em cada dez eleitores desaprovam a maneira como Trump está lidando com o custo de vida, em linha com uma pesquisa de setembro. Aproximadamente três quartos rejeitam sua condução da economia.
Além disso, a pesquisa revela que os democratas estão mais motivados a comparecer às urnas e têm vantagem na preferência dos eleitores pelo controle do Congresso. Ao mesmo tempo, foi identificado um desejo generalizado de mudanças nos rumos do país, inclusive entre parte da base republicana.
Cerca de metade dos eleitores registrados afirma preferir que o Partido Democrata controle a Câmara dos Deputados ou o Senado, enquanto aproximadamente quatro em cada dez defendem que os republicanos mantenham o comando de cada uma das Casas. Outros 15% estão indecisos. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso.
A vantagem democrata também aparece no entusiasmo dos eleitores, uma vez que aproximadamente três quartos dos democratas consideram "extremamente importante" votar nas eleições de novembro, em comparação com cerca de seis em cada dez republicanos. De modo geral, dois terços dos entrevistados atribuem esse grau de importância ao pleito.
O desgaste de Trump está concentrado justamente na economia e no custo de vida: cerca de 8 em cada 10 eleitores afirmam que esses temas estão entre as prioridades da eleição. Já a saúde e a guerra contra o Irã são mencionadas por dois terços dos entrevistados.
DonnaJean Weber, uma republicana de 72 anos do Michigan, declarou à Associated Press que continuará apoiando candidatos republicanos no pleito de novembro Ela ressaltou, porém,, que não está satisfeita com a situação da economia sob a liderança de Trump.
"Tudo está ficando mais caro", afirmou, apontando para o impacto da guerra contra o Irã, entre outras decisões de Trump. "Também não concordo totalmente com ele em relação a todas essas tarifas. Isso está prejudicando a imagem do país." Preços dos combustíveis exibidos em um posto de gasolina em Greenwood Village, no Colorado AP/David Zalubowski
Outros temas nos quais Trump costuma encontrar maior respaldo, como imigração e criminalidade, aparecem em posições secundárias na lista de prioridades dos eleitores.
O levantamento ainda revela sinais de insatisfação com o governo do republicano dentro do próprio eleitorado de seu partido. Apenas 44% dos eleitores da legenda de Trump aprovam a sua atuação em relação ao custo de vida, enquanto 54% avaliam positivamente sua condução da economia. Na política externa, o apoio do chefe da Casa Branca é maior entre os republicanos, chegando a 69%, em um contexto marcado pelo prolongamento da guerra contra o Irã.
Um ponto ressaltado pela pesquisa é o desejo por mudanças, com cerca de metade do eleitorado afirmando desejar "mudanças substanciais" na maneira como o país é governado, enquanto cerca de três em cada dez defendem uma “transformação completa e total”. Embora esse sentimento seja mais propenso entre democratas e independentes, ele também está presente entre os republicanos: 45% dos eleitores do partido querem mudanças substanciais e 13% defendem uma reformulação radical.
"Estou meio cansada de mandar pessoas para lá e nada ser feito. Nada está mudando", afirmou à Associated Press Krista Kohles, uma eleitora republicana de 70 anos de Nebraska.
Apesar do ambiente favorável à oposição, a pesquisa mostra que o Partido Democrata ainda enfrenta dificuldades para conquistar a confiança do eleitorado. Apenas cerca de quatro em cada dez eleitores têm uma visão favorável da legenda, ao mesmo tempo em que aproximadamente metade manifesta uma opinião negativa. Entre os republicanos, a rejeição é ainda maior, chegando a cerca de seis em cada dez eleitores.
A diferença mais importante aparece entre os independentes, um segmento considerado crucial para o resultado das eleições. Cerca de dois terços desse grupo têm uma opinião negativa do Partido Republicano, em comparação com aproximadamente quatro em cada dez que avaliam desfavoravelmente os democratas.
O vice-presidente J.D. Vance, considerado um possível sucessor de Trump na disputa presidencial de 2028, também enfrenta resistência, com aproximadamente metade dos eleitores tendo uma opinião “um pouco” ou “muito” negativa sobre ele, ao passo em que apenas cerca de um terço manifesta uma avaliação positiva.
A pesquisa AP-NORC ouviu 1.119 adultos, dos quais 925 eram eleitores registrados, entre 8 e 12 de outubro. A margem de erro é de 3,9 pontos percentuais para o conjunto dos adultos e de 4,2 pontos percentuais para os eleitores registrados, para mais ou para menos.
Metade dos eleitores deseja 'mudança substantiva' na condução do governo AP/Alex Brandon
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