China e Coreia do Norte inauguram ponte fronteiriça para impulsionar o comércio

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Fonte da notícia: Valor Valor

A China e a Coreia do Norte inauguraram oficialmente nesta quinta-feira sua mais importante passagem de fronteira terrestre, visando reativar o comércio após anos de relações tensas e interrupções causadas pela pandemia de covid.

Caminhões adornados com as bandeiras nacionais dos dois países atravessaram a Nova Ponte sobre o Rio Yalu — uma estrutura de 3 km de extensão cuja inauguração foi bastante adiada.

A ponte estaiada, cujos pilares imponentes também estavam decorados com bandeiras, conecta a cidade chinesa de Dandong à Coreia do Norte.

Grupos de espectadores reuniram-se ao longo de uma via no lado chinês, com vista para a ponte — concluída em 2014, mas que permaneceu sem uso enquanto o lado norte-coreano não finalizava as vias de acesso e as instalações alfandegárias.

Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou em uma mensagem em vídeo durante a cerimônia que as relações bilaterais "estão entrando em uma nova fase, iniciando um novo capítulo". Ele acrescentou que a passagem de fronteira "impulsionará fortemente" a cooperação econômica e comercial, além de fortalecer os intercâmbios entre os dois povos.

Li destacou ainda que a iniciativa oferece uma oportunidade para aprimorar os procedimentos de liberação fronteiriça, aumentar a conectividade e promover a cooperação nas áreas de fronteira.

O primeiro-ministro norte-coreano, Pak Thae Song, também enviou uma mensagem em vídeo, informou a Xinhua; contudo, a mídia estatal norte-coreana ainda não noticiou o evento.

A abertura é o sinal mais recente de uma reaproximação entre Pequim e Pyongyang, após dois encontros entre seus líderes no último ano. Apesar do potencial impulso econômico que o comércio ativo poderia proporcionar, analistas observam que a Coreia do Norte mantém uma postura cautelosa quanto a uma maior dependência da China.

"É improvável que a ponte leve, de imediato, a um retorno pleno ao nível de comércio existente antes das sanções", avaliou Lim Eul-chul, do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam. Ele ressaltou, no entanto, que a ponte facilitará o transporte de equipamentos pesados, matérias-primas e produtos energéticos necessários para os esforços de desenvolvimento da Coreia do Norte.

A China é, de longe, a maior parceira comercial de Pyongyang, mesmo após uma série de sanções da ONU que proibiram o fluxo de mercadorias e trabalhadores com o país, em resposta ao desenvolvimento de mísseis e armas nucleares por parte de Pyongyang.

A China e a Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que votaram a favor de resoluções de sanções até 2017, têm questionado, desde então, a legitimidade e a eficácia de tais restrições. A Rússia é acusada por países como os EUA e a Coreia do Sul de fornecer assistência militar sensível à Coreia do Norte em troca do apoio de Pyongyang na guerra na Ucrânia.

O atraso representou um revés para a economia de Dandong. A demora na abertura da ponte foi um contratempo para Dandong, cuja economia prosperou no início do século XXI como a principal porta de entrada comercial para a economia isolada da Coreia do Norte. Até agora, a maioria das mercadorias atravessava cerca de 10 km rio acima, utilizando uma ponte de 83 anos que conta com uma via férrea e uma pista única para veículos.

Essa continua sendo a mais movimentada das cerca de 15 passagens ao longo da fronteira de aproximadamente 1.350 km. Os moradores de Dandong receberam bem a abertura. "Já se passou mais de uma década desde que disseram pela primeira vez que a ponte abriria... mas vir aqui hoje e ver isso com meus próprios olhos me deixa incrivelmente feliz", disse um deles, um homem de 50 anos de sobrenome He. "Assim que a ponte abrir, este lugar ficará muito mais movimentado, atraindo mais turistas", disse outro morador de Dandong, de sobrenome Xie.

A abertura da ponte foi "efetivamente o primeiro caso visível" de implementação de acordos firmados em uma cúpula de líderes realizada em junho, afirmou na quinta-feira uma autoridade do Ministério da Unificação da Coreia do Sul. Seul estava acompanhando se isso levaria a outras medidas práticas, à medida que Pequim e Pyongyang buscam transformar seus laços em uma parceria mais estratégica, acrescentou a autoridade.

As exportações da China para a Coreia do Norte atingiram, em 2025, o maior nível em seis anos, chegando a US$ 2,3 bilhões — um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o volume ficou bem abaixo dos níveis registrados antes do endurecimento das sanções da ONU em 2017. Bandeira chinesa tremula ao vento sobre o rio Yalu Maxim Shemetov/Reuters

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