FPA entra em campo antes que o temporal vire dívida rural

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Com tempestade severa prevista para Santa Catarina, a FPA volta ao debate sobre segurança jurídica e crédito. Em entrevista exclusiva, Daniela Reinehr fala dos riscos que chegam à lavoura.

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. Santa Catarina terá a quarta-feira (4) sob alerta de chuva volumosa, ventos fortes e granizo.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu avisos de diferentes graus para áreas do estado. No cenário mais severo, a previsão supera 60 milímetros de chuva por hora ou 100 milímetros no dia, com rajadas acima de 100 km/h e possibilidade de granizo.

A Epagri/Ciram prevê risco de tempestade severa isolada a partir da madrugada no Oeste e no Sul, com instabilidade e chuva volumosa também nas demais regiões. Na terça-feira (3), a deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC) publicou um alerta nas redes sociais e colocou o mandato à disposição de prefeitos e equipes municipais para ações de prevenção e atendimento.

Na reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília, ela também falou com exclusividade à coluna sobre a resposta do setor aos eventos climáticos. Integrante da diretoria da FPA, Daniela destacou a necessidade de ampliar a segurança jurídica e o acesso ao crédito para produtores atingidos por intempéries.

A discussão importa antes da tempestade, mas fica ainda mais concreta depois dela: quando a lavoura é danificada, o produtor precisa de regra clara e condições para reorganizar o caixa e seguir produzindo. Em entrevista exclusiva à coluna, Daniela Reinehr fala sobre a mobilização da FPA por segurança jurídica e crédito para produtores diante dos eventos climáticos.Vídeo: Letícia Schlindwein/ND Mais

“Sempre que acontece uma intempérie climática, como a que aconteceu em Fraiburgo, o nosso produtor fica a ver navios. E essa é a nossa preocupação contante, esse é o nosso trabalho aqui, unir esforços para que o produtor tenha segurança institucional e jurídica, que possam garantir sua atividade e manter a nossa economia de pé”, destacou a deputada.

O El Niño ajuda a dimensionar o tamanho da exposição. Estudo da Serasa Experian estima que, num cenário de produtividade semelhante ao do episódio forte de 2023/24, a safra brasileira de soja 2026/27 poderia encolher 17,6 milhões de toneladas, ou 9,7%, em relação a um cenário neutro.

O valor bruto da produção potencialmente impactado seria de cerca de R$ 33 bilhões. É um exercício de risco, não uma previsão de quebra nem prejuízo já ocorrido.

Enquanto o Sul se prepara para chuva excessiva, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou, em dados parciais de outubro, 68 municípios em seca extrema e 232 em seca severa. Em agosto, eram quatro e 153, respectivamente.

A piora se concentra no Nordeste, com avanço também em áreas de Roraima e do Amazonas. Em São Paulo, o excesso de chuva de setembro comprometeu a safra de trigo: a produção pode ficar abaixo de 20% das 350 mil toneladas inicialmente estimadas, e apenas 10% a 15% do cereal colhido deve alcançar a classificação Tipo 1.

Seca, granizo e chuva persistente mudam de endereço; a perda de produção e renda não espera o clima se estabilizar. O Sistema Antigranizo de Santa Catarina também está crescendo.

Os convênios autorizados passaram de 13 municípios em 2025 para 27 em 2026, com R$ 17,6 milhões e 228 geradores previstos, em operação ou em implantação. O sistema já funciona em 17 cidades e outras dez estão em fase de implantação.

A tecnologia busca reduzir o tamanho das pedras de granizo antes que atinjam o solo, ajudando a limitar danos em pomares e outras lavouras. É uma camada de prevenção importante para o estado, especialmente em regiões produtoras de frutas, mas que precisa caminhar junto com crédito, seguro e resposta pública quando o evento climático ultrapassa a proteção disponível.

O alerta desta quarta é para Santa Catarina, mas a pauta é nacional. Na reunião da FPA e na entrevista exclusiva de Daniela Reinehr, o ponto que merece ficar no radar é como dar previsibilidade a quem enfrenta perdas que não controla.

Segurança jurídica e crédito acessível não mudam a previsão do tempo, mas podem mudar o tamanho do estrago financeiro depois dela. O produtor não comanda a nuvem.

Em Brasília, ao menos, dá para trabalhar para que ele não enfrente sozinho a conta quando o céu fecha e arrasa com o plantio.

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